A carnaúba movimentou R$ 270 milhões em cera, pó e fibra em 2025, segundo a Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), divulgada pelo IBGE na última semana. Além disso, o levantamento não registra produção da espécie em outras regiões do país.
Nativa do Nordeste, a carnaúba fornece matéria-prima para cosméticos, polimentos e produtos farmacêuticos. No Ceará, Granja lidera a produção municipal nacional e integra um dos principais polos extrativistas da espécie.
Pó concentra maior parte do valor da carnaúba
O pó de carnaúba respondeu por R$ 255 milhões do valor total registrado em 2025. Ao todo, o país produziu 15.065 toneladas do produto, segundo a Tabela 289 da PEVS.
Nesse cenário, a produção se concentra no Noroeste Cearense. Uma faixa contínua de carnaubais se estende de Granja a Santana do Acaraú, reunindo municípios entre os principais produtores nacionais.
Granja liderou o ranking municipal, com R$ 19,8 milhões. Na sequência aparecem Camocim, com R$ 14,6 milhões, Uruoca, com R$ 7,4 milhões, e Santana do Acaraú, com R$ 7,3 milhões.
Juntos, os quatro municípios somaram R$ 59,1 milhões. Assim, eles responderam por 21,9% do valor da produção de carnaúba no Nordeste.
Além do pó, a atividade gerou R$ 14,9 milhões com 488 toneladas de cera e R$ 4,3 milhões com 1.423 toneladas de fibra. Os três produtos atendem a mercados diferentes.
O pó abastece principalmente as indústrias cosmética e farmacêutica. Por sua vez, a cera é utilizada em polimentos e revestimentos industriais, enquanto a fibra atende à produção artesanal e ao artesanato destinado à exportação.
Babaçu concentra extrativismo oleaginoso no Maranhão
O babaçu também mantém forte concentração regional. Em 2025, a produção da amêndoa alcançou 23.908 toneladas e gerou R$ 80,6 milhões, com destaque para o Maranhão.
Penalva liderou o ranking municipal nacional, com 1,1 mil toneladas. Em seguida, aparecem Viana, com R$ 5,8 milhões, e Cajari, com R$ 3 milhões, ambos na Baixada Maranhense.
Enquanto isso, o licuri registrou 1.114 toneladas em 2025. A produção ficou concentrada no Nordeste, com liderança da Bahia.
Entre os municípios baianos, Serrolândia registrou 139 toneladas, Cansanção alcançou 138 toneladas e Monte Santo produziu 116 toneladas. Alagoas apareceu na sequência entre os estados produtores, com 246 toneladas.
O grupo dos oleaginosos nativos nordestinos somou R$ 85 milhões em 2025. Segundo o levantamento, o resultado representa alta de 18% sobre o ano anterior.
Nesse grupo, o babaçu respondeu por 94,9% do valor. Dessa forma, o Maranhão ocupa posição central no extrativismo oleaginoso regional.
Umbu concentra produção no Semiárido
O umbu registrou 16.274 toneladas e movimentou R$ 20,3 milhões em 2025. A produção permanece concentrada no Semiárido nordestino.
A Bahia liderou com 11.424 toneladas, equivalentes a 70,2% da produção nacional. O Centro-Sul Baiano concentrou o maior volume regional, com 3.433 toneladas.
No ranking municipal, Mirante registrou 376 toneladas. Já a Paraíba ficou na segunda posição estadual, com 4.684 toneladas, enquanto Olivedos liderou a produção paraibana, com 483 toneladas.
Além disso, Rio Grande do Norte registrou 1.657 toneladas, Pernambuco teve 1.175 toneladas e Alagoas alcançou 645 toneladas. Piauí e Ceará apresentaram volumes menores, com 210 toneladas e 50 toneladas, respectivamente.
Mangaba mantém produção ligada ao litoral
A mangaba apresenta uma distribuição diferente entre as espécies analisadas. Em 2025, o país registrou 2.460 toneladas, com liderança da Paraíba.
O estado produziu 1.814 toneladas, concentradas na Mata Paraibana. Rio Tinto, Baía da Traição e Marcação foram os principais municípios produtores, com 300, 283 e 178 toneladas, respectivamente.
O Rio Grande do Norte ficou na segunda posição, com 1.210 toneladas, impulsionado por Nísia Floresta, que registrou 530 toneladas.
Por outro lado, Sergipe produziu 602 toneladas, enquanto a Bahia alcançou 399 toneladas. No estado baiano, Nova Soure registrou 74 toneladas.
Extrativismo alimentar movimenta R$ 115,1 milhões
A castanha-de-caju completou o grupo de produtos alimentares destacado no levantamento. Em 2025, foram registradas 1.927 toneladas, com valor de R$ 8,8 milhões.
Ao considerar o conjunto dos produtos alimentares do extrativismo, o Nordeste alcançou R$ 115,1 milhões em 2025. Segundo a apresentação do IBGE, o resultado representa crescimento de 9,4% em relação a 2024.
Nesse contexto, os dados mostram a concentração regional de espécies nativas e a importância de diferentes cadeias extrativistas para a economia nordestina. No Ceará, a carnaúba se destaca pela escala de produção e pela presença de municípios entre os maiores valores nacionais.
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