Isenção do Imposto de Renda: no fim, o governo é forçado a buscar outras fontes de arrecadação para compensar esse “presente”. (Foto: Freepik)
O governo anunciou ontem (26) a elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil. A narrativa oficial é simples: alívio para a classe média. A realidade, no entanto, vem com notas de rodapé. É aquela promessa de café de graça, mas que acaba aparecendo na conta do débito coletivo.
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A faixa de até R$5 mil realmente fica isenta e o imposto deixa de ser retido na fonte. Só que o Brasil não adota uma tabela progressiva atualizada com base na inflação. Na prática, quem ganha acima de R$5.001 passa a ser tributado pelas faixas seguintes, que não foram corrigidas integralmente nos últimos anos.
Isso significa que quem recebe mais de R$5 mil não apenas continua pagando IR, como também sofre com a defasagem da tabela. Cada reajuste salarial empurra o contribuinte para uma alíquota maior, mesmo sem aumento real de renda.
A tabela prevê ainda uma alíquota intermediária com desconto simplificado para quem ganha entre R$5.001 e R$7.500. Já para quem recebe acima de R$7,5 mil, segue valendo o modelo antigo, sem correção real, o que afeta especialmente profissionais qualificados e parte da classe média que já sustenta boa parte da carga tributária. No fim, o governo é forçado a buscar outras fontes de arrecadação para compensar esse “presente”. Beneficia alguns, mas a conta inevitavelmente recai sobre outros.
Em resumo, a ampliação da isenção até 5 mil reais tem um apelo político evidente. Ela beneficia milhões de pessoas, criando uma percepção imediata de alívio, mas não resolve o problema estrutural. Continuamos com um sistema tributário que penaliza quem produz e quem formaliza, premia poucos e onera justamente quem sustenta um modelo já marcado por carga tributária elevada, e que tende a aumentar para que as contas públicas fechem.
É uma medida que funciona muito bem na manchete, mas que, do ponto de vista estrutural, é preocupante, especialmente porque sempre surge a dúvida sobre como o governo vai equilibrar o orçamento.
Além disso, há uma pressão adicional sobre a inflação: mais dinheiro circulando, pela isenção a milhões de contribuintes, tende a estimular o consumo e, consequentemente, aumentar a inflação. Ou seja, o efeito final acaba atingindo todos da mesma forma, enquanto o governo não avançar em produtividade, infraestrutura e redução de custos.

*Este conteúdo é de inteira responsabilidade do seu autor. A TrendsCE não se responsabiliza pelas informações contidas no material publicado.
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