Desponta um novo conceito de moradia no mundo e no Brasil. É o mercado imobiliário do bem-estar (wellness). O modelo ainda é pouco representativo (3,3% da construção anual global), mas está em ritmo de crescimento acelerado. Dados do relatório do Instituto Global de Bem-Estar, referente a 2025, dão conta de que este nicho cresce mais de 15% ao ano, devendo alcançar US$ 1,1 trilhão em 2029 com destaque para a América Latina. A busca por qualidade de vida, saúde, lazer e convivência ganharam peso na hora da decisão da compra.
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No Brasil, candidato a protagonizar esta mudança de comportamento, Santa Catarina desponta como o principal alvo deste tipo de empreendimento, em geral, condomínios horizontais, preferencialmente no litoral, que aliam bom gosto com conveniência. O Ceará, pela extensão de sua costa, começa a oferecer esta nova opção de morar bem, de maneira simples, mas de bom gosto e em total conexão com a natureza.
A pandemia trouxe um novo jeito de morar e transformou a casa em espaço de descanso, trabalho, lazer e convivência, o que impulsionou a busca por empreendimentos para um modelo até então não praticado. São ambientes que contemplam a saúde física, mental e social, o que exige dos planejadores avanços no urbanismo, na arquitetura e na infraestrutura.
Wellness traz mudança estrutural
Para Patriolino Dias de Sousa (foto), presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), o mercado global de bem-estar vem crescendo de forma consistente e já impacta diversos setores, incluindo turismo, alimentação, tecnologia e o mercado imobiliário, que cresce de maneira expressiva a taxas superiores a dois dígitos por ano. “Isso mostra que essa tendência não é passageira, mas uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que passou a valorizar mais saúde, equilíbrio e qualidade de vida”, assegura. Trata-se de um novo padrão de desenvolvimento imobiliário que movimenta a cadeia produtiva da construção civil, estimulando inovação em arquitetura, urbanismo, paisagismo e soluções sustentáveis.

O dirigente do Sinduscon-CE diz que este novo olhar sobre a moradia ampliou o foco até agora na localização, na metragem e nos itens básicos de lazer. “Os projetos orientados ao wellness incorporam uma visão mais ampla de bem-estar”, avalia. Ele defende que tudo tem que começar na concepção do empreendimento, o que inclui planejamento urbanístico com áreas verdes generosas, espaços para caminhada e prática esportiva, integração com a natureza, soluções de ventilação e iluminação natural, além de áreas que estimulem o convívio e o equilíbrio entre trabalho, descanso e lazer.
Por esta razão, os empreendimentos horizontais têm se destacado por oferecerem maior possibilidade de integração com áreas verdes, menor adensamento e mais espaço para infraestrutura de lazer e bem-estar. Patriolino Dias vê potencial de crescimento especialmente nas regiões metropolitanas e em áreas de expansão urbana, onde é possível desenvolver bairros planejados que conciliem moradia, serviços e lazer.
O wellness na construção, segundo ele, é um ativo de maior valorização patrimonial no médio e longo prazo, tanto para moradia como para investimento, por atender a uma demanda crescente por morar melhor, com mais conforto e equilíbrio. Um dos desafios é equilibrar inovação e viabilidade econômica. O outro é evitar que o conceito seja utilizado apenas como estratégia de marketing.
Características wellness:
• Presença de áreas verdes e paisagismo integrado
• Espaços para prática esportiva e atividades ao ar livre
• Infraestrutura para caminhada, ciclismo e mobilidade ativa
• Ambientes com ventilação e iluminação natural
• Áreas de convivência e bem-estar
• Conforto, segurança e qualidade ambiental
Luxo simples
O engenheiro civil George Martins (foto), diretor comercial da Maroa Curadoria Construtiva, vincula a prática de esportes, notadamente o kitesurf, em sua região, como atrativo para o aumento de empreendimentos imobiliários. São projetos mais despojados que privilegiam o conforto e que surgem ao longo do litoral do Ceará reestilizando o setor da construção.

Por conta disto, a Praia do Preá continua registrando novos investimentos e atraindo o interesse de quem vive em grandes centros urbanos, notadamente São Paulo e Minas Gerais, e que busca maior qualidade de vida. “As obras de saneamento e as negociações sobre as possibilidades de voos internacionais darão um enorme impulso ao turismo”, exemplifica.
Para responder às expectativas deste mercado que busca experiências diferentes num conceito de simplicidade com conforto, Martins conta que a indústria da construção incorpora materiais naturais como eucalipto e palha de carnaúba e sistemas que ofereçam conforto.
Além de projetos em andamento em Taíba, Preá e Lagoinha, ele cita o hotel de alto luxo que nascerá do antigo hotel Vila Mango, em fase de demolição, como um bom exemplo de wellness aplicado à construção. Ainda neste semestre, os franceses que adquiriram o prédio deverão definir a empresa vencedora para a edificação do Hotel Vila Mango. Outra obra de altíssimo padrão é o hotel seis estrelas Anantara, que também segue o mesmo conceito do luxo simples.
Bem-estar é prioridade
Para Aristarco Sobreira (foto), presidente da A&B Incorporações, num primeiro momento o wellness remete à segunda moradia, onde lazer e bem-estar estão no topo das prioridades deste mercado em ascensão, cujo tamanho é varável em função das sazonalidades. Este olhar também se aplica, particularmente, à atuação da A&B em seu empreendimento urbano, o Artse Meireles, que já incorpora o conceito um pouco aberto do wellness.

“São obras voltadas a quem busca se desplugar das rotinas e que tem um novo olhar sobre o viver”, explica ele, referindo-se ao conjunto de serviços oferecidos e à disponibilidade de médicos, supermercados e à proximidade de escritórios e de uma academia de ginástica instalada no 14º andar para evitar deslocamentos, assim como uma piscina com 20 metros de raia. Aristarco também destaca o diferencial do lobby que se assemelha à recepção de um hotel com bar, mesas de trabalho e a figura do concierge.

“Esse é o novo luxo que o mercado deseja”, garante Aristarco Sobreira. O conceito da exclusividade em função do reduzido número de unidades é outro diferencial apontado por ele, certo de que viver bem e feliz não é privilégio das classes sociais mais altas. “Qualidade e bom gosto podem estar presentes em projetos mais simples”, garante ele acreditando que o setor viverá um segundo semestre totalmente aderente ao conceito do bem-estar. A propósito, Aristarco Sobreira diz que o Ceará com seus 600 km de costa está muito bem posicionado neste mercado. “Está aí uma tendência a ser seguida”, finaliza.
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