Durante décadas, o mercado imobiliário associou valor a atributos como metragem, localização e padrão construtivo. Embora esses fatores continuem relevantes, uma nova lógica começa a ganhar espaço entre incorporadores, arquitetos e consumidores. O foco deixa de estar apenas no imóvel e passa a considerar a experiência que ele proporciona no cotidiano.
Nesse contexto, surge o conceito de design residence, modelo que busca integrar arquitetura, urbanismo, funcionalidade e estilo de vida em um mesmo projeto. A proposta já aparece em grandes centros internacionais e começa a ganhar espaço nas discussões sobre o futuro da moradia em Fortaleza.
Para Aristarco Sobreira, engenheiro civil e presidente da A&B Incorporações, a transformação reflete mudanças profundas no comportamento do comprador e na forma como as cidades evoluem. Segundo ele, o mercado passa a valorizar empreendimentos capazes de oferecer identidade, propósito e conexão com a rotina das pessoas.
Design residence e a mudança do mercado
Aristarco explica, em entrevista exclusiva para o Cenários Trends, que o design residence não surge apenas como um novo produto imobiliário. Na visão dele, trata-se de uma forma diferente de conceber empreendimentos desde a origem do projeto.
“O conceito de design residence é um conceito que nós estamos lançando. Não é um conceito que exista ou que esteja difundido.”
Aristarco Sobreira, fundador da A&B Incorporações
Segundo o executivo, a proposta se apoia em quatro pilares: legado, forma, função e experiência. Por essa razão, cada empreendimento precisa responder a uma questão fundamental antes mesmo das definições arquitetônicas.
“Qual é o meu propósito nesse projeto?”
A partir dessa reflexão, o projeto deixa de ser apenas uma solução habitacional e passa a buscar relevância a longo prazo.
“Ele precisa ser um projeto diferenciado, precisa deixar um legado, precisa dizer a que veio”, ressalta.
O novo consumidor
As mudanças também refletem uma transformação no perfil do comprador. Se há alguns anos a busca por grandes áreas privativas dominava o mercado, atualmente fatores ligados ao bem-estar, à mobilidade e à qualidade da experiência ganham importância.
Por isso, empreendimentos localizados em regiões que permitem deslocamentos mais curtos e maior integração com serviços urbanos passam a despertar interesse crescente.
Além da localização, os consumidores buscam projetos capazes de traduzir valores e estilos de vida. Nesse cenário, o imóvel passa a representar mais do que um ativo patrimonial.
Segundo Aristarco, essa mudança aproxima o mercado imobiliário de segmentos como hotelaria, gastronomia e turismo, onde a experiência do usuário se tornou um dos principais fatores de diferenciação.
O futuro das cidades
Ao analisar as tendências dos próximos anos, Aristarco acredita que os projetos mais valorizados serão aqueles capazes de equilibrar estética, funcionalidade e propósito.
Além disso, ele avalia que o conceito não deve permanecer restrito ao mercado de alto padrão. Assim como outras inovações do setor imobiliário, parte das soluções tende a se espalhar para diferentes segmentos ao longo do tempo.
“O que vai prevalecer é uma coisa chamada felicidade.”
Aristarco Sobreira, fundador da A&B Incorporações
Na avaliação do executivo, a moradia do futuro estará cada vez mais associada à qualidade da experiência cotidiana, à conexão com o entorno urbano e à capacidade dos empreendimentos de gerar significado para seus moradores.
Por essa razão, o design residence surge como uma tentativa de responder a uma pergunta que ganha força no mercado imobiliário contemporâneo: não apenas onde as pessoas querem morar, mas como elas desejam viver.
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