O futuro tecnológico gravita em torno da Inteligência Artificial?

inteligência artificial
Para especialista, a aceleração da inteligência artificial nas empresas brasileiras em 2025 mudou o eixo das discussões sobre tecnologia. (Foto: Envato Elements)

Consolidada, a Inteligência Artificial (IA) continuará avançando nas rotinas das empresas e das pessoas neste ano. Agora, não apenas como uma ferramenta experimental, mas como o núcleo operacional das organizações e da sociedade. O mundo e o Brasil, hiperconectados, entram na era de integração profunda. A Gartner, consultoria especializada em tecnologia, estima que mais de 80% das empresas utilizarão APIs ou modelos de IA generativa em seus ambientes de produção até o próximo ano. Em 2023, este percentual era de apenas 5%.


Quer receber os conteúdos da TRENDS no seu smartphone?
Acesse o nosso canal no Whatsapp e fique bem informado


Os investimentos no desenvolvimento da IA mais avançada estão em alta. Estados Unidos e China operam com orçamentos livres nesta corrida que leva a um admirável mundo novo.

Nova corrida espacial

O professor universitário de Computação, Marcos Monteiro (foto), inclusive, traça um paralelo com a década de 50, quando a disputa era quem chegaria primeiro ao espaço (China) e à Lua (EUA). A corrida, agora, é pelo maior poder de processamento de dados e o uso deles. A IA atualmente está sendo alimentada até mesmo pelos conteúdos das redes sociais para ampliar seu aprendizado ainda mais para a tomada de decisões próprias.

Marcos Monteiro, presidente da Associação Nacional de Peritos em Computação Forense. (Foto: Arquivo pessoal)

Ao anunciar um investimento de R$ 200 bilhões num data center no Ceará, a chinesa TikTok está buscando presença em outros continentes. E ao escolher o Brasil, a Companhia mostra que o país tem capacidade de operar data centers robustos e sabe que terá garantia de fornecimento de energia, água e conexão segura com todos os continentes. Isto porque o Ceará conta com o hub de fibra ótica que o conecta com o mundo e também dispõe de energia abundante de fontes renováveis (sol, vento e hidrogênio verde), além de disponibilidade de água para o resfriamento do pesado sistema de processamento.

“O futuro mais recente é próspero em tecnologias com a acelerada evolução de pesquisas”, vislumbra o Marcos, que também presidente da Associação Nacional de Peritos em Computação Forense. Sua convicção é de que, embora o Brasil não integre a “nova corrida espacial”, pode se beneficiar dela hospedando outros grandes data centers que certamente virão. Para ele, os investimentos em IA atualmente são de enorme relevância e integram as estratégias dos governos.

IA como ferramenta estratégica

O especialista em Tecnologia e Inteligência Artificial, Miguel Andrade (foto), enxerga um 2026 cheio de novidades e concorda que a IA deixa de ser só uma ferramenta de eficiência e assume o papel central da estratégia dos negócios. Nessa condição, os dados são ativos preciosos – no mesmo nível de capital e pessoas – por alimentarem modelos mais precisos, decisões mais rápidas e gerarem vantagem competitiva real. “Empresas que não tiverem esta consciência vão ficar para trás”, alerta.

Miguel Andrade, especialista em Tecnologia e Inteligência Artificial. (Foto: Arquivo pessoal)

A seu ver, a computação avançada entra forte nesse cenário. Serão modelos de arquiteturas mais inteligentes, combinando nuvem híbrida com edge computing, processando dados mais perto de onde eles são gerados, com menores custos e maior segurança. Em setores como indústria, logística, saúde e cidades inteligentes, isso já começa a ser decisivo.

Soberania e segurança da informação

Com mais dados sensíveis circulando, cresce a preocupação sobre onde esses dados estão, quem os controla e quais leis se aplicam, o que impacta diretamente nas decisões de infraestrutura, contratos de nuvem e políticas de governança, especialmente em setores regulados.

Convém lembrar, entretanto, que também os ataques cibernéticos ficam mais sofisticados porque os fraudadores usam as mesmas ferramentas de IA. “Modelos preditivos conseguem identificar padrões anômalos antes que o ataque aconteça, mudando a lógica da segurança de reativa para preventiva”, assegura. Miguel Andrade diz que o desafio não é só tecnológico, mas também regulatório e de maturidade de gestão.

Impactos sociais

Para o especialista, os impactos sociais da tecnologia, especialmente da Inteligência Artificial, ficam mais visíveis a partir de 2026 porque ela deixa de afetar só funções operacionais e passa a influenciar também atividades intelectuais, analíticas e criativas. Ele entende que haverá uma transformação dos perfis profissionais com o desaparecimento, mudança e nascimento de novas funções.

O problema é o ritmo dessa mudança, que costuma ser mais rápido do que a capacidade de requalificação de pessoas, empresas e até do sistema educacional. Para ele, habilidades técnicas seguem importantes, mas ganham muito peso competências como pensamento crítico, capacidade de tomar decisão, criatividade, ética, interpretação de dados e colaboração com sistemas de IA. “O profissional que sabe trabalhar junto com a tecnologia tende a se destacar”, afirma.

Ele não tem dúvidas de que se não houver políticas claras de inclusão, as desigualdades serão ampliadas, um desafio que é dos governos, mas também das empresas que devem oferecer programas internos de capacitação, academias corporativas e aprendizado prático.

