O mercado engloba cimento, tintas, areia, tijolos, argamassa, madeira, telhas e outros materiais. Na imagem, Carlito Lira. (Foto: Paulo Henrique).
O presidente da Associação dos Comerciantes do Material de Construção (ACOMAC), Carlito Lira, relatou que a expectativa de faturamento no segmento de material de construção no Ceará é de R$ 6,3 bilhões até o final do ano. O mercado engloba cimento, tintas, areia, brita, tijolos, argamassa, gesso, madeira, telhas, tubos, conexões, fiação elétrica e materiais de acabamento.
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Medida que afeta a cadeia produtiva do país e também do Ceará, ao que tange as recentes sanções aprovadas pelos Estados Unidos, Carlito acentuou que o tarifaço ianque não irá impactar diretamente o comércio internacional cearense de material de construção, pontuando o cimento, o metal sanitário e a indústria de piso e tintas, mas na linha de exportação da área, segundo Lira, o mais afetado é “talvez” o aço.
“A gente fala que o tarifaço é impactante na economia cearense, porque nos 52% da exportação do Ceará vai para os Estados Unidos, mas ele é muito focado em alguns segmentos, que realmente vão ter grandes perdas, como o segmento de frutas, o de pescados e o de crustáceos, que realmente representa 18% das exportações. Mas o principal prejudicado vai ser o mercado de aço, que hoje nós temos a nossa siderúrgica comercializando 82% das exportações cearenses, o que vai causar um grande impacto”, mencionou Lira.
A agenda que também aglutinará o viés econômico do leque de negócios brasileiros é a Reforma Tributária, que começará a vigorar de forma paulatina a partir do próximo ano. O presidente da ACOMAC avalia como um “avanço” os reflexos no setor comercial de materiais de construção ao que tange a pauta tributária. “Porque nós não vamos ter num primeiro momento a redução de tributação, mas facilitação da maneira como a gente trabalha. Hoje o empresário, por ele ainda saber vender, saber negociar, saber tratar com pessoas, tem que ser um ‘expert’ em contabilidade. Então a gente perde muito tempo com isso, e é prejudicial porque acaba afetando a nossa competitividade”, analisa.
O presidente da ACOMAC concedeu entrevista exclusiva nesta terça-feira (19) à TRENDS, no Centro de Eventos do Ceará, durante o lançamento da Expoconstruir, feira de negócios relacionada ao ramo de materiais de construção, que acontece até o dia 22 de agosto. De acordo com Lira, no ano passado, os investimentos durante o evento ultrapassaram a marca de R$ 500 milhões, e a meta para a edição de 2025 é superar a estatística.
“O setor da construção representa mais de 12% do PIB brasileiro, e poucos setores da economia tem essa representatividade, então quando a gente consegue trazer todo o ecossistema da construção para uma feira regional desse porte, a gente contribui para o desenvolvimento do estado, porque aqui nós estamos reunindo todo a atmosfera, desde a indústria que produz os produtos, o comércio atacadista, varejista, médias lojas, home center – que canaliza os produtos junto aos consumidores finais –, e também a construção civil que acaba agregando o material de construção, o mercado imobiliário, a parte de terrenos, como também a mão de obra, que transforma em edificações, então a gente acaba beneficiando a todos”, pontua Lira.
A corporação pernambucana Iquine Tintas comprou, em 2020, os direitos integrais de vendas da empresa cearense Tintas Hidracor, antes sob a tutela empresarial do Grupo J Macêdo. O diretor comercial e de marketing da Iquine Tintas, Leonardo Vasconcelos, explicou que com a incorporação da entidade cearense, a instituição empresarial pernambucana alcançou a terceira posição no ranking nacional do segmento relacionado a tintas.
O conjunto corporativo da Iquine consiste em três parques industriais, um em Pernambuco e dois no Ceará, nos municípios de Maracanaú e Acarape, além de um centro de distribuição em Guarulhos (SP). Leonardo salientou que a Hidracor cobre cerca de 40% do mercado cearense, e reforçou que a fusão contribuiu para a liderança do segmento no Norte-Nordeste.
Ele destaca que a inovação é na conjuntura da elaboração de cinco mil cores tintométricas, mecanismo de cores de tinta infiltrados em uma máquina que gera variados tons. “Ela é a única empresa nordestina que tem o sistema tintométrico, e houve a necessidade de um investimento muito forte em termos de aporte financeiro, de tecnologia, inovação, de pessoas, começando a seguir o caminho diferente das concorrentes regionais, o que acabou levando à liderança do mercado do Norte-Nordeste e a 4ª posição do ranking nacional. Quando a gente comprou a Hidracor, fortalecemos essa liderança e ganhamos uma posição no ranking nacional, subindo para o terceiro lugar”, reforça.
Sobre a participação em eventos do porte da Expoconstruir, o gestor afirma ser de fundamental importância para as empresas, pois é nesses ambientes onde elas conseguem fazer novos negócios, expor novidades, mostrar relevância num mercado altamente competitivo e trabalhar o relacionamento com o cliente.
“A gente tem uma relevância muito grande, praticamente vendemos para todos os principais lojistas, nós temos uma pulverização de quase 10 mil clientes. O importante de ter a presença aqui na feira – a Expoconstruir – não é só para trabalhar a parte de relacionamento como também apresentar novidades, que nessa feira a gente apresenta pela primeira vez produtos da Hidracor, para se fazer no sistema tintométrico”, pontua Leonardo.

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