A Johanna Foods, importadora de suco de laranja nos Estados Unidos, entrou com uma ação contra o presidente Donald Trump. (Foto: Reprodução/Evelyn Hockstein/Reuters)
A Johanna Foods, importadora de suco de laranja nos Estados Unidos, entrou com uma ação contra o presidente Donald Trump após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, prevista para 1º de agosto, impactaria diretamente os custos da empresa, que projeta um aumento de US$ 68 milhões nas despesas anuais.
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Segundo a Johanna, o acréscimo tarifário deve elevar os preços ao consumidor norte-americano em até 25%. A empresa argumenta que a medida viola a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, usada para justificar sanções comerciais em situações de emergência nacional.
A ação judicial tramita em um tribunal federal de apelações e deve ter análise ainda neste mês. A Corte, por ora, autorizou a continuidade da aplicação das tarifas, enquanto aguarda o julgamento dos argumentos apresentados.
Na carta em que impôs as tarifas, Trump justificou a decisão citando o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, além de “ataques contínuos” às empresas digitais dos EUA e uma “relação comercial injusta”. Contudo, os EUA mantêm superávit na balança comercial com o Brasil.
O Brasil é responsável por cerca de 80% do suco de laranja importado pelos Estados Unidos. Segundo o Cepea/Esalq-USP, a tarifa comprometeria a competitividade brasileira no segundo maior mercado de destino do produto.
Pesquisadores do Cepea alertam também para os efeitos da medida sobre outras commodities brasileiras. Os Estados Unidos são o principal comprador de café do Brasil, absorvendo cerca de 25% da produção exportada.
A carne bovina também está em risco. Os EUA são o segundo maior destino do produto brasileiro, representando 12% das exportações do setor. A imposição de tarifas pode pressionar os preços internos e afetar o desempenho das exportações.
Por enquanto, a Johanna Foods aguarda resposta do Judiciário e afirma que a carta de Trump não tem valor equivalente a uma executive order, mecanismo necessário para ações do tipo no governo norte-americano.
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