Mercado pet em transição para a sustentabilidade

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O mercado pet nacional passa por um momento de transição para a sustentabilidade, impulsionada por tutores mais conscientes e por empresas inovadoras - Foto: Envato Elements

Apesar da desaceleração no ritmo de crescimento, o setor pet brasileiro projeta um faturamento de R$ 77,2 bilhões neste ano, o que é 2,42% superior ao de 2024.


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A Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet) atribui o menor índice desde 2019 à alta do dólar, à inflação persistente e à elevada carga tributária, que impactam negativamente no consumo. Mesmo assim, a indústria, o comércio e a área de serviços continuam ampliando a oferta de soluções para os bichinhos domésticos, cada vez mais humanizados e com direito não só a procedimentos estéticos (banho e tosa), mas massagem, fisioterapia e procedimentos odontológicos e psicológicos que buscam enquadramento na sustentabilidade movimentando o segmento de creches, hotéis e spas.

Concentração em produtos e regiões

Na verdade, o mercado pet nacional passa por um momento de transição para a sustentabilidade com avanços ainda isolados em produtos e em regiões, impulsionada por tutores mais conscientes e por empresas inovadoras, motores dessa transformação. A propósito, pesquisas apontam que quase 90% deles levam em consideração as práticas sustentáveis na hora das compras, em especial os Millennials e a Geração Z, inclusive com maiores questionamentos em relação ao “greenwashing”, ações de marketing que promovem uma falsa imagem de sustentabilidade.

Alimentos, embalagens e cuidados

Pioneiros, alguns setores lideram a trajetória na direção da sustentabilidade pet. É o caso da alimentação. Representando 55% do faturamento, a alimentação natural e pet foods sustentáveis ganham cada vez mais a preferência dos tutores, com o uso de ingredientes funcionais, proteínas alternativas e fórmulas especiais livres de grãos e sem conservantes artificiais. Entram em cena, também, processos inovadores de produção como liofilização para preservação de nutrientes, esterilização a alta pressão (HPP), cozimento delicado por autoclave e alimentos frescos sem necessidade de congelamento.

Surgem, ainda, iniciativas de economia circular aplicadas, em especial, à gestão de resíduos. O projeto Pegada Limpa é uma delas. Dow, Nestlé Purina e Fundação Avina integram o projeto de reciclagem de embalagens de alimentos pet e buscam a meta de converter 300 toneladas de plástico circular e beneficiar 5 mil catadores no Brasil e na Argentina. Outras empresas como a BRF Pet, fabricante da ração Guabi Natural, já compensou 130 toneladas de embalagens, enquanto a Special Dog Company alcançou uma taxa de reciclabilidade de quase 99% de seus resíduos industriais, sendo a primeira do setor a obter a certificação Lixo Zero.

A área de cuidados e acessórios também registra avanços em práticas sustentáveis. Com faturamento de R$ 11 bilhões em 2024, o setor desenvolveu brinquedos atóxicos e acessórios a partir de materiais reciclados, além de cosméticos com ingredientes orgânicos e da biodiversidade brasileira.

Liberdade e proteção

A segurança dos pets também integra a cadeia de produtos e serviços. É o nicho encontrado pela CORPVS, que desenvolveu tecnologia de monitoramento dos pets que, ao portarem uma tag na coleira, permitem a localização do animal através do aplicativo, utilizando a rede colaborativa.

Para Paulo Buriti (foto), gerente corporativo da CORPVS, esta funcionalidade é possível graças à utilização da rede colaborativa de smartphones, permitindo proteção com liberdade, sem alarmes invasivos. Mais do que um recurso tecnológico, as tags inteligentes mostram como a segurança pode caminhar junto com o bem-estar dos tutores e das famílias.

Paulo Buriti, gerente corporativo da CORPVS – Foto: Arquivo pessoal

Segurança alimentar

Outro exemplo com pegada sustentável vem da Canister. Ao apostar na categoria de petiscos semiúmidos, como os bifinhos para cães com diferenciais funcionais, a empresa promete atuar na saúde bucal dos pets devido ao tripolifosfato de sódio que atua na redução da formação de placa bacteriana.

A linha é livre de corantes artificiais, transgênicos e glúten, mantendo o compromisso da marca com a qualidade e a segurança alimentar. “Reforçamos nossa essência de unir sabor, diversão e acessibilidade, entregando um produto que agrada ao pet, ao tutor e também ao lojista”, destaca Marcos Calsavara (foto), diretor de Marketing da Brazilian Pet Foods.

Marcos Calsavara, diretor de Marketing da Brazilian Pet Foods – Foto: Arquivo pessoal

Sustentabilidade regional

A inovação em sustentabilidade pet é desigual no mapa brasileiro. Conforme levantamento da Liga Ventures envolvendo 158 startups do setor, São Paulo ocupa a primeira posição com mais da metade das iniciativas empresariais desenvolvedoras de projetos verdes para o mercado pet. Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro também são polos importantes. O Rio Grande do Sul se destaca pelas práticas de produção sustentável em suas indústrias, como a planta da BRF Pet em Ivoti, que opera com o conceito de “aterro zero”.

Estados Mais Sustentáveis

São Paulo: 52% das startups, maior concentração de empresas líderes
Paraná: 13% das startups, ecossistema em crescimento
Minas Gerais e Rio de Janeiro: 8% cada, mercados relevantes
Santa Catarina: 6%, tradição em agronegócio sustentável
Rio Grande do Sul: 4% com produção sustentável, aterro zero

Estados Emergentes

Bahia: 3%
Ceará: 3%
Goiás: 1%
Distrito Federal: 1%
Espírito Santo: 1% (crescimento de 12% ao ano no setor)

Setores mais sustentáveis

Alimentação Natural e Pet Food Sustentável (liderança absoluta)
Embalagens e Economia Circular (impacto sistêmico)
Pet Care e Acessórios Eco-friendly (crescimento rápido)
Startups Pet Tech com foco em sustentabilidade (inovação)
Serviços Veterinários (prescrição de práticas sustentáveis)

Mercado pet sólido

“O setor pet segue sólido, mas os resultados projetados para 2025 refletem os desafios econômicos e o peso da alta tributação sobre os produtos e serviços do setor”, comenta Caio Villela (foto), presidente do Instituto Pet Brasil.

Caio Villela, presidente do Instituto Pet Brasil – Foto: Arquivo pessoal

A venda de alimentos industrializados para animais de estimação tem previsão de encerrar 2025 com R$ 40,82 bilhões (52,9% do total do setor). Em seguida, vem a venda de animais por criadores, representando R$ 8,5 bilhões, ou 11% do faturamento do mercado. Logo depois, os produtos veterinários (pet vet) representam R$ 8,2 bilhões, ou 10,6% do total do faturamento do setor. Serviços veterinários são o quarto maior segmento em faturamento, com R$ 8,1 bilhões (10,6%). 

Em relação aos canais de acesso, pet shops pequenos e médios permanecem como quase metade de todo movimento do varejo. O 1º semestre indica que esse setor movimentará R$ 37,12 bilhões. Em segundo lugar estão as clínicas e hospitais veterinários, que representam cerca de 17,5% do faturamento (R$ 13,5 bilhões). Completando o pódio, as cadeias de mega stores pet tem uma fatia de 9,6%, faturando R$ 7,4 bilhões. 

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