Exportações do agro resistem às tarifas e crescem em 2025

exportações agro brasileira e soja
A tendência é de continuidade no crescimento das exportações em 2025, principalmente em volume, com a expectativa de safra recorde de grãos. (Foto: Envato Elements)

O agronegócio brasileiro encerrou os quatro primeiros meses de 2025 com aumento de 1,6% no faturamento das exportações, mesmo diante de novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos (EUA). Segundo dados do Cepea/Esalq-USP, o setor arrecadou US$ 52,8 bilhões entre janeiro e abril, impulsionado por uma valorização média de 5,3% nos preços em dólar, ainda que o volume embarcado tenha recuado 3,5%.


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A alta de receita foi liderada por produtos com oferta global limitada e demanda consistente, como café e suco de laranja. Carnes, celulose, algodão e óleo de soja também se destacaram, mas com avanço mais expressivo em volume exportado. A resiliência do setor se manteve mesmo com o novo pacote tarifário norte-americano anunciado em abril.

O complexo de carnes liderou o faturamento, com US$ 9,2 bilhões em vendas externas, representando 18% do total do agro. O crescimento foi de 20% na comparação com 2024, com destaque para a carne bovina, cuja maior parte teve como destino a China. Os EUA também mantiveram participação relevante, mesmo após a imposição de tarifas mínimas de 10% sobre os produtos brasileiros.

Em paralelo, o governo dos EUA incluiu aço e alumínio no pacote com alíquotas específicas de 25%. Ainda assim, as exportações brasileiras de carne bovina e suco de laranja continuaram elevadas para o mercado norte-americano, indicando uma manutenção do apetite por produtos agropecuários mesmo com maior custo de importação.

Madeira e algodão ampliam exportações

O setor florestal, que engloba madeira, papel e celulose, gerou US$ 5,7 bilhões no quadrimestre, com crescimento de 9% e representando 11% das exportações do agronegócio. Os Estados Unidos foram o principal destino da madeira, enquanto a China respondeu por quase metade das compras de celulose.

O algodão registrou aumento de 16,5% no volume exportado, apesar da queda de 13% no preço médio da commodity em relação ao mesmo período de 2024. A China seguiu como maior compradora do agronegócio brasileiro, embora com menor participação proporcional, enquanto Europa, EUA, Oriente Médio e Sudeste Asiático ampliaram presença.

Conforme o Cepea, a tendência é de continuidade no crescimento das exportações ao longo de 2025, principalmente em volume, com a expectativa de safra recorde de grãos. Contudo, o cenário internacional exige cautela, devido às incertezas geradas por políticas protecionistas de grandes mercados como os EUA.

Em 2024, o Brasil exportou US$ 164,4 bilhões em produtos do agro, resultado 1,3% inferior ao de 2023. A retração foi puxada por milho e soja, cujos preços e volumes caíram. Por outro lado, café, açúcar, carne bovina e algodão já apresentavam alta no ano passado, movimento que se consolidou em 2025.

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