O mercado de seminovos no Ceará passa por mudanças com a chegada de veículos híbridos e elétricos. A transformação foi tema de reunião da Câmara do Setor Automotivo do Sistema Fecomércio Ceará, que discutiu os impactos das novas tecnologias sobre precificação, depreciação e giro de estoque.
Com o tema “O Futuro do Seminovos: Precificação, depreciação e risco na era dos híbridos e elétricos”, o encontro reuniu representantes do setor. Além disso, a discussão abordou os desafios enfrentados por empresas na avaliação e comercialização desses veículos.
Tabela Fipe segue referência, mas preço depende do mercado
A apresentação foi conduzida por Marcos Duarte, especialista em avaliação e consultoria automotiva e professor da Escola de Vendas Automotivas, iniciativa da Câmara do Setor Automotivo em parceria com o Senac.
Segundo o especialista, a Tabela Fipe continua como referência para o mercado. Entretanto, outros fatores também influenciam o preço final de um seminovo.
Entre eles estão oferta e demanda, estado de conservação, custo de aquisição e período de permanência no estoque. Além disso, Duarte aponta que os valores da tabela podem apresentar defasagem de pelo menos 30 dias.
Em determinadas negociações, os preços podem ficar 20% ou mais abaixo da referência. Dessa forma, a formação do valor exige uma análise que considere as condições específicas de cada veículo e do mercado.
Híbridos e elétricos ampliam incertezas sobre depreciação
A chegada acelerada de novas tecnologias adiciona novos elementos à avaliação dos seminovos. Para Marcos Duarte, o mercado ainda precisa observar como os veículos eletrificados vão se comportar após alguns anos de uso.
“O mercado vem sofrendo mudanças em 2026. Hoje, a realidade é o avanço dos veículos elétricos, eletrificados e híbridos. O público quer tecnologia e carros mais acessíveis, mas ainda precisamos entender como isso vai influenciar o preço dos veículos usados”, afirmou.
Nesse cenário, a evolução do mercado de veículos novos também interfere na formação de preços dos seminovos. Por isso, o comportamento da depreciação desses modelos ainda exige acompanhamento.
Baterias e manutenção entram na formação do preço
Além da depreciação, os custos relacionados à manutenção passam a ter maior peso na avaliação dos veículos híbridos e elétricos.
Segundo Duarte, a saúde das baterias, a disponibilidade de peças e a mão de obra especializada estão entre os fatores que podem influenciar os preços futuros. Ao mesmo tempo, equipamentos específicos para diagnóstico e reparo passam a fazer parte das necessidades do setor.
“Precisamos aguardar um pouco mais para entender como será, de fato, a precificação desses veículos no futuro. A tecnologia está avançando rapidamente e precisamos observar os custos de mão de obra para manutenção e reparo”, afirmou.
O especialista também aponta dificuldades atuais relacionadas a peças e pós-venda. Assim, esses elementos passam a integrar a avaliação de risco de veículos que chegam ao mercado de seminovos.
Empresas e qualificação
Para Luiz Fernando Bittencourt, presidente do Sistema Fecomércio Ceará, as câmaras empresariais ajudam a aproximar empresas, sindicatos e entidades dos diferentes segmentos.
Segundo ele, esse diálogo permite identificar demandas do setor e transformar essas necessidades em iniciativas de qualificação profissional. A Academia de Vendas Automotivas, desenvolvida pela Câmara do Setor Automotivo em parceria com o Senac, integra esse movimento.
A iniciativa busca preparar profissionais para as transformações do mercado automotivo. Além disso, aproxima a formação oferecida pelo Senac Ceará das demandas das empresas do Estado.
Curso prepara novos vendedores no Ceará
Em maio deste ano, o Senac Ceará lançou, em parceria com entidades do setor, a Academia de Vendas do Setor Automotivo. O programa começou com a formação de novos vendedores para atender às necessidades do mercado.
O curso tem 200 horas de duração e combina conteúdos técnicos e comportamentais. Além disso, inclui simulações de atendimento e vendas, oficinas comerciais, avaliações de desempenho e visitas técnicas a concessionárias e revendas.
A formação também busca preparar profissionais para as mudanças provocadas pela chegada de novas tecnologias. Dessa maneira, a qualificação da mão de obra passa a acompanhar a transformação do mercado de veículos no Ceará.
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