A CAIXA passou a reconhecer como formal a renda de trabalhadores de aplicativos de mobilidade e delivery na análise de financiamento imobiliário. Desde julho, o banco aceita extratos de recebimentos fornecidos pelas próprias plataformas como parte da documentação.
Com a mudança, motoristas e entregadores passam a contar com uma nova forma de comprovar seus ganhos. Antes, a CAIXA classificava esses rendimentos como renda informal. Agora, os documentos das plataformas podem integrar a análise de crédito habitacional.
Para o mercado imobiliário, a medida amplia o público potencial de compradores. Isso porque trabalhadores com renda recorrente, mas sem vínculo empregatício tradicional, passam a ter uma alternativa de comprovação aceita pela instituição.
Trabalho por aplicativo ganha espaço
A mudança acompanha o crescimento do trabalho por plataformas digitais no Brasil. Segundo o dado oficial mais recente do IBGE, 1,7 milhão de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos no terceiro trimestre de 2024.
Desse total, 704 mil atuavam com aplicativos de transporte particular de passageiros. Outros 589 mil trabalhavam com plataformas de entrega de comida e produtos. Além disso, o número de trabalhadores de plataformas digitais cresceu 25,4% entre 2022 e 2024.
Esse avanço amplia a relevância desse público para empresas de crédito, construção e incorporação imobiliária. Afinal, parte desses profissionais possui renda recorrente, mas encontra dificuldades para apresentar a documentação exigida pelos modelos tradicionais.
Crédito imobiliário ganha novo público
Na avaliação da CR Duarte, construtora que atua na construção e comercialização de imóveis enquadrados no Minha Casa, Minha Vida, a mudança pode aproximar esses profissionais do financiamento habitacional.
“Existe uma parcela significativa de trabalhadores que possui renda recorrente, tem movimentação financeira todos os meses, mas tinha dificuldade para comprovar esses recursos pelos modelos tradicionais. A mudança da CAIXA cria uma nova possibilidade de análise para esse público e pode colocar muitos desses profissionais no radar de quem busca comprar o primeiro imóvel”, afirma Clausens Duarte, diretor-presidente da CR Duarte.
Na prática, a alteração cria uma nova possibilidade de acesso ao crédito. Entretanto, a comprovação da renda não garante a aprovação do financiamento.
Faixas do Minha Casa Minha Vida mudam
A decisão da CAIXA ocorre após a atualização das faixas de renda do Minha Casa, Minha Vida em 2026. Atualmente, o programa atende famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, incluindo a modalidade voltada à classe média.
Na linha financiada, as famílias podem contratar o crédito diretamente ou por meio de construtoras. Para isso, precisam cumprir as regras do programa e passar pela análise da instituição financeira.
A CAIXA considera renda de até R$ 3.200 para a Faixa 1. Já a Faixa 2 contempla famílias com renda de até R$ 5 mil, enquanto a Faixa 3 atende rendimentos de até R$ 9.600. Por sua vez, a modalidade Classe Média alcança famílias com renda mensal de até R$ 13 mil.
Setor imobiliário pode ampliar estratégias
A combinação entre a nova comprovação de renda e as mudanças no programa habitacional cria oportunidades para construtoras, incorporadoras e empresas ligadas ao crédito.
Nesse contexto, trabalhadores de aplicativos passam a formar um público mais acessível para o financiamento imobiliário. Para as empresas, a mudança também pode exigir novas estratégias comerciais para consumidores com renda variável e documentação financeira diferente daquela apresentada por trabalhadores com carteira assinada.
“O trabalhador de aplicativo pode ter uma renda compatível com a aquisição de um apartamento, mas, até então, a forma de apresentar essa renda podia ser um obstáculo. Agora existe uma documentação específica das plataformas que passa a ser considerada pela CAIXA. Isso não significa aprovação automática do financiamento, mas muda uma etapa importante do processo e pode trazer novos compradores para o mercado”, explica Clausens Duarte.
Por outro lado, a CAIXA mantém os critérios de análise de crédito. A instituição considera a capacidade de pagamento do cliente e outros requisitos da operação. No financiamento habitacional, a parcela pode comprometer até 30% da renda familiar bruta, conforme as condições do contrato.
Assim, a mudança altera a forma de comprovação, mas não elimina as exigências para aprovação. Para o mercado imobiliário, porém, a medida pode incorporar novos perfis de consumidores às estratégias de vendas e financiamento.
Saiba mais:
Mercado imobiliário do Grande Recife acelera e bate recorde histórico de vendas
Quais bairros de Fortaleza estão entre os mais caros do Nordeste?