Historicamente, o Ceará compete com Sergipe como o segundo maior produtor de coco do Brasil. Só perde para a Bahia. Em 2020, de acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado (Sedet), a produção de coco em solo cearense alcançou a marca de 400 milhões de frutos, 30% acima do registrado em […]

Cadeia produtiva do coco desponta no Ceará

Por: Anchieta Dantas Jr. | Em:
Tags:

Historicamente, o Ceará compete com Sergipe como o segundo maior produtor de coco do Brasil. Só perde para a Bahia. Em 2020, de acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado (Sedet), a produção de coco em solo cearense alcançou a marca de 400 milhões de frutos, 30% acima do registrado em 2019. Dessa vez, o resultado deixou o Estado na terceira colocação no ranking nacional. Mas, ainda assim, a desenvoltura do Ceará na cocoicultura chama a atenção. A água de coco já está entre os dez principais itens da pauta de exportações do Estado, sendo o quinto produto quando considerado apenas o agronegócio. Ao mesmo tempo, somos o maior exportador da bebida no país. Mas a ideia é não parar por aí. Com a adoção de novas tecnologias, o objetivo é ampliar cada vez mais a cadeia produtiva do coco e os investimentos no Ceará.


Quer receber os conteúdos da TrendsCE no seu smartphone?
Acesse o nosso Whatsapp e dê um oi para a gente.


“A cultura do coco é um dos maiores setores do agronegócio cearense, criando aproximadamente 40 mil empregos diretos na produção, fora os empregos na indústria. Além disso, o coqueiro gera cerca de 200 produtos comercializados, desde a água de coco, vendida in natura e industrializada, passando pelo coco ralado, o óleo de coco, inúmeros produtos de artesanato, produtos para agricultura, principalmente floricultura, até insumos para a indústria automobilística”

Sérgio Baima, analista de Atração de Investimento e Mercado da Sedet

De acordo com ele, uso da tecnologia no campo e na indústria de produtos derivados do coco é cada vez maior, o que é capaz de diversificar e atrair novos negócios para essa cadeia produtiva e, consequentemente, para a economia estadual. “A tendência é a verticalização da produção e da indústria do coco”, avalia. Segundo o analista, no ano que passou, o valor bruto da produção de coco chegou a R$ 212 milhões, oriundos de uma área plantada de 40 mil hectares, majoritariamente no litoral, com destaque para a Costa Oeste do Estado.

Primeiros passos

O alicerce para esse cenário promissor da cadeia produtiva do coco no Ceará vem sendo preparado desde os anos 1990, segundo explica Genésio Vasconcelos, supervisor do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias (SPAT) da Embrapa Agroindústria Tropical, subsidiária da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Ceará.

“Primeiramente é preciso destacar que na cadeia produtiva do coco, temos o coco seco e o coco verde. Dos anos 1970 até o início da década de 1990, predominava a exploração comercial do coco seco no Ceará. Mas a concorrência dos produtores do sudeste asiático e a perda de competitividade do nosso produto fez com que o setor produtivo cearense, representado por entidades como a Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e o Sebrae, procurasse a Embrapa com o objetivo de explorar mais comercialmente o coco verde, especialmente por meio da industrialização da água de coco, o que traria novas oportunidades e daria uma guinada na produção de coco no Estado”, recorda.

Nesse sentido, depois de um período de pesquisa, nos anos 2000, Vasconcelos fala que foi desenvolvida uma máquina para cortar coco automatizada, assim como implementados métodos de processamento e envase da água de coco verde. Desse modo, em paralelo ao coco seco, a produção do coco verde e a sua industrialização passaram a se desenvolver no Ceará. “Mas o maior desafio sempre foi a logística até o consumidor final, mantendo a água de coco apta para consumo, assim como sempre houve uma preocupação com o descarte do resíduo, no caso a casca do coco. O mercado, principalmente o externo, tem interesse apenas na água”, ressalta.

Com o desenvolvimento e a implementação de tecnologias apropriadas para a extração, o envase e a conservação da água de coco, surgiu a primeira água de coco industrializada no Ceará. “Inicialmente a água de coco era acondicionada em copos plásticos, seguindo para a garrafa pet, a lata e, por fim, também utilizando a embalagem cartonada”, relembra o supervisor da Embrapa. O aperfeiçoamento dessas técnicas possibilitou o início do processo de internacionalização da água de coco industrializada, colocando o Ceará no patamar em que hoje se encontra.

“Em síntese, a concorrência do coco seco do mercado asiático, a perda de competitividade do produto brasileiro e o início da exploração comercial do coco verde e sua consequente industrialização foi o que possibilitou o desenvolvimento da cadeia produtiva do coco no Ceará, em especial do coco verde, que se mostrou com grande oportunidade de mercado”

Genésio Vasconcelos, supervisor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias da Embrapa

Assim como as inovações introduzidas na industrialização, Vasconcelos também chama a atenção para o trabalho desenvolvido na ponta, ou seja, no campo, junto ao produtor. De acordo com ele, a Embrapa incentivou novas áreas de plantio, assim como a substituição do pomar, com a plantação do coqueiro anão e do coqueiro híbrido, gerando mais produtividade. “Tanto que, hoje, o Ceará é destaque no Brasil no processo de hibridação do coco”, fala.

