As boas práticas orientam a resolução de problemas concretos no meio ambiente por meio do trabalho interdisciplinar e da participação ativa e responsável de cada pessoa na sociedade. (Foto: Envato Elements)

Dia Mundial do Meio Ambiente impulsiona vida sustentável

Por: Sara Café | Em:
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O principal meio das Nações Unidas para sensibilizar pessoas, promover ações e fomentar políticas voltadas à preservação ambiental, o Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado neste domingo, 05 de junho. A campanha tornou-se também uma plataforma vital para estimular progressos nas dimensões ambientais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.


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Com a natureza em modo de emergência, o tema deste ano “Uma Só Terra” destaca a necessidade de se viver de forma sustentável em harmonia com a natureza, promovendo transformações, a partir de políticas públicas e de ações ambientais coletivas rumo a estilos de vida menos poluentes e mais verdes.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente no Brasil (PNUMA) convida organizações e sociedade a participar de celebrações para ampliar as vozes em defesa do planeta. “A campanha defende a mudança ambiental transformadora em escala global e chama a atenção para a ação climática, a ação na natureza e a ação na poluição, ao mesmo tempo em que incentiva a todos e todas a viver de forma sustentável.”

O Governo da Suécia é o anfitrião do Dia Mundial do Meio Ambiente de 2022. O país se destaca pelas preocupações ambientais mais urgentes e apresenta as suas iniciativas e os esforços globais para enfrentar as crises do clima e da natureza.

Uma Só Terra: ações coletivas

A cada ano, o dia 5 de junho se transforma em uma oportunidade de reunir esforços globais para avançar na agenda ambiental, bem como os assuntos mais urgentes que afetam a humanidade. De acordo com o relatório Fazer As Pazes com a Natureza do PNUMA, publicado no início deste ano, transformar os sistemas sociais e econômicos significa melhorar nossa relação com a natureza, compreender seu valor e colocá-la no centro das decisões.

“Em 2022, esperamos ver o mundo superar o pior da pandemia de COVID-19. Mas faremos isso com a consciência de que continuamos enfrentando a tripla crise planetária de mudança climática, perda da natureza e poluição”, afirmou Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA.

Para montar um plano de ação, o Observatório do Clima (OC) criou um questionário com 67 questões para especialistas de 73 organizações climáticas responderem. No dia 19 de maio, a instituição divulgou o primeiro volume de um documento com estratégias para transformar o Brasil em uma potência ambiental.

O estudo Brasil 2045: Construindo uma potência ambiental prioriza ações emergenciais para problemas ambientais de curtíssimo e curto prazo. Após a eleição deste ano, o OC entregará ainda à equipe do novo governo um segundo volume do Brasil 2045, com a lista dos instrumentos jurídicos (como decretos, instruções normativas e portarias) que precisarão ser revogados, bem como sugestões dos novos atos normativos para substituir os revogados.

O OC estima que a humanidade tenha apenas sete anos e meio para solucionar a crise climática. Mesmo diante desse cenário, o documento aponta que o Brasil, o sexto maior emissor desses gases do planeta, tem o potencial de ser a primeira grande economia do mundo a tornar-se negativa na emissão de poluentes. E isso poderia acontecer já em 2045.

A Diretora Executiva da PNUMA, Inger Andersen, destaca que a ação coletiva é que promove uma mudança de pensamento na sociedade. “Embora nossas escolhas individuais de consumo façam a diferença, é a ação coletiva que criará a mudança ambiental transformadora de que precisamos, para que possamos caminhar para uma Terra mais sustentável e justa, onde todos e todas possam florescer.”

Sustentabilidade para redução de danos

Somente em 2020, o Brasil registrou 10.851 km² de desmatamento na região da Amazônia Legal, refletindo um aumento de 7,12% em relação a 2019. As informações são do monitoramento da plataforma Terra Brasilis, vinculada ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No entanto, o Ceará e Santa Catarina foram os únicos estados que não registraram aumento significativo no desmatamento do bioma Mata Atlântica. Mas essa não é uma realidade no restante do país, de acordo com o Atlas da Mata Atlântica, foi de 66% o aumento do desmatamento comparando o período de 2021-2022 a 2019-2020.

Não é de hoje que se discute sobre ações e prazos para que a crise climática mundial seja solucionada. Segundo o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), é preciso reduzir mundialmente as emissões de gases de efeito estufa em 43% até 2030 e zerá-las em 2050, se quisermos manter a temperatura do aquecimento da Terra em 1,5°C.

Segundo a bióloga e membro do Instituto Verdeluz, Liana Queiroz, a data é um convite para lembrar que a viabilidade da sociedade, isto é, se o planeta vai permanecer habitável nos próximos anos, só será possível “dentro de um contexto de preservação dos nossos recursos naturais e de justiça ambiental para todas as pessoas”.

