Comitê do leite cearense é criado em audiência na Assembleia Legislativa

Por: Eleazar Barbosa | Em:
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Agenda prioritária é definir o indexador para o preço do leite, e também regularizar a fiscalização do produto de outros estados ao ingressar no Ceará. (Foto: Divulgação)

Um comitê governamental foi criado nesta segunda-feira (08), em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) para debater os rumos da distribuição e comercialização do leite produzido no estado. O evento contou com a participação de produtores da cadeia produtiva e autoridades de governança pública.


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O autor do requerimento, o deputado estadual De Assis Diniz (PT), que também preside a Frente Parlamentar em Defesa da Agricultura Familiar, da Pecuária e da Pesca, relatou que o Ceará é o terceiro maior produtor de leite do Nordeste e no ranking nacional ocupa a nona colocação.

“O estado produziu cerca de um bilhão de litros em 2024, de acordo com o Anuário do Leite 2024. A produção diária era de aproximadamente dois milhões de litros. O valor da produção de leite e derivados responde por aproximadamente 10,3% do valor bruto da produção do Ceará, além de ser um grande gerador de emprego e renda e suprimento alimentar no meio rural”, frisa o parlamentar.

Além do enfoque do comitê organizacional da produção de leite no Ceará, sugerido a criação em conjunto de um grupo de trabalho para tratar do tema, a instituição de um indexador do preço do leite e a viabilidade de regular a fiscalização do produto oriundo de outros estados. Para o secretário executivo do Agronegócio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), Silvio Carlos, um dos pontos levantados na audiência é definir o indexador para o preço do leite.

Silvio Carlos reforça que a prioridade é estimular a produçãodiminuir os custos do leite e incentivar a criação de novas empresas no setor para fomentar a demanda pelo leite produzido no Ceará. “Nós temos crescido bastante na produção do leite no campo, a oferta tá muito grande de leite. E a gente precisa trabalhar muito fortemente a indústria, ajudar os pequenos laticínios a crescer e a absorver mais leite, e fortalecer a cadeia, além de tecnologia no campo, uma assistência técnica mais especializada, e mais direcionada, além de melhoria nos equipamentos”, pontua.

O deputado estadual Missias Dias (PT) apontou que o objetivo da audiência pública se estabeleceu em escutar os produtores e agricultores que se mobilizam na ponta para a produção do leite, o qual, conforme o parlamentar, é o segmento que reivindica a valorização do preço do produto

“Tivemos a oportunidade de dialogar com as empresas que hoje tem a responsabilidade de, juntamente com os produtores, garantir que essa cadeia produtiva, que é tão importante para o desenvolvimento econômico do estado do Ceará e para a geração de emprego e renda no campo, valorize quem está da porteira para dentro. Debatemos muitos pontos importantes, no que se refere à melhoria do suporte forrageiro, dos armazenamentos do leite, da organização tanto em cooperativismo, como em associativismo, porque entendemos que esta é uma forma de a gente fazer um equilíbrio com autonomia maior”, destacou o parlamentar.

O potencial da produção leiteira no Ceará

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), o estado possui condições edafoclimáticas (solo e clima) propícias à atividade leiteira, além do aproveitamento das características que são mecanismos para impulsionar o desenvolvimento rural sustentável do segmento. 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção cearense cresceu de 498 milhões de litros em 2014 para mais de 1,2 bilhão em 2024, aumento que representa 9,3% de média anual nos últimos 10 anos. No mesmo período, o número de vacas ordenhadas aumentou em 2,3% ao ano, conjugando aumento de 581 mil para 731 mil, contabilizando produtividade anual por vaca em mais de 30%. Segundo a SDE, os números evidenciam eficiência técnica e adaptação às condições locais, além de reflexo de investimentos em genética, manejo e nutrição.

Em termos da balança comercial do leite e derivados, em 2024, o Ceará exportou US$ 85,2 mil e importou 1,70 milhão de dólares. Neste ano, no período de janeiro a agosto, o estado exportou US$ 42,5 mil e importou 98,6 mil dólares, o que no comparativo do mesmo período do ano passado houve redução em 20% nas exportações.  

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