O filme O Agente Secreto, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, está na disputa em cinco categorias: Melhor Filme, Filme Internacional, Diretor, Ator e Elenco. (Foto: Silla Cadengue/Fundarpe)
Recife respira cinema. Vai ser assim até o próximo domingo, dia 15, quando acontece a cerimônia do Oscar, em Los Angeles. Não é para menos. O longa O Agente Secreto, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, está na disputa pela estatueta, o prêmio máximo do cinema mundial. E concorre em cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Filme em Língua Não Inglesa (Filme Internacional), Melhor Diretor, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Escolha de Elenco (categoria estreante).
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Para celebrar esse momento, o Cinema São Luiz, que fica no Centro da capital pernambucana e foi um dos cenários do filme, vai abrir as portas para transmitir a cerimônia ao público, a partir das 19h. E promete ser uma grande festa. Apresentações artísticas serão realizadas na Rua da Aurora, em frente ao cinema. Além disso, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Pernambuco, com apoio da Secretaria de Cultura do Estado, vai montar uma praça de alimentação. Se depender de animação e atrações, a noite do Oscar está garantida.
As indicações de O Agente Secreto representam a afirmação do cinema brasileiro no cenário mundial. Demorou, mas quando o reconhecimento chegou, veio com força. Em 2025, o país viveu também esse clima de festa em torno do Oscar. O filme Ainda Estou Aqui, do diretor Walter Salles, percorreu o mundo, ganhou diversos prêmios em vários países e chegou fortalecido à cerimônia norte-americana. Foi indicado a Melhor Filme (primeiro brasileiro na categoria), Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres, que repetiu o feito da mãe, Fernanda Montenegro, indicada ao mesmo prêmio em 1999 por sua atuação em Central do Brasil.
A obra, adaptação do livro homônimo escrito pelo jornalista Marcelo Rubens Paiva, levou o prêmio de Melhor Filme Internacional, colocando o Brasil na rota das grandes produções cinematográficas.
A obra de Kleber Mendonça Filho também percorreu caminhos vitoriosos em festivais nos quatro cantos do mundo. E, assim como Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto tem como temática um Brasil mergulhado na ditadura. A história conta a saga de Marcelo, que ao voltar para o Recife, tenta encontrar informações sobre sua mãe. Seu desejo é reconstruir sua vida após viver perturbações causadas por um grande magnata envolvido diretamente com o regime ditatorial do país.

Marcelo mergulha na própria história, disfarçado de funcionário de uma repartição pública. Recuperar o passado também é fundamental para reconstruir o laço com seu filho, Fernando, que vive com os avós na capital pernambucana. Mas nada é simples quando se vive vigiado pelos sensores de um regime sórdido, que envia capangas para eliminá-lo.
Kleber Mendonça Filho entrelaça esse drama político com particularidades da cultura pernambucana, como o personagem fictício Perna Cabeluda, os blocos de carnaval desfilando pelas ruas do Recife, os bastidores do histórico Cinema São Luiz e a camisa do bloco Pitombeira, que, com o sucesso do filme, teve suas vendas alavancadas neste ano.
Como um dos temas principais do filme é a memória, vale resgatar que Pernambuco sempre foi um berço importante para o cinema nacional. Nos anos 1920 surgiu o Ciclo do Recife, com uma intensa produção que valorizava a modernização da capital pernambucana. O Retirante (1924) e Aitaré da Serra (1927) são grandes exemplos desse período.
Nos anos 1970, após uma crise quase devastadora na produção, surgiu a fase do Super-8, um período de resistência inspirado no lema glauberiano “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Já nos anos 1990, em meio à efervescência do Movimento Mangue, novas obras ganharam destaque, como o curta That’s a Lero-Lero e o longa Baile Perfumado, que conquistou as telas do Brasil.
Agora, Kleber Mendonça Filho, com obras inquietantes, coloca Recife definitivamente no epicentro do cinema mundial, construindo uma trajetória de sucesso de crítica e público. O Som ao Redor foi sua pedra fundamental. Aquarius e Bacurau pavimentaram o caminho. E, agora, com O Agente Secreto, chega o ladrilho que faltava para consolidar sua brilhante caminhada no cinema.
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