Ceará recebe ações de projeto de R$ 50,8 mi para preservar corais

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Ceará recebe R$ 50,8 milhões do BNDES para projetos de preservação de corais, dentro de iniciativa que abrange nove estados. (Foto: Envato Elements)

O Ceará está entre os estados beneficiados por dois projetos de conservação de ambientes coralíneos aprovados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As iniciativas somam R$ 50,87 milhões em investimentos e terão ações ao longo de 3 mil quilômetros da costa brasileira, entre o Maranhão e o Espírito Santo.

No Estado, os projetos terão frentes em Jericoacoara e Fortaleza. As ações envolvem monitoramento de ambientes recifais, conservação da biodiversidade, pesquisa, restauração e desenvolvimento de atividades econômicas ligadas ao uso sustentável dos ecossistemas marinhos.

Ao todo, o BNDES aprovou R$ 24,95 milhões em recursos não reembolsáveis para as duas iniciativas. Desse montante, parte será destinada ao projeto “De Manuel Luís a Trindade”, executado pela Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (FEST) em articulação com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, o projeto “A Virada dos Recifes de Coral” terá atuação em Fortaleza.

Jericoacoara entra no monitoramento nacional

Em Jericoacoara, o projeto “De Manuel Luís a Trindade” terá ações no Parque Nacional de Jericoacoara. A iniciativa prevê o mapeamento e a caracterização de ambientes recifais, além do monitoramento da biodiversidade e da avaliação da saúde dos corais.

Para isso, serão utilizadas técnicas como sensoriamento remoto, imageamento, levantamentos de campo e outros métodos de identificação dos ambientes marinhos. Os dados produzidos deverão apoiar ações de gestão e conservação.

O projeto também prevê o desenvolvimento de protocolos para avaliar a saúde dos corais e ampliar o conhecimento sobre áreas ainda pouco estudadas. Dessa forma, as informações poderão orientar decisões de conservação e contribuir para o planejamento do uso desses territórios.

A iniciativa integra o Plano de Ação Nacional para Conservação dos Ambientes Coralíneos (PAN Corais). Ao todo, o projeto da FEST terá investimento de R$ 33,01 milhões, sendo R$ 16,36 milhões provenientes do BNDES e R$ 16,65 milhões em contrapartida do ICMBio.

Fortaleza terá ações para negócios de impacto

Em Fortaleza, o projeto “A Virada dos Recifes de Coral – Traçando um Novo Rumo para a Conservação dos Corais no Brasil” terá uma frente voltada a negócios de impacto relacionados à conservação dos recifes.

Nesse contexto, a iniciativa pretende identificar e fortalecer empresas e empreendimentos que gerem impactos positivos sobre os ecossistemas marinhos. Os negócios selecionados poderão receber capacitação, mentorias, apoio técnico e recursos para desenvolver suas atividades.

No Ceará, essa frente será concentrada nas bacias dos rios Pacoti e Cocó. A estratégia considera a relação entre os ambientes terrestres e marinhos, já que a qualidade da água dos rios pode influenciar diretamente as condições dos ecossistemas costeiros.

Além disso, o projeto prevê ações de educação, comunicação e ciência cidadã. Também estão previstas atividades de formação e iniciativas voltadas à aproximação entre ciência, comunidades e políticas públicas.

A atuação em Fortaleza faz parte de uma estratégia que também contempla a Região Metropolitana de Salvador, na Bahia. Em conjunto, as ações buscam estimular atividades econômicas compatíveis com a conservação dos recifes.

Turismo e conservação entram na mesma agenda

Os dois projetos também relacionam a proteção dos corais ao turismo sustentável. Isso ocorre porque os recifes estão associados a atividades econômicas e à geração de renda em comunidades costeiras.

Ao mesmo tempo, esses ecossistemas estão entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas. O aumento da temperatura dos oceanos, a poluição, a ocupação desordenada da costa, a sobrepesca e o turismo predatório estão entre as pressões que afetam os corais.

Os recifes também exercem funções como proteção da costa, manutenção da biodiversidade e suporte à pesca. Por isso, a conservação desses ambientes tem impacto não apenas ambiental, mas também econômico e social.

“A conservação dos recifes de coral envolve, ao mesmo tempo, proteção da biodiversidade, produção de conhecimento e atividades econômicas ligadas a esses ambientes. Os dois projetos atuam em diferentes pontos da costa e reúnem monitoramento, pesquisa, restauração e ações de uso sustentável”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Investimentos alcançam nove estados

Os projetos terão ações em Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Espírito Santo. Com isso, a iniciativa alcançará diferentes áreas de proteção ambiental e territórios ligados à conservação dos ambientes coralíneos.

No projeto executado pela FEST, estão incluídas 14 unidades de conservação. Entre elas, estão o Parque Nacional de Jericoacoara, no Ceará; a Reserva Biológica do Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte; e unidades de conservação de Fernando de Noronha, Pernambuco, além de áreas no Maranhão, Paraíba, Alagoas, Bahia e Espírito Santo.

Já “A Virada dos Recifes de Coral” terá atuação em Pernambuco, Bahia e Ceará. Além das ações de conservação, o projeto prevê pesquisas, restauração de recifes, desenvolvimento tecnológico, turismo sustentável e apoio a negócios associados à proteção dos ambientes marinhos.

No total, o programa BNDES Corais passa a reunir sete projetos aprovados, com aproximadamente R$ 108,5 milhões em investimentos. Desse valor, cerca de R$ 53,7 milhões correspondem a recursos do BNDES e R$ 54,9 milhões a contrapartidas dos parceiros.

Os dois novos projetos terão prazo previsto de execução de 36 meses. Assim, as ações deverão ampliar o monitoramento e a produção de conhecimento sobre os recifes brasileiros, além de apoiar iniciativas de conservação e atividades econômicas relacionadas ao uso sustentável desses ambientes.

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