O surgimento do controle remoto de televisão, na década de 50, deu início ao que viria ser o conceito das casas inteligentes, um futuro que já começou, embora ainda nem perto da rotina da família Jetsons, consagrado desenho animado dos anos 60, onde tudo era automatizado.
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Alguns passos já foram dados. Micro-ondas, robôs aspiradores, panelas elétricas, secretárias e babás eletrônicas, fogões por indução, aquecimento antecipado do banho, sistemas de segurança inteligentes, células de luz de presença e as “Alexas”, que atendem ao comando de voz, são alguns exemplos de modernidade envolvendo funcionalidades da vida urbana voltadas à maior comodidade, bem-estar e segurança. Para isso, a infraestrutura tecnológica tem que avançar junto, mesmo em se tratando ainda de um nicho a ser explorado.
Casa hiperpersonalizada
Agora, as casas inteligentes generativas começam a ser hiperpersonalizadas a partir de sistemas que aprendem com o comportamento dos moradores antecipando suas demandas, um fenômeno que tende a avançar com a inteligência artificial. O Voyage Lifestyle Show, evento de design e inovação exclusivo para convidados que aconteceu em Curitiba, em outubro, mostrou um pouco do tanto que virá para o mercado de estilo de vida de alto luxo. Por sua vez, desde a concepção construtiva, a indústria já sinaliza com algumas inovações alinhadas com a casa do futuro.
É o novo luxo chegando. Aquele que deixou de ser sobre o que se vê e passou a ser sobre o que se sente. A SmartLy, empresa do Paraná que foca no futuro generativo, é uma das que aposta neste nicho. Em parceria com a HotFloor Pisos Aquecidos, quer liderar essa transformação no Brasil. Há seis anos no mercado, a empresa soma mais de 19 mil dispositivos instalados em mais de 12 mil ambientes, combinando tecnologia, eficiência e sensibilidade para redefinir o significado de conforto inteligente.
No portfólio consta o termostato inteligente, responsável pelo controle térmico, monitoramento de consumo e ajustes automáticos que criam um ciclo contínuo de eficiência e bem-estar. O fundador das duas empresas, Euclides Ciruelos (foto), sintetiza um novo conceito de habitar que une tecnologia, design e emoção de forma natural e silenciosa, dizendo que “o verdadeiro luxo não é o que brilha, mas o que acolhe e compreende”. Em vez de apenas reagir, a casa agora intui, aprende e responde.

Futuro é generativo
Durante o talk “Inteligência Artificial e o Novo Luxo — Tecnologia, Comportamento e Experiência”, o cientista de dados Marcello Nicolielo (foto) garantiu que o futuro é generativo. Trata-se de um novo paradigma na construção civil, no qual a casa é encarada como uma plataforma viva, guiada por dados e preparada para fazer uma leitura avançada das necessidades dos moradores. “O mundo futuro será generativo e a hiperpersonalização é inevitável porque seremos lidos pela inteligência artificial”, destaca.

Para o cientista de dados, a discussão já não é automação, mas sentimentos. A inteligência artificial generativa e adaptativa não apenas executa tarefas, ela interpreta o invisível: o que inspira, o que acalma, o que energiza, transformando paredes em experiências, tempo em bem-estar e o espaço em espelho da essência.
Robô concierge
Uma experiência inusitada que chega ao mercado imobiliário de alto luxo é o Electra Tower, da Thozen Construtora, em Porto Belo, no litoral catarinense. Em pré-lançamento, o projeto de R$ 170 milhões de Valor Geral de Venda, com 192 apartamentos e ticket médio de R$ 1,8 milhão, combina conveniência – com minimercado, cafeteria e até robôs concierge (foto) – a um sistema exclusivo de segurança por inteligência artificial e arquitetura. Os robôs concierges multifuncionais com IA vão operar tanto na loja conceito do condomínio, para oferecer serviços cotidianos, quanto na entrega automatizada de encomendas e refeições, levando os itens até a porta dos apartamentos.

O sistema de segurança do Electra por IA foi feito com exclusividade para Thozen, pela Wave Tecnhologies, e atua com dupla checagem para reforçar a vigilância humana em vez de substituí-la. Entre algumas das atuações, a tecnologia será responsável por monitorar 24 horas todas as áreas comuns, identificar comportamentos atípicos e aumentar a proteção de ambientes sensíveis, como o playground infantil e piscinas. A inteligência artificial está ainda conectada a uma rede de Internet das Coisas (IoT) que permitirá o monitoramento de consumo de água e gás em tempo real.
“O Electra Towers representa um avanço concreto no uso da tecnologia no setor imobiliário, contando com um ecossistema integrado, no qual a inteligência artificial atua em diferentes frentes, da segurança ao bem-estar, passando pela conveniência e pela eficiência energética”, afirma Magnos Franzen de Souza, presidente da Thozen.
Engenharia pronta
Quem também reforça a tendência de morar com conectividade é Aristarco Sobreira (foto), presidente da A&B Incorporações, que acaba de lançar o empreendimento Artse Meireles com a proposta de transformar o morar em uma experiência estética. Para quem atua no setor desde 2008, agregar inteligência aos projetos é um mercado que ele classificou como “inexorável” e “democrático”, para o qual garantiu que a engenharia nacional está pronta a dar respostas.

Ele traça um paralelo do mercado imobiliário com a indústria automotiva que agrega avanços a serem absorvidos cada vez mais pela sociedade, da mesma forma que a telefonia com os smartphones que alcançam todas as classes sociais. “Nas edificações e casas inteligentes, as pessoas também poderão escolher o grau de sofisticação tecnológica oferecido de acordo com sua condição financeira”, explica.

Aristarco Sobreira sabe, entretanto, que há muito espaço para crescer e que o olhar de futuro dos engenheiros está à frente da infraestrutura tecnológica disponível, mas entende que a cobertura digital brasileira já está alcançando lugares remotos. Da mesma forma, ele está confiante na questão da segurança dos dados. “O mundo passa por uma enorme transformação que exige regras claras e seguras”, comenta, ciente de que a regulação vem na esteira da inovação.
Ainda embrionário
O professor titular do Departamento de Engenharia Estrutural e Construção Civil da Universidade Federal do Ceará (UFC), José de Paula Barros Neto (foto), sabe que o Brasil já vive o conceito de casas conectadas com funcionalidades já incorporadas envolvendo televisões, ar-condicionado e secretárias eletrônicas.

Entretanto, ele acha ainda muito embrionário o uso da internet das coisas aplicada às rotinas das pessoas como o refrigerador interligado com o supermercado ou que, através da captação de dados por sensores, disponibiliza o serviço pelo histórico de uso dos moradores em iniciativas como acender as luzes e aquecer o banho pouco antes da chegada em casa, dentre outras tantas funções a serem exploradas.
Em sua análise, a arquitetura brasileira ainda utiliza mais a tecnologia voltada aos projetos arquitetônicos e construtivos, embora reconheça que “a tendência seja de avanços da inteligência artificial nos lares e esse é um caminho sem volta”.
A seu ver, antes de tudo, será necessário garantir uma eficiente infraestrutura tecnológica para dar sustentação a tamanhas inovações. Entre elas, o professor cita o papel essencial do 5G diante da necessidade de uma banda larga suficientemente eficiente e potente.
Igualmente, ele cita sua preocupação com a vulnerabilidade, o que exige a garantia de segurança cibernética a todo o processo que está em curso, de modo a integrar os vários bancos de dados a serem gerenciados envolvendo não só casas, como também cidades inteligentes, as smart cities.
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