Dessa forma, expõe Vasconcelos, foi natural o aumento gradativo da participação do coco verde na cocoicultura cearense. “Segundo números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2003, 64% da produção no Ceará era de coco seco e 36% de coco verde. Dez anos depois, em 2013, o reflexo no campo já era bem evidente, com 50% da produção dividida entre os dois. Ao passo que em 2019, que são os números mais recentes, o quadro se inverteu, com 67% da produção vindo do coco verde e 33% do coco seco. Tudo isso impulsionado pela internacionalização do produto. Ou seja, da água de coco do Ceará”, afirma.

Internacionalização da água de coco

Segundo a gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Karina Frota, o movimento de exportação da água de coco começou há cerca de dez anos. Conforme disse, as adequações e a tecnologia empregada desde a produção do coco até a industrialização da água de coco, assim como os estudos para a promoção comercial do produto no mercado externo e a participação em feiras internacionais criaram as condições para o estágio em que o Ceará atualmente se encontra. “A água de coco precisava chegar ao consumidor dos outros países o mais natural possível em termos de sabor. Foram feitos investimentos em embalagens para maior conservação e todo um estudo foi realizado nessa direção”, lembra.

Além disso, Karina acrescenta que o apelo gerado por um estilo de vida saudável em todo o mundo casou com todo esse processo, o que também viabilizou o aumento das exportações da água de coco do Ceará. “O trabalho de marketing em torno do produto foi muito expressivo, intensificado pelo apelo que começou a crescer em torno do estilo de vida saudável. Desse modo, o trabalho foi feito focado na pureza do produto, no sabor e frescor. Tanto que a água de coco se tornou uma das bebidas mais amadas do verão nos Estados Unidos e na Europa. Hoje, a água de coco cearense está entre os dez produtos mais exportados pelo Ceará, sendo o quinto item mais vendido ao exterior pelo agronegócio”, destaca.

Para ela, a desenvoltura do Ceará nesse mercado é notória. “Mesmo oscilando entre a segunda e a terceira posição entre os produtores de coco no Brasil, o que chama a atenção é o fato de o Estado ser o maior exportador de água de coco do país”, comemora. De acordo com a gerente do CIN, os Estados Unidos foram o grande protagonista e impulsionadores da água de coco cearense no mercado internacional, seguido da Europa, com destaque para a Alemanha e ainda a Holanda, principal hub distribuidor da bebida para o continente europeu.

“No caso da água de coco, o sabor do nosso produto é mais agradável do que o do sudeste asiático. Dessa forma, a qualidade fez com que a água de coco brasileira, e em especial a cearense, obtivesse uma maior competitividade no mercado internacional”, emenda Genésio Vasconcelos da Embrapa Agroindústria Tropical.

“Vale destacar ainda que a água de coco também tem ganho apelo na indústria de cosméticos. Então, ela acaba sendo exportada como matéria-prima para fabricação de outros produtos, tanto para essa indústria como para o preparo de drinques a base de coco”

Karina Frota, gerente do CIN/ Fiec

Ainda de acordo com ela, embora em menor escala, o Ceará também registra a exportação do óleo de coco, do leite de coco e da farinha de coco.

Cadeia produtiva do coco

Ao lado da água de coco, destaca Vasconcelos, a copra, em outras palavras, a polpa do coco verde também tem seu valor econômico, do mesmo modo que a casca. “E a Embrapa desenvolveu tecnologias para o aproveitamento integral do fruto”, fala. Segundo ele, 80% da casca do coco é líquido, resultando em um subproduto denominado Líquido da Casca do Coco verde, o LCCV, rico em potássio, tanino e outros componentes, que pode ser utilizado para a fabricação de biogás ou ser reinserido na atividade agrícola transformado em fertilizantes. Assim como também serve de insumo para vermicidas usados para tratamento de ovinos e caprinos.

Outros 18%, emenda o especialista, são fibra. “A fibra da casca do coco pode ser reutilizada no campo para cobertura morta, ou seja, cobertura vegetal do solo para proteção das plantações e ainda para fabricação de compostos agrícolas. Do mesmo modo, essa fibra serve para construção de mantas naturais para contenção de encostas. Do lado da indústria, a fibra do coco é utilizada pela indústria automotiva na fabricação de estofados e peças para os veículos. Ela também é amplamente usada para produção de bolsas, chapéus, vasos e outros itens”, conta. “Por fim, 2% da casca do coco são pó, o que vai para fabricação de substratos agrícolas”, completa.

A água de coco ainda pode ser comercializada para a indústria de cosméticos e, em pó, principalmente para a uso laboratorial em produtos para a pecuária. Já o coco seco, é utilizado para a produção do óleo, leite, essência e sabão de coco. Para Vasconcelos, apesar de todo esse avanço da cadeia produtiva do coