A cadeia do coco deve ganhar uma nova unidade industrial no Vale do Jaguaribe. A DiKoko Agroindustrial prevê aplicar R$ 72,2 milhões na construção de uma fábrica de beneficiamento e processamento em Russas, no Ceará.
O empreendimento faz parte de um memorando de entendimento firmado entre a empresa e o Governo do Ceará, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE). O documento, publicado no Diário Oficial do Estado, também estabelece uma previsão de 88 empregos diretos e 351 indiretos.
De acordo com o cronograma, a implantação deve começar no primeiro semestre de 2027 e terminar até o fim do mesmo ano. Antes disso, entretanto, o projeto precisa avançar em etapas como licenciamento, contratos específicos e comprovação de viabilidade técnica, econômica e ambiental.
Fábrica ficará nos Tabuleiros de Russas
A nova indústria será instalada no Perímetro Irrigado Tabuleiros de Russas. A localização considera a oferta de produtores e o avanço do cultivo de coco na região.
Com isso, o projeto amplia a presença da indústria de processamento para uma área diferente dos principais polos tradicionais da cultura no Ceará. A unidade também poderá aproximar a transformação industrial das áreas produtoras do Vale do Jaguaribe.
A fábrica deverá contar com tecnologia de envase asséptico. Na prática, o sistema permite acondicionar os produtos sem a utilização de conservantes.
Além disso, a produção terá como destinos mercados da América do Norte e da Europa, conforme informações da SDE.
Projeto prevê aproveitamento integral do coco
Outro ponto do empreendimento é o aproveitamento de diferentes partes do fruto. A água e a polpa serão utilizadas na fabricação de alimentos.
Ao mesmo tempo, a empresa prevê destinar resíduos do processamento para outras aplicações. A casca e a fibra, por exemplo, poderão ser transformadas em substrato agrícola e biochar, material rico em carbono utilizado em diferentes práticas de manejo do solo.
Dessa forma, o projeto amplia o número de produtos que podem resultar do processamento do coco. A estratégia também permite aproveitar materiais que normalmente seriam tratados apenas como resíduos da produção.
Ceará responde por quase um quarto da produção nacional
A escolha do Estado ocorre em um cenário de expansão da produção local. O Ceará lidera a produção brasileira de coco-da-baía desde 2020.
Segundo dados citados pelo Governo do Ceará, o Estado produziu 588,5 mil toneladas em 2024, alta de 13,4% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a produção da Bahia ficou em aproximadamente 360 mil toneladas.
O Ceará responde por quase 25% da produção nacional, segundo o governo estadual. A atividade concentra parte relevante da produção no Litoral Oeste, onde está Paraipaba, município que também abriga uma unidade da DiKoko.
Empresa já processa milhões de cocos
A nova fábrica amplia uma operação que já possui escala relevante no processamento do fruto. Segundo informações divulgadas pela própria empresa, a DiKoko processa atualmente cerca de 200 mil cocos verdes por dia.
Além disso, a companhia informa capacidade diária de processamento de 60 toneladas de coco seco. A empresa também destina aproximadamente 50 milhões de cocos por ano à produção de água de coco.
Atualmente, a DiKoko exporta produtos para cinco países. A operação mantém ainda cerca de 300 empregos diretos em suas unidades industriais.
DiKoko possui unidades no Ceará e em Pernambuco
O Grupo DiKoko, cuja razão social é Dicoco Agroindustrial Ltda., atua há mais de duas décadas no processamento de coco. A empresa mantém unidades em Paraipaba e Itapipoca, no Ceará, além de Petrolândia, em Pernambuco.
O portfólio inclui água de coco, coco ralado, óleo, leite, farinha e açúcar de coco. Assim, a companhia atua em diferentes etapas da cadeia de transformação do fruto.
A expansão para Russas, portanto, adiciona uma nova frente industrial à operação. Além disso, aproxima a empresa de uma região com produção crescente de coco.
Empresa aparece em estudo da Bain
Em 2026, a DiKoko foi incluída no Insurgent Brands Brasil 2026, levantamento elaborado pela Bain & Company com apoio da NielsenIQ.
O estudo selecionou 53 marcas brasileiras de bens de consumo que apresentaram crescimento acima da média de suas respectivas categorias. No segmento de alimentos e bebidas, a DiKoko aparece entre as empresas destacadas.
Para chegar ao resultado, o levantamento analisou aproximadamente 10 mil marcas. Desse universo, 53 atenderam aos critérios estabelecidos para a edição brasileira.
Em conjunto, essas empresas representam cerca de 2% do mercado analisado, mas respondem por 20% do crescimento incremental das categorias avaliadas.
Nesse cenário, o investimento em Russas adiciona uma nova etapa à expansão industrial da DiKoko. A fábrica prevista para 2027 combina processamento, aproveitamento de subprodutos e acesso à matéria-prima produzida no interior do Ceará.
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