E o futuro?

O futuro, no olhar de Miguel Andrade, passa por uma combinação de diferentes soluções tais como redes híbridas, uso maior de edge computing, satélites de baixa órbita einfraestrutura localpara levar conectividade e processamento para áreas onde a rede tradicional não chega com qualidade. “Isso é fundamental para setores como agronegócio, logística, energia e serviços públicos”, ilustra.

Ele também cita o desafio econômico e regulatório a ser vencido. Investir em infraestrutura custa caro. Por isso, políticas públicas, incentivos, parcerias entre governo e iniciativa privada e um marco regulatório mais claro fazem toda a diferença para acelerar esse processo.

Transformação estrutural

Para o diretor de Growth e Tecnologia da Selbetti, Rafael Leopoldo (foto), a aceleração da inteligência artificial nas empresas brasileiras em 2025 mudou o eixo das discussões sobre tecnologia. E enquanto a IA atrai a atenção, outras tecnologias menos visíveis, porém decisivas, avançam em paralelo e preparam terreno para uma transformação estrutural. Ao cruzar dados de tendências já mapeadas pelo Gartner com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, ele vislumbra um novo ciclo de prioridades de maior integração e segurança que devem orientar as decisões de investimento de empresas privadas e órgãos públicos até o fim da década.

Rafael Leopoldo, diretor de Growth e Tecnologia da Selbetti. (Foto: Arquivo pessoal)

Fatores como infraestrutura, regulação, maturidade digital e prioridades setoriais moldam o que, de fato, pode ser escalado localmente. Para ele, das dezenas de possibilidades de novidades, algumas têm aplicação prática e impacto direto sobre os desafios e oportunidades do país nos próximos três anos.

É o caso das Plataformas de desenvolvimento nativas em IA, com linguagem natural, bastante adotadas por startups e empresa de grande porte no país, oferecendo um caminho direto para contornar a escassez de desenvolvedores e acelerar a entrega de soluções digitais. A Automação inteligente de processos (RPA/IPA) ocupa papel de destaque nas estratégias de transformação digital no Brasil por conta da busca por eficiência operacional, pela escassez de mão de obra qualificada e pela pressão por escalabilidade. “Trata-se de sistemas que leem documentos, interpretam comandos em linguagem natural, tomam decisões com base em aprendizado de máquina e executam ações integradas entre plataformas.

Plataformas de segurança para IA + cibersegurança preditiva é outra tendência apontada por Rafael Leopoldo. Em vez de simplesmente detectar e reagir a incidentes após sua ocorrência, as empresas passam a atuar de forma antecipada, utilizando algoritmos de previsão, análise comportamental e automação inteligente para bloquear ameaças antes que causem impacto. Os maiores usuários são os setores financeiro, telecom e varejo.

Cloud computing e soberania de dados é outra tecnologia adotada por 77% das empresas brasileiras que já utilizam serviços em nuvem no dia a dia, e 61% adotam a nuvem como infraestrutura principal, com sistemas, dados e aplicações operando diretamente em ambientes cloud, e não apenas como suporte a servidores locais. No Brasil, a União criou, em setembro, a Nuvem de Governo Soberana, já operada por estatais como Serpro e Dataprev, com data centers localizados no país, já conectando mais de 250 órgãos.

Arquiteturas modernas de dados (Lakehouse + Data Mesh), Análises em tempo real e inteligência de decisões e Modelos de linguagem específicos por domínio (DSLMs) são outras tecnologias presentes.

Para o diretor da Selbetti, houve avanços que preparam o terreno para o próximo salto da digitalização. O Brasil conta com mais de 1500 municípios com cobertura ativa de 5G, cerca de 70% da população tem acesso à nova geração de redes móveis e dispõe de mais de 45 milhões de conexões por fibra ótica. A par de tudo isto, entretanto, é preciso avançar ainda mais em conectividade, especialmente nas áreas rurais e periferias urbanas, porque nenhuma tendência tecnológica se sustenta sem uma infraestrutura de conexão confiável, rápida e distribuída.

A forte presença da IA

Para Caroline Capitani (foto), VP de estratégia e inovação da ilegra, 2026 marca a transição da inteligência artificial de assistentes de chat para uma era de ação autônoma, em que mais do que sugerir, a IA será capaz de negociar e executar tarefas complexas de forma independente. Vencerão as empresas que garantirem a integridade e a rastreabilidade de cada interação.

Igor Coelho (foto), CEO do Grupo Flow, projeta para 2026 que o diferencial competitivo na área de criação ou de uma marca será a profundidade da conexão humana que a IA, por definição, não consegue replicar.

Na avaliação de René Abe (foto), CEO da Tensec Brasil, em 2026, a IA se tornará um espelho corporativo para as decisões sendo usada como meio, não como fim. O algoritmo pode decidir, mas é a empresa que responde.

Saiba mais:

Dia Internacional da Educação: como o ensino superior está se reinventando para a era da Inteligência Artificial

Inteligência Artificial pode injetar US$ 1 tri na América Latina até 2038


Siga a Trends:

Instagram | LinkedIn | Facebook | Telegram | YouTube | Google Notícia

Quer receber os conteúdos da TRENDS no seu smartphone?
Acesse o nosso canal no Whatsapp e fique bem informado

Siga a Trends: