Empresas e instituições públicas do Ceará têm apostado no desenvolvimento de tecnologias para o setor realizando parcerias para a criação de soluções. Entre as diversas ferramentas tecnológicas disponíveis, a inteligência artificial (IA) tem sido alvo de especial interesse na área da saúde. (Foto: Freepik)

Tecnologias de IA na saúde se expandem no Ceará

Por: Raul Galhardi | Em:
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O processo de transformação digital chegou em diversos setores da economia incluindo a área da saúde. Empresas e instituições públicas do Ceará têm apostado no desenvolvimento de tecnologias para o setor realizando parcerias para a criação de soluções.


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Entre as diversas ferramentas tecnológicas disponíveis, a inteligência artificial (IA) tem sido alvo de especial interesse pela sua ampla variedade de aplicações na saúde. Entre as várias possibilidades de uso dela, o relatório Global Artificial Intelligence for Healthcare Applications Market (Inteligência Artificial Global para o Mercado de Aplicativos de Saúde, em tradução livre) relaciona a automatização de rotinas administrativas, a realização de diagnósticos e a predição de possíveis doenças em pacientes.

De acordo com o estudo, o mercado global de soluções de IA no setor aumentará de US$ 1 bilhão em 2017 para mais de US$ 34 bilhões em 2025. Para Haroldo Rodrigues Junior, sócio-fundador da investidora de negócios de impacto IN3 – INTRES, o Ceará vive um ambiente diferenciado para investimentos públicos e privados na área.

“A saúde é gênero de primeira necessidade e a pandemia intensificou a necessidade de fazer novas avaliações e definir o que é prioritário e estratégico. A crise sanitária tem funcionado como um laboratório para validar o uso da tecnologia como uma ferramenta estratégica de acesso a determinados serviços e acelerou transformações que deveriam ocorrer daqui a cinco anos.”

Haroldo Rodrigues Junior, sócio-fundador da IN3

Centro de Referência

A Universidade Federal do Ceará (UFC) foi uma das seis instituições de pesquisa de todo o Brasil selecionadas para a instalação de um Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) em Inteligência Artificial. O Centro de Referência em Inteligência Artificial (Cereia), como será chamado, terá como objetivo desenvolver projetos na área da saúde envolvendo “internet das coisas”, big data e transformação digital voltadas para diagnóstico, prevenção e terapêutica de baixo custo. 

“Foi natural que a UFC se sentisse com condições de participar dessa disputa, pelo seu conhecimento acumulado, pela qualificação do seu corpo docente, pelos seus cursos bem-conceituados de pós-graduação relacionados a esse tema (IA)”.

Rodrigo Porto, pró-reitor adjunto de Pesquisa e Pós-graduação da UFC

O professor diz que a pandemia serviu como motivação para se focar na área de saúde. “Enquanto instituição, vimos a saúde como algo premente e conseguimos uma parceria com um grande grupo sediado aqui no Ceará”.

Uma das condições para a participação no edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) era que houvesse um parceiro que ajudasse no financiamento e que direcionasse o desenvolvimento das aplicações mais práticas que serão desenvolvidas no centro. Por isso, a universidade se uniu à rede de saúde Hapvida, que auxiliará financeiramente e terá acesso aos produtos desenvolvidos pelo Cereia, além do suporte da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

O edital prevê que o consórcio deve garantir um financiamento em torno de R$ 1 milhão por ano ao Cereia ao longo de cinco anos, podendo ser renovado por mais cinco anos ao final desse período. Por se tratar de um projeto de grande porte, a expectativa é que ele envolva pelo menos 50 pesquisadores de diferentes programas de pós-graduação.

“A criação do centro e a parceria com a UFC é uma grande vitória para o estado. Ela simboliza a cristalização de um polo de referência em relação à IA, que é a grande tecnologia do século XXI e que irá transformar a sociedade como fizeram a eletricidade e o motor a combustão”, diz Ney Paranaguá, sócio da Maida.health, empresa do sistema Hapvida.

IA nas empresas

No setor privado, uma organização de saúde que tem investido no uso de inteligência artificial é o Hapvida. De acordo com Barna Eross, VP de Inovação da empresa, a companhia está apostando muito na utilização de IA e Machine Learning nos diagnósticos e na análise de imagens e textos para torná-los mais rápidos.

“Essas tecnologias permitem acelerar os diagnósticos e tratar com segurança casos que não fogem muito do padrão. As decisões mais comuns são tomadas por robôs e isso permite que os médicos foquem nos pacientes e no atendimento, ao invés de perderem tempo com burocracia e administração”. 

Barna Eross, VP de Inovação do Hapvida

Para Rodrigues Junior, o maior ativo do Hapvida são os investimentos na área de TI e o mapeamento de dados dos indivíduos para criar ações preventivas. “A inteligência de dados permite escalar rapidamente os serviços, barateando e dando acesso a planos de saúde para quem não teria como pagar”, explica.

“Nós temos três grandes linhas de atuação com a IA: uma voltada para os processos de regulação e auditoria; outra focada em imagens diagnósticas e uma na linha preditiva”.

Ney Paranaguá, sócio da Maida.health

A primeira trata de autorizações de procedimentos. Nesse campo, quanto menor for o tempo e mais justa for a avaliação, melhor será o efeito geral daquele processo em relação à expectativa dos indivíduos. “A avaliação não pode nem ser restritiva demais, impedindo o acesso à saúde, nem permissiva demais. Por meio da IA conseguimos autorizar quase metade dos procedimentos que são submetidos, o que representa cerca de 200 a 300 mil autorizações por mês de forma muito mais rápida”, diz.

Outro segmento de atuação da tecnologia são as imagens diagnósticas. Segundo o gestor, utilizando a inteligência artificial é possível identificar uma patologia em um raio-X em 36% dos casos. “Esse recurso apoia as nossas equipes para que elas não fiquem sozinhas nas suas observações. Hoje nós conseguimos apontar algumas doenças por meio da IA, como pneumotórax, cardiomegalia e pneumonia”.

O sócio da Maida.health diz que estão melhorando a ferramenta para que ela analise mamografias, tomografias de crânio e ressonâncias magnéticas. “Nós iremos cobrir todas as imagens que são utilizadas com fins diagnósticos. Isso aumenta bastante a qualidade da decisão dos nossos profissionais.”

Por fim, na linha preditiva, está sendo desenvolvida uma inteligência que permitirá predizer a probabilidade de um indivíduo desenvolver problemas como um infarto agudo do miocárdio ou um AVC (acidente vascular cerebral). “Essa linha nos dará as condições de indicar que pessoa deverá ter uma doença dentro de determinado espaço de tempo.”

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