ANP inclui área de petróleo encontrado por agricultor no Ceará

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ANP inclui em bloco exploratório área de Tabuleiro do Norte onde agricultor encontrou petróleo a cerca de 40 metros de profundidade. (Foto: Marcelo Andrade/IFCE)

A propriedade rural onde o agricultor Sidrônio Moreira encontrou petróleo cru em Tabuleiro do Norte, no Vale do Jaguaribe, foi incluída em um bloco de exploração da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A decisão foi divulgada pela ANP nesta sexta-feira (4). Ao todo, a Agência aprovou a indicação de 24 novos blocos exploratórios na Bacia Potiguar, incluindo a área onde ocorreu a descoberta no Ceará.

A inclusão, no entanto, ainda não significa que o petróleo será explorado comercialmente. A medida representa uma etapa inicial para avaliar a viabilidade econômica da extração.

Além disso, a área poderá ser incluída na Oferta Permanente de Concessão (OPC). O mecanismo reúne áreas destinadas à exploração e produção de petróleo e gás natural.

Área ainda precisa passar por novas etapas

Segundo a ANP, os blocos aprovados ainda precisam cumprir outras fases antes de avançar no processo de exploração.

Entre elas, está a emissão de uma Manifestação Conjunta dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente e do Clima (MMA). Também será necessária a realização de uma audiência pública.

Dessa forma, a inclusão da propriedade no bloco não representa, neste momento, autorização para iniciar a produção. A exploração dependerá ainda das etapas previstas no processo.

Agricultor buscava água no sítio

O petróleo foi encontrado em novembro de 2024, quando Sidrônio Moreira decidiu perfurar um poço artesiano na propriedade. O objetivo era buscar água para a família, que enfrentava dificuldades de acesso hídrico.

Para realizar a perfuração, o agricultor utilizou economias acumuladas durante a aposentadoria. Entretanto, em vez de água, encontrou um líquido escuro e espesso.

Depois disso, a família abriu um segundo poço. A nova perfuração ocorreu cerca de 50 metros distante da primeira.

Mais uma vez, surgiu uma substância semelhante ao petróleo. O caso, então, chamou a atenção de pesquisadores do Instituto Federal do Ceará (IFCE), que passaram a acompanhar a situação.

ANP confirmou presença de petróleo

Análises iniciais indicaram que o material era uma mistura de hidrocarbonetos. Além disso, as características eram semelhantes às do petróleo produzido na Bacia Potiguar, região produtora que se estende entre Ceará e Rio Grande do Norte.

Posteriormente, testes físico-químicos realizados pela ANP confirmaram que o líquido encontrado na propriedade era, de fato, petróleo.

Os técnicos da Agência visitaram o local em março de 2026, após a repercussão do caso. Na ocasião, a profundidade do material chamou a atenção dos especialistas.

Isso porque o petróleo foi encontrado a cerca de 40 metros de profundidade, considerada rasa para uma ocorrência desse tipo.

Propriedade privada não dá direito ao subsolo

Embora o petróleo tenha sido encontrado dentro de uma propriedade particular, os recursos minerais existentes no subsolo pertencem à União, conforme a legislação brasileira.

Ainda assim, os proprietários das áreas exploradas podem receber compensações financeiras. O percentual depende de critérios definidos pela ANP.

Além disso, eventual pagamento está relacionado à viabilidade comercial da jazida. Portanto, a inclusão da área no bloco exploratório ainda não garante remuneração ao proprietário.

O próximo passo será cumprir as etapas previstas pela ANP para avaliar a área. Só depois desse processo será possível determinar se existe viabilidade econômica para uma eventual exploração comercial do petróleo encontrado em Tabuleiro do Norte.

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