Seja em razão da redução de custos ou por pressão da sociedade por responsabilidade ambiental, a procura de empresas brasileiras por energia vinda de fontes renováveis tem crescido ano após ano. Um dos indicadores dessa tendência é o aumento de transações de certificados de energia renovável (RECs). (Foto: Freepik)

Ceará aposta em energias renováveis

Por: Raul Galhardi | Em:
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Desde 2009, o volume de energia gerado por grandes empresas para consumo próprio dobrou e deverá seguir crescendo com foco principalmente em energias mais sustentáveis. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que a capacidade instalada dos chamados “autoprodutores” cresceu de 12.834 MW, em 2009, para 25.314 MW em 2020. 


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“A principal razão para a decisão de se instalar a geração própria de energia é a possibilidade de redução de custos com energia, um insumo que tem subido muito o preço ano após ano. Além disso, tem também o apelo ambiental e da sustentabilidade. Para os consumidores de menor porte, existe a oportunidade da geração distribuída, através da geração solar, que possui fontes de financiamento adequadas e que praticamente se paga a prestação com a redução”

Joaquim Caldas, coordenador do Núcleo de Energia da FIEC

A geração própria de energia pode se dar de duas formas: através da geração distribuída, modalidade em que o consumidor pode gerar sua própria energia, para quem possui uma capacidade instalada de até 5 MW (consumidores de pequeno porte), ou na chamada geração centralizada, através do Mercado Livre de Energia, que é mais aderente no momento aos consumidores de maior porte (demanda contratada acima de 500 kW). No mercado livre, a empresa contrata diretamente com o produtor de energia, que deve ter uma outorga do governo para funcionar. 

Seja em razão da redução de custos ou por pressão da sociedade por responsabilidade ambiental, a procura de empresas brasileiras por energia vinda de fontes renováveis tem crescido ano após ano. Um dos indicadores dessa tendência é o aumento de transações de certificados de energia renovável (RECs) emitidos por cerca de 200 usinas de biomassa, eólica, hidrelétricas e solares do país.

De janeiro a abril de 2021, cerca de 4 milhões de RECs foram transacionados no Brasil, o mesmo volume comercializado em todo o ano passado. Atualmente, as fontes eólica e solar são consideradas as mais competitivas do mercado, com preço abaixo de R$ 100 o MWh. Nos leilões de 2019, o preço da energia hídrica ficou acima de R$ 158; a biomassa, R$ 187; e a térmica a gás natural, R$ 188.

Energias renováveis no Ceará

De acordo com dados da FIEC, na geração distribuída o Ceará tem no momento 221 MW instalados, sendo 124 MW (56%) em atividades empresariais. Na geração centralizada, 26% da energia consumida no Ceará é suprida através do Mercado Livre de Energia, incluída a autoprodução de energia.

O setor que se destaca no estado na geração distribuída de energia é o setor comercial, com 46% do total instalado. Já no Mercado Livre destaca-se o industrial, com cerca de 70% da energia dessa categoria, principalmente os setores Metalúrgico, de Minerais Não Metálicos e Têxtil.

Segundo a entidade, as fontes de energia mais utilizadas atualmente são a eólica e solar, para consumidores de maior porte, e a geração solar fotovoltaica, para os consumidores de pequeno porte, devido à sua facilidade de instalação, operação e manutenção.

“Apenas na geração distribuída de energia solar, já foram investidos mais de R$ 600 milhões no Estado. Se acrescentarmos a geração própria com geradores diesel, e outras fontes, supera-se a casa de R$ 1 bilhão. No caso da autoprodução de energia para as empresas de maior porte, a geração pode ser no mesmo local do consumo ou em outro local. No segmento do mercado livre de energia, não necessariamente a usina geradora fica instalada no Estado”, diz Caldas.

“Nós que trabalhamos no ramo de energia chamamos o Ceará de ‘Arábia Saudita das energias renováveis’. Nós temos ainda muito espaço para esse tipo de energia. Tem espaço para usinas solares de grande porte no sertão e locais em que a eólica ainda pode ser melhor explorada, como a região da Ibiapaba, e regiões a 30km do litoral que estão sendo estudadas. O Ceará tem um grande potencial de se tornar um estado exportador de energia, mas isso depende muito de políticas públicas de desburocratização”

Hanter Pessoa, diretor de Geração Distribuída do Sindienergia-CE

“Do ponto de vista estratégico do desenvolvimento da matriz elétrica, o aumento da geração renovável e solar está acontecendo por uma procura dos investidores em geração pelos recursos renováveis do Ceará. Eles se sentem confortáveis em desenvolver parques eólicos para eles mesmos, para o mercado livre ou para leilões”

Adão Linhares, secretário executivo de Energia e Telecomunicações da Seinfra (Secretaria de Infraestrutura) 

Para Caldas, o futuro do mercado é muito promissor, já que a geração própria de energia propicia muitos benefícios para a sociedade, pois reduz as perdas de energia no transporte desde a usina até o local de consumo; diminui a necessidade de investimentos na rede de distribuição e de transmissão de energia; propicia redução de custos; e gera sustentabilidade empresarial e ambiental.

“Há um caminho natural em direção aos chamados Recursos Energéticos Distribuídos (RED), pois o consumidor passará a ser protagonista no processo, podendo contribuir decisivamente para a qualidade e suprimento da energia e com a transformação energética, além da maior eletrificação dos processos produtivos, como no setor de transporte. Isso com uso de energias limpas, renováveis e baratas, que temos em abundância no Ceará. Cada um de nós pode contribuir, apoiando esta causa tão nobre e que gerará emprego e renda no estado”, analisa o coordenador da FIEC.

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