Investimentos imobiliários mantêm protagonismo entre investidores de alta renda

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Investimentos imobiliários ganham espaço entre grandes fortunas na América Latina, com destaque para imóveis de luxo. (Foto: Envato Elements)

Os investimentos imobiliários seguem entre as principais estratégias de proteção patrimonial para indivíduos de alto patrimônio líquido na América Latina. Segundo a consultoria imobiliária JLL, ativos como imóveis residenciais de luxo, empreendimentos logísticos, ativos industriais e terrenos com potencial de desenvolvimento concentram a preferência desse público.

Além da preservação de patrimônio, esses ativos oferecem potencial de valorização, geração de renda passiva e maior diversificação geográfica. Nesse contexto, investidores latino-americanos têm direcionado recursos para mercados considerados estratégicos dentro e fora da região.

Investimentos imobiliários

De acordo com Rodrigo Torres, diretor de Consultoria de Pesquisa da JLL, investidores de alta renda priorizam destinos como Panamá e Uruguai na América Latina. No exterior, o interesse se concentra principalmente no sul da Flórida e em Madri.

“Os ativos imobiliários são, historicamente, um meio de proteção do patrimônio em toda a América Latina”, destaca Torres. “No entanto, pessoas com alto patrimônio líquido dão preferência a destinos estratégicos como o Panamá e o Uruguai na região, bem como o sul da Flórida e Madri internacionalmente”.

Segundo o executivo, esses mercados permitem diversificar investimentos em economias com menor correlação em relação aos países onde a riqueza foi gerada.

Demanda estrutural

A JLL aponta que fatores estruturais continuam sustentando o interesse pelo setor em diversos países da região. Entre eles estão o déficit habitacional, o crescimento da classe média urbana, a urbanização das grandes cidades e as mudanças demográficas.

Ao mesmo tempo, o avanço da preferência pelo aluguel entre as novas gerações reforça a demanda por determinados segmentos imobiliários.

Contudo, Rodrigo Torres destaca que investidores passaram a adotar expectativas mais realistas diante dos riscos macroeconômicos, regulatórios e dos prazos necessários para maturação dos projetos.

Logística e escritórios

Entre os investidores institucionais, os ativos logísticos seguem na liderança das preferências. Esse movimento acompanha o crescimento do comércio eletrônico e a necessidade de otimizar operações de distribuição de última milha.

Da mesma forma, escritórios de alto padrão mantêm forte demanda em diversos mercados da região. Em especial, empreendimentos com certificações de sustentabilidade e infraestrutura moderna atraem empresas que buscam espaços mais eficientes.

Segundo a JLL, a redução na construção de novos empreendimentos nos últimos anos limitou a oferta disponível. Como resultado, mercados como Lima e Bogotá registram queda das taxas de vacância e aumento dos aluguéis acima da inflação.

Data centers

Os terrenos destinados ao desenvolvimento de data centers despontam entre os segmentos mais promissores da América Latina. Atualmente, México, Brasil e Chile concentram parte relevante desse movimento.

Por sua vez, Colômbia e Argentina ainda apresentam oportunidades em estágio inicial de desenvolvimento.

Esse interesse acompanha o crescimento da demanda por infraestrutura digital, armazenamento em nuvem e serviços relacionados à inteligência artificial.

Além disso, projetos de uso misto também ganham relevância. Segundo a JLL, esses empreendimentos combinam diferentes fontes de receita e oferecem maior resiliência diante das mudanças nos padrões de consumo e trabalho.

Juros e custos elevados

Apesar do interesse dos investidores, o cenário macroeconômico continua impondo desafios ao setor.

Segundo Torres, a alta dos preços dos terrenos urbanos, dos materiais de construção e dos custos de desenvolvimento reduziu as margens das incorporadoras em diversos mercados.

Além disso, países como Brasil, México e Colômbia ainda convivem com taxas de juros elevadas. Nesse ambiente, o financiamento dos projetos se torna mais caro e parte do capital migra para alternativas financeiras com melhor retorno ajustado ao risco.

Por outro lado, fatores regulatórios também influenciam a atratividade dos mercados. No México, por exemplo, a obtenção de licenças e autorizações pode prolongar significativamente os prazos dos empreendimentos.

Segundo Torres, essa burocracia amplia os riscos dos projetos e afeta diretamente os retornos esperados pelos investidores.

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