O passaporte brasileiro figura entre os mais fortes da América Latina, segundo o Global Passport Index 2026, divulgado pela Global Citizen Solutions (GCS). O estudo avalia 199 países com base em critérios como mobilidade internacional, oportunidades de investimento e qualidade de vida.
Atualmente, o Brasil ocupa a 49ª posição no ranking global, com 82,4 pontos em uma escala de 100. Enquanto isso, o Chile lidera entre os países latino-americanos, com 83,1 pontos. Segundo o levantamento, o desempenho brasileiro se apoia na facilidade de viagens internacionais e nos indicadores de qualidade de vida, embora os critérios econômicos ainda limitem uma colocação mais elevada.
Passaporte brasileiro lidera em mobilidade
O principal destaque do documento brasileiro está na mobilidade internacional. De acordo com o estudo, o Brasil alcança 90,7 pontos nesse quesito e ocupa a 43ª posição mundial, registrando a melhor pontuação das Américas.
Entre os fatores que impulsionam esse resultado está a política de reciprocidade diplomática. Além disso, o país ampliou acordos internacionais ao estabelecer isenção mútua de vistos de 30 dias com a China, em maio de 2026. Da mesma forma, o governo passou a permitir, em fevereiro, a entrada sem visto para cidadãos de oito países, incluindo Irlanda, Dinamarca, Hungria, Jamaica, Santa Lúcia e Bahamas.
Mudanças na Europa
Por outro lado, o relatório alerta para a futura implementação do ETIAS na União Europeia. Nesse sentido, brasileiros continuarão dispensados de visto para viagens de curta duração, mas precisarão solicitar uma autorização eletrônica antes do embarque.
Segundo a Global Citizen Solutions, o sistema acrescentará uma etapa de cadastro online e cobrança de taxa para viajantes isentos de visto. Até o momento, a implementação permanece prevista para o fim de 2026.
Qualidade de vida
Na dimensão de qualidade de vida, o Brasil ocupa a 37ª posição mundial, com nota 75. Conforme o levantamento, os indicadores de custo de vida e satisfação pessoal sustentam esse desempenho.
Ao mesmo tempo, o estudo aponta que os índices relacionados ao meio ambiente e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ainda apresentam desempenho mais modesto. Ainda assim, ambos permanecem acima da média registrada na América Latina.
Economia
Embora apresente bom desempenho em mobilidade, o Brasil ocupa apenas a 81ª posição no pilar de investimentos, com nota 43,9. Ainda assim, o país mantém a segunda melhor colocação da América Latina nesse critério, atrás apenas da Guiana.
De acordo com o estudo, o Brasil registra desempenho intermediário no acesso a mercados e apresenta o melhor índice de inovação entre as maiores economias latino-americanas. Por outro lado, a tributação sobre a pessoa física e a renda nacional bruta per capita continuam entre os principais fatores que reduzem a atratividade econômica.
Espaço para crescer
Para Patricia Casaburi, CEO da Global Citizen Solutions, o índice demonstra que o Brasil consolidou sua posição diplomática no cenário internacional.
“A política de reciprocidade garante ao Brasil uma mobilidade robusta, configurando o passaporte como um ativo diplomático consolidado”, diz a executiva.
No entanto, Casaburi afirma que a evolução do Brasil nas próximas edições dependerá de avanços econômicos e ajustes na carga tributária.
“Isso porque o pilar de acesso a destinos internacionais encontra-se próximo do limite de expansão sem a formulação de novos acordos bilaterais estratégicos”, comenta.
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