O presidente Lula disse que não aceitará ordens de um “gringo” e criticou diretamente o presidente Donald Trump. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil vai impor impostos sobre empresas digitais dos Estados Unidos, em resposta à investigação comercial aberta pela Casa Branca. Segundo Lula, a soberania brasileira será mantida, independentemente da pressão do governo americano.
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A medida ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos EUA acusar o Brasil de adotar práticas desleais contra gigantes da tecnologia. Empresas como Google, Apple, Meta e Amazon são apontadas como prejudicadas pelas regulações brasileiras.
Durante discurso no Congresso da UNE, em Goiânia, Lula disse que não aceitará ordens de um “gringo” e criticou diretamente o presidente Donald Trump. Ele afirmou que as empresas americanas serão taxadas, em referência à resistência dos EUA à cobrança sobre plataformas digitais.
O governo brasileiro tenta desde 2024 regulamentar redes sociais com o “PL das Fake News”, mas enfrenta obstáculos no Congresso. O STF, por outro lado, já decidiu pela responsabilização civil das plataformas pelos conteúdos publicados.
A disputa também envolve o sistema de pagamentos. A Casa Branca alega que o Brasil favorece o Pix, estatal, em detrimento de sistemas como Apple Pay, Google Pay, Visa e Mastercard, todos norte-americanos. Desde seu lançamento, o Pix reduziu significativamente o uso de bandeiras privadas.
Os EUA também acusam o Supremo Tribunal Federal (STF) de censura nas redes sociais, citando decisões que obrigam plataformas a remover conteúdos. Lula reagiu afirmando que liberdade de expressão não pode ser usada como escudo para agressões.
A retaliação brasileira amplia o debate global sobre taxação das big techs. Países como o Canadá recuaram da medida após pressão americana, mas Lula sinalizou que manterá o plano. “Não é um gringo que vai dar ordem a este presidente da República”, declarou.
Em entrevista à CNN, Lula afirmou que Trump “esquece que foi eleito para governar os EUA, não para ser imperador do mundo”, e sugeriu que o americano deveria negociar em vez de impor barreiras. A fala foi uma resposta direta à nova postura comercial da gestão Trump.
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