O tarifaço e seus impactos no PIB do Nordeste e seus estados

Rogerio Sobreira fala sobre tarifaço dos EUA
Rogério Sobreira é economista-Chefe do BNB. (Foto: Acervo pessoal)

Diante da imposição da sobretaxa sobre vários produtos brasileiros exportados para os EUA anunciada na Ordem Executiva (OE) do último dia 30 de julho, decidimos examinar, no ETENE, o efeito desta ação sobre as exportações e, por conseguinte, sobre o PIB da Região Nordeste e cada um dos seus estados.


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Os EUA são um destino importante das exportações do Nordeste. No caso da Bahia, do Ceará e do Maranhão, por exemplo, o total exportado ultrapassou, individualmente, a expressiva cifra de US$ 1 bilhão, em relatório divulgado recentemente. Adicionalmente, mostramos que cerca de 73% das exportações da região ficaram de fora da lista de exceções da Ordem Executiva de 30 de julho.

A fim de estimar os impactos da redução esperada nestas exportações por conta da imposição do tarifaço, tomamos por base a elasticidade-preço da demanda de curto prazo pelas exportações brasileiras. Em outras palavras, essa medida de elasticidade-preço informa o quanto a demanda pelas exportações brasileiras se reduz diante do choque de preço decorrente da sobretaxa. O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima que essa elasticidade varia, no curto prazo, entre -0,5 e -0,8. Fizemos, então, a simulação de impacto nas exportações considerando estes dois cenários.

Uma vez calculado o impacto estimado sobre a quantidade exportada pelos estados da Região, simulamos seus efeitos sobre o PIB. Para tanto, assumimos que o multiplicador das exportações brasileiras calculadas a partir da matriz de insumo-produto (MIP) mais recente é de 1,31. Ou seja, para cada dólar a menos de exportação – e o seu valor correspondente em reais – o PIB diminuiria em 1,31 real.

O impacto estimado da imposição das sobretaxas – a da OE do dia 2 de abril e a da OE do dia 30 de julho – sobre o PIB da Região Nordeste no ano de 2025 seria, então, da ordem de -0,08 ponto percentual a -0,13 ponto percentual. Para 2026, o impacto esperado ficaria entre -0,19 ponto percentual e -0,30 ponto percentual. Vale destacar o fato de que o estado do Ceará é o que sofre o maior efeito das sobretaxas, com seu PIB podendo cair até 0,30 ponto percentual em 2025 e nada menos que 0,67 ponto percentual em 2026.

Ainda que pequeno à primeira vista, é importante ressaltar que a queda estimada no PIB dos estados da região decorrente do tarifaço pode ter um efeito final mais amplificado em face ao fato de que vários setores que ficaram de fora da lista de exceções da OE de 30 de julho são intensivos em mão de obra – por exemplo, o setor de fruticultura e de calçados, entre outros – o que pode levar a um aumento na taxa de desocupação e da inadimplência, fazendo com que o efeito final sobre o nível de atividade seja maior do que o impacto de primeira ordem aqui estimado.

*Rogério Sobreira é economista-Chefe do BNB

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