A potência operacional de energia solar em usinas de grande porte ultrapassou a marca histórica de 9 gigawatts (GW) no Brasil. O Estado do Ceará responde por cerca de 2,64 GW da geração centralizada e 200 megawatts (MW) da geração distribuída. (Foto: Freepik)

Energia solar: Brasil ultrapassa 9 GW de potência operacional

Por: Anchieta Dantas Jr. | Em:
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A potência operacional de energia solar em usinas de grande porte e pequenos e médios sistemas abrigados em telhados, fachadas e terrenos ultrapassou a marca de 9 gigawatts (GW) no Brasil. É o que aponta o mais novo levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).


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Deste volume, o Estado do Ceará responde por cerca de 2,64 GW da geração centralizada e 200 megawatts (MW) da geração distribuída. Ou seja, um total de aproximadamente 2,84 GW, ou 31,5% da potência operacional de energia solar do país.

De acordo com a entidade, as usinas solares de grande porte são a sétima maior fonte de geração do Brasil, com empreendimentos em operação em nove estados, nas regiões Nordeste, onde, além do Ceará, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, possuem centrais geradoras; Sudeste (Minas Gerais e São Paulo) e Centro-Oeste (Tocantins).

No segmento de geração centralizada, indica a Absolar, o Brasil detém 3,3 GW de potência instalada em usinas solares fotovoltaicas. Em resumo: o equivalente a 1,9% da matriz elétrica do País.

Já no Ceará, conforme levantamento Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado (Sedet), com base nos números de maio de 2021 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Eneel), a representatividade é de cerca de 4,6% da matriz energética do Estado, que é de 4,8 GW, cujas principais fontes ainda é a eólica (50,2%), seguida da térmica (45,2%).

Outro marco importante para o setor: o país acaba de ultrapassar a marca de meio milhão de conexões de geração própria de energia a partir da fonte solar fotovoltaica.

Benefícios da energia solar para a economia

O avanço da energia solar no Brasil, via leilões para grandes usinas ou pela geração própria em residências, pequenos negócios, propriedades rurais e prédios públicos, é fundamental para reduzir o chamado “custo Brasil”, com uma energia elétrica mais competitiva aos brasileiros, reduzindo a ocorrência das bandeiras vermelhas na conta de luz da população e diversificando o suprimento de energia elétrica do país.

Além disso, destaca Jonas Becker, coordenador da Absolar no Ceará, há de se considerar o potencial de geração de empregos que essa fonte de energia traz.

“No Ceará pelo menos 12 mil empregos são gerados pelo setor”

Jonas Becker, coordenador da Absolar no Ceará

Para se ter uma ideia do impacto dessa cadeia produtiva para a geração de emprego e renda, explica Luís Eduardo Barbosa, diretor de Geração Centralizada do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia CE):

“Considerando desde a implantação dos empreendimentos até a geração, cerca de 15 empregos são gerados por MW na geração centralizada e a 30 postos de trabalho por MW na geração distribuída”.

Luís Eduardo Barbosa, diretor de Geração Centralizada do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia CE)

Mais ponto importante a ressaltar, complementa Sérgio Araújo, coordenador de empreendimentos industriais estruturantes da Sedet, é a democratização da geração de energia solar, considerando, notadamente, a geração distribuída. 

“Dos 184 municípios do Ceará, apenas três – Senador Sá, Potengi e Jati – ainda não possuem geração própria em residências, pequenos negócios, propriedades rurais e prédios públicos. Dada a essa capilaridade e a facilidade de crescimento, o avanço da geração de energia solar no Estado é extremamente importante para fortalecer a sua matriz energética, ainda pautada, principalmente, pela energia eólica”

Sérgio Araújo, coordenador de empreendimentos industriais estruturantes da Sedet

“Ao mesmo tempo, vale acrescentar que o futuro de geração de energia solar passa cada vez mais pelo consumidor. Ele mesmo produz a sua energia, sem a necessidade de grandes investimentos, consome e distribui o excedente, se houver, para o Sistema Interligado Nacional (NOS)”, pontua Barbosa, do Sindienergia CE.

Tendo em vista o cenário nacional, aponta o levantamento da Absolar, o Brasil acumula mais de 270 mil postos de trabalho no setor desde 2012. Além do que, essa fonte de energia já trouxe mais de R$ 46 bilhões em investimentos ao país e, nos próximos anos, tem potencial para trazer mais R$ 139 bilhões em novos aportes e gerar um milhão de empregos.

Caminhos para avançar

Essas projeções, afirma a Absolar, se sustentam com a aprovação do marco legal da geração própria de energia renovável proposto pelo Projeto de Lei nº 5.829/2019, em curso na Câmara dos Deputados. “O marco legal deve ser uma prioridade no cenário atual e irá fortalecer o desenvolvimento socioeconômico e sustentável no período de pandemia”, diz a Associação.

Segundo o coordenador da Absolar no Ceará, Jonas Becker, outros incentivos que poderiam aumentar a geração de energia solar em todo o país, seria, no âmbito dos estados e municípios, o estímulo às práticas mais sustentáveis pela população. Nisso, se insere a geração de energias limpas, o que poderia ser alcançado por meio de incentivos fiscais, via redução de ICMS e IPTU.

“Já existem, inclusive, municípios que adotam iniciativas dessa natureza”

Jonas Becker, coordenador da Absolar no Ceará

Além disso, o governo federal deverá continuar estimulando a realização de leilões de energia solar, impulsionando, nesse caso, a geração centralizada; assim como poderia aumentar a faixa de consumidores que podem ter acesso à aquisição de energia no mercado livre.

Reforço à cadeia produtiva no Estado

Para os entrevistados, no que se refere ao avanço do segmento de geração de energia solar centralizada no Ceará, o impulso para atrair novas plantas certamente virá do hub para produção e exportação de hidrogênio verde em implantação no Estado.

Tal combustível é obtido a partir de fontes renováveis. Exemplos: energia solar e eólica, sem a emissão de carbono. Sua produção se dá por meio da eletrólise, sendo uma prática sustentável e já adotada em vários países.

Este método utiliza a corrente elétrica para separar o hidrogênio do oxigênio que existe na água. Se essa eletricidade for obtida de fontes renováveis, então, a energia será produzida sem a emissão de dióxido de carbono na atmosfera.

Segundo Sérgio Araújo, coordenador de empreendimentos industriais estruturantes da Sedet, o projeto segue ganhando corpo. Conforme disse, além da assinatura de um memorando de entendimento do Governo do Ceará com a empresa australiana Energyx Energy para a construção de uma usina de hidrogênio verde no Complexo do Pecém, com aporte estimado de US$ 5,4 bilhões, a Qair Brasil, do grupo francês Qair, iniciou os estudos de viabilidade para construção de mais planta de hidrogênio verde no Ceará.

A expectativa é de que o projeto, que será construído em quatro etapas, de 2023 a 2030, consuma cerca de US$ 3,9 bilhões. Ainda de acordo com ele, o Estado também trabalha no fortalecimento da cadeia produtiva da fonte solar na atração de investimentos para produção de equipamentos para o setor.

Um passo importante foi a assinatura no dia 25 de junho, de um Protocolo de Intenções com a empresa catarinense Renovigi Energia Solar. Lá, ficou estabelecido que a empresa implantará, no Complexo do Pecém, uma montadora de painéis fotovoltaicos para a geração de energia solar.

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