O JPMorgan elevou para 60% a probabilidade de uma recessão global, de acordo com relatório enviado a clientes na última quinta-feira (3). O alerta considera o impacto econômico das novas tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia anterior.
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As taxas atingem mais de 60 países com déficits comerciais persistentes com os EUA. A medida gerou preocupação nos mercados, com destaque para setores como alimentos, automóveis e eletrodomésticos. O banco estima que os novos impostos aumentem a carga tributária em 22 pontos percentuais, agora equivalente a 2,4% do PIB americano.
Entre os efeitos imediatos, analistas projetam aumento no custo de itens básicos como café e açúcar, além de uma redução no sentimento de negócios nos EUA. O JPMorgan destaca que as cadeias de suprimento global devem ser afetadas, intensificando os riscos de retração econômica ainda neste ano.
Alta de tarifas é a maior desde a Segunda Guerra
O informe classifica o pacote tarifário como o maior aumento de impostos dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial. O documento também adverte para o risco de retaliações comerciais de outros países, o que pode agravar o cenário econômico global.
Entre os parceiros mais afetados estão China, Vietnã, Canadá, México e União Europeia. A nova estrutura tarifária prevê alíquotas de 10% para a UE, 25% para Canadá e México, 46% para o Vietnã e mais de 50% para produtos chineses.
Apesar do tom negativo, o banco vê possibilidade de reversão. O JPMorgan aponta que mudanças nas políticas comerciais ainda podem ser adotadas nas próximas semanas, o que reduziria os efeitos dos embargos.
Fed adota cautela diante de incertezas
O Federal Reserve (Fed) afirmou que precisa de mais dados antes de avaliar o impacto total das medidas. Membros do banco central norte-americano foram surpreendidos pela amplitude das tarifas divulgadas por Trump, que apresentam um modelo de taxação escalonada com base no parceiro comercial.
A nova política deve influenciar diretamente as projeções econômicas do Fed, que monitora os efeitos sobre inflação, crescimento e mercado de trabalho. A instituição ainda não sinalizou mudanças em sua política monetária.
A resposta global às tarifas será determinante para o rumo da economia. O cenário indica maior volatilidade nos mercados e possível desaceleração nas principais economias.
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