“No cenário de emergências climáticas que estamos vivendo, em que temos poucos anos para reverter os efeitos catastróficos das mudanças climáticas, ações urgentes e expressivas para descarbonizar a economia são, inclusive, uma questão de justiça para as gerações futuras”

Liana Queiroz, bióloga e membro do Instituto Verdeluz.

Para a advogada, ambientalista e ativista climática Beatriz Azevedo é preciso falar sobre políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas e prevenção de desastres. “Um aspecto importantíssimo na luta contra a crise são as políticas públicas de adaptação. O clima já mudou, agora precisamos reduzir os prejuízos e inserir políticas de prevenção de desastres. Precisamos de cidades com suas áreas ambientalmente sensíveis protegidas, pensando nas pessoas e não no lucro.”

O maior desafio será evitar drásticas alterações no clima global atualmente, sendo necessário, assim, “diminuir a demanda por recursos naturais do planeta; realizar uma verdadeira transição energética para as energias renováveis e conter a devastação dos ecossistemas”, defende Liana Queiroz.

Nesse sentido, a educação ambiental tem um papel muito importante na formação de cidadãos mais conscientes. Essas práticas orientam a resolução de problemas concretos no meio ambiente por meio do trabalho interdisciplinar e da participação ativa e responsável de cada pessoa na sociedade.

Como forma de incentivar a educação e participação de todos, entre os dias 06 a 10 de junho, a Prefeitura de Camocim, por meio da Autarquia Municipal do Meio Ambiente – AMA, contará com diversas ações voltadas para a preservação do meio ambiente.

De acordo com Roberto Caracas, diretor da AMA, as atividades da Semana do Meio Ambiente despertam a consciência ecológica. “Teremos uma programação de alto nível. Vamos ter praia limpa, a questão do carbono neutro, painéis de palestras e rodas de conversas, vamos ter a presença da Robinson Crusoe, que é uma das maiores empresas do mundo na fabricação e comercialização de pescados; e ainda uma rodada de negócios sobre agroecologia.”

Além de ser um mecanismo de orientação para os indivíduos frente às questões ambientais, sensibilizando-os para que ajam de forma a garantir a conservação do meio ambiente para um futuro saudável e com práticas sustentáveis, o secretário Artur Bruno, da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), destaca que o Governo do Estado tem priorizado as políticas ambientais nos últimos anos.

“Basta ver que hoje um dos nossos grandes projetos econômicos são as energias renováveis, sobretudo o incentivo à criação de usinas eólicas e fotovoltaicas e também da criação de unidades de conservação. Em 2015, o Estado tinha 24 unidades e nós vamos concluir o governo, no final de 2022, com 41”.

Além disso, o gestor relata que o Ceará tem captado investimentos de grandes multinacionais para o desenvolvimento do hidrogênio verde, o que irá ajudar, ainda mais, no desenvolvimento sustentável da região. Por fim, Artur Bruno pontua que o Governo do Estado busca investir também nas políticas de resíduos sólidos dos municípios, bem como no programa Cientista Chefe, o qual tem realizado inventários da fauna e da flora cearense.

“Isso é importantíssimo para a política de preservação, pois nós vamos saber quais os animais e vegetais que estão ameaçados ou em extinção. Algo fundamental para o licenciamento ambiental e para as políticas específicas de preservação”, conclui.

Hidrogênio Verde

Em fevereiro de 2022, o Ceará deu o pontapé inicial para tornar-se um importante Hub de produção e exportação de Hidrogênio Verde. A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), em parceria com o Governo do Estado e a Universidade Federal do Ceará (UFC) assinaram um memorando de entendimento com a empresa australiana Energyx Energy para a construção de uma usina do combustível no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP).

A tecnologia é baseada na geração de hidrogênio obtido a partir de fontes renováveis, como a energia eólica, solar e offshore, sem a emissão de carbono, é produzida através de eletrólise, sendo prática sustentável e já adotada em vários países do mundo.

Ricardo Cavalcante, Presidente da FIEC, considera o momento histórico para o Ceará, pois a produção do Hidrogênio Verde poderá mudar a indústria, a economia e o perfil socioeconômico cearense. “Toda a base industrial de alguns países já está sendo mudada não só para a produção de energia, mas também para transportes de caminhão, trem, navio e também de avião, já utilizando o Hidrogênio Verde para isso. O Ceará, com toda essa capacidade de geração, poderá sim se tornar um grande produtor mundial de Hidrogênio Verde”, afirmou.

Para Danilo Serpa, Presidente do Complexo do Pecém, o Ceará possui todas as vantagens competitivas para se tornar um grande cluster dessa energia renovável. “A ideia é buscar reduzir a emissão de poluentes com novos investimentos e ampliar as oportunidades de negócios e geração de empregos no Ceará, para assim impulsionar a economia do Estado”, completa o líder do Complexo do Pecém.

Saiba mais:

Hub de Hidrogênio Verde no Ceará promete fortalecer economia e meio ambiente

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