As plataformas da China vêm reposicionando suas operações. O Temu, por exemplo, investe em centros de distribuição espalhados pela região. (Foto: Divulgação)
O avanço das plataformas de e-commerce da China está redesenhando as regras fiscais na América Latina. Com o aumento de produtos baratos em sites como Temu, Shein, Shopee e AliExpress, governos da região adotam novas tarifas para reduzir a pressão sobre o varejo físico e fortalecer a arrecadação.
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No Brasil, o debate ganhou visibilidade com a chamada “taxa das blusinhas”. Já o México decidiu agir de forma mais ampla e elevou de 19% para 33,5% o imposto sobre pacotes vindos de países sem acordo comercial, como a China.
O movimento também chegou ao Chile, que a partir de outubro passará a aplicar IVA de 19% sobre todas as encomendas de até US$ 41. No Equador, a resposta foi uma tarifa fixa de US$ 20 para entregas expressas, adotada em junho. O Uruguai, por sua vez, incluiu em seu orçamento a proposta de cobrar imposto sobre compras digitais de países fora dos Estados Unidos.
Apesar das mudanças, a competitividade dos preços permanece como fator decisivo. Produtos vendidos até três vezes mais caros em lojas físicas aparecem nos sites chineses por valores significativamente inferiores e, em muitos casos, com frete gratuito. Esse diferencial, segundo a Bloomberg, explica a adesão rápida dos consumidores.
O efeito sobre o comércio local já se tornou perceptível. No Uruguai, lojistas relatam perda consistente de clientes para o comércio digital, principalmente em cidades menores, onde a diferença de preços se mostra mais sensível e o consumidor adere rapidamente às compras online.
No Chile, o debate avança em duas frentes: entidades empresariais pedem fiscalização mais rígida para conter contrabando e sonegação, enquanto associações de consumidores contestam as novas tarifas por entender que encarecem o acesso a produtos básicos. Esse cenário expõe a tensão entre proteger a indústria nacional e atender a demanda por preços acessíveis.
As plataformas chinesas, cientes da resistência regulatória, vêm reposicionando suas operações. O Temu, por exemplo, abriu espaço para vendedores locais no México e investe em centros de distribuição espalhados pela região, em países como Colômbia, Chile e Peru, para reduzir custos logísticos e encurtar prazos de entrega.
Nesse ambiente mais competitivo, o Mercado Livre busca reforçar sua liderança. Avaliado em US$ 121 bilhões, o grupo aposta em mecanismos de conformidade que garantem a adequação às regras de cada mercado, tentando oferecer aos governos maior segurança regulatória e, aos consumidores, um canal de compras com menor risco de barreiras fiscais.
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