Criptomoedas chegam a 29 milhões de brasileiros

bitcoin e criptomoedas
Pesquisa mostra que 17% dos brasileiros já investiram em criptomoedas, enquanto aplicativos de bancos se tornam a principal porta de entrada. (Foto: Magnific)

As criptomoedas deixaram de ocupar apenas um nicho ligado ao mercado de tecnologia e passaram a integrar a carteira de uma parcela maior dos brasileiros. Segundo a 2ª Pesquisa Nacional de Criptomoedas, realizada pela Paradigma Education em parceria com o Datafolha, 17,2% da população já investiu ou possuiu criptoativos, o equivalente a quase 29 milhões de pessoas.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios e mostra que os bancos tradicionais ganharam espaço na distribuição desses ativos. Entre os entrevistados, 83% afirmaram ter utilizado o aplicativo do banco para investir em criptomoedas. Na sequência, aparecem carteiras próprias, com 26%, corretoras de criptoativos, com 20%, e fundos e ETFs, com 18%.

Bancos ampliam acesso aos ativos digitais

A pesquisa foi realizada presencialmente em maio de 2026 e aponta uma mudança no caminho percorrido pelo investidor até o mercado de criptoativos. Nesse cenário, o aplicativo bancário aparece como principal porta de entrada, aproximando os ativos digitais de consumidores que já utilizam serviços financeiros tradicionais.

Além disso, o levantamento mostra que a presença das criptomoedas entre os investidores brasileiros já supera a de alguns produtos financeiros tradicionais. Entre as pessoas que possuem ou já possuíram algum investimento, a poupança lidera, com 57,1%, enquanto as criptomoedas aparecem na quinta posição.

O percentual também supera a participação de títulos públicos, dólar e ouro. Em comparação com ações negociadas em bolsa, a presença das criptomoedas é 2,3 vezes maior, segundo os dados da pesquisa.

Conhecimento sobre criptoativos avança

O aumento da adoção ocorre junto com uma expansão do conhecimento sobre o tema. 66,4% dos brasileiros afirmam saber o que são criptomoedas, alta de 10,1 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.

O Bitcoin continua como o ativo digital mais conhecido, citado por 60,7% dos entrevistados. Ethereum aparece em seguida, com 11,1%, enquanto o Drex, moeda digital em desenvolvimento pelo Banco Central, foi mencionado por 10,3%.

A evolução também alcança grupos com menor escolaridade. Entre brasileiros com Ensino Fundamental completo, o conhecimento sobre criptomoedas avançou 12,1 pontos percentuais, indicando uma disseminação maior do tema para além dos públicos tradicionalmente associados ao mercado financeiro e à tecnologia.

Perfil de renda é mais amplo

Os dados também mostram que o mercado de criptoativos alcança diferentes faixas de renda. Entre as pessoas que já investiram em criptomoedas, 77,6% recebem até três salários mínimos, enquanto 63,5% estão na faixa de até dois salários mínimos.

Por outro lado, o conhecimento ainda representa uma barreira para parte dos potenciais investidores. Entre aqueles que conhecem criptomoedas, mas nunca investiram, 77% consideram a tecnologia complexa. Outros 42% apontam a falta de informação suficiente como um obstáculo.

A intenção de investimento também permanece relevante. 30% dos brasileiros familiarizados com criptomoedas afirmam que pretendem investir nos próximos dois anos. Entre aqueles que já possuem ativos digitais, o percentual sobe para 63%.

Investidores também revisam expectativas

Embora a intenção de investir em criptoativos permaneça, a pesquisa aponta mudanças na percepção sobre os investimentos com maior potencial de retorno no longo prazo.

Entre os brasileiros que conhecem criptomoedas, 43% apontam as ações como o investimento com maior potencial de retorno, enquanto 30% citam a poupança e 24% mencionam as próprias criptomoedas.

O levantamento também identificou diferenças no posicionamento político entre investidores. Entre aqueles que têm ou já tiveram criptoativos, 65,8% consideram importante votar em candidatos ao Congresso que defendam a proteção dos direitos dos usuários desses ativos.

Esse percentual chega a 89,6% entre investidores que fazem autocustódia, ou seja, mantêm diretamente o controle sobre seus próprios criptoativos.

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