Ceará amplia rede de fibra óptica para impulsionar data centers

ceará e fibra óptica
Estudo do Banco Mundial reforça estratégia do Ceará de usar o Cinturão Digital para atrair data centers ao interior do estado. (Foto: Envato Elements)

O projeto da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) para utilizar a malha do Cinturão Digital do Ceará (CDC) na atração de data centers para o interior do estado ganhou respaldo técnico em estudo apresentado na Universidade de Brasília. A iniciativa prevê a ativação de sete pares de fibra óptica para estimular a instalação de estruturas de dados em municípios com geração de energia solar ou eólica.

Além disso, o estudo apresentado por Luciano Charlita de Freitas, especialista sênior do Banco Mundial, aponta que a fibra óptica é o principal fator técnico para viabilizar a interiorização dos data centers. Segundo ele, a infraestrutura garante baixa latência e alta capacidade de tráfego de dados, fatores considerados essenciais para operação de serviços digitais em larga escala.

Data centers dependem de fibra óptica

Durante o evento, Charlita, afirmou que a fibra óptica funciona como a “regra de ouro” para expansão dos data centers no interior.

Segundo o especialista, a ausência dessa infraestrutura inviabiliza o deslocamento dos investimentos para fora dos grandes centros, já que a rede sustenta a capacidade técnica das operações digitais.

Além disso, Charlita destacou que a fibra permite a criação de estruturas de edge computing, modelo que aproxima o processamento de dados do consumidor final.

Com isso, usuários no interior conseguem acessar serviços de inteligência artificial, nuvem e streaming com menor tempo de resposta.

Ceará amplia vantagem em data centers

O estudo também reforça a relevância estratégica do Fortaleza no mercado nacional de infraestrutura digital. Atualmente, a capital cearense recebe 16 cabos submarinos, fator que garante baixa latência para conexão com mercados globais.

Além disso, a estratégia da Etice busca utilizar a estrutura do Cinturão Digital para ampliar a presença de data centers em municípios do interior com disponibilidade de energia renovável.

Segundo o especialista, a combinação entre fibra óptica e energia representa um diferencial competitivo para atração de investimentos.

Redata enfrenta avanço global

Durante a apresentação, Charlita também comentou o cenário do Redata, programa voltado para posicionar o Brasil como hub global de serviços e produtos de dados.

Segundo ele, o debate sobre o programa está “adormecido” diante da atual agenda política do país.

Além disso, o especialista alertou para o avanço de concorrentes internacionais no mercado de nuvem e infraestrutura digital.

“Enquanto o Brasil reduz o ritmo, concorrentes diretos como a Índia têm avançado rapidamente no posicionamento como provedores globais de nuvem”, afirmou.

Data centers aceleram nova economia

O estudo destaca ainda que os dados passaram a ser tratados como commodities por meio do conceito de Unidade de Produção de Dados (DPU).

Nesse cenário, empresas de tecnologia avaliam fatores como custo energético para decidir onde instalar novas operações. Segundo o levantamento, a energia representa o principal custo para funcionamento e resfriamento dos sistemas.

Além disso, o especialista sênior do Banco Mundial, afirmou que o mercado brasileiro de data centers cresce cerca de 20% ao ano.

A projeção apresentada no estudo indica que o faturamento do setor pode alcançar US$ 300 bilhões até 2030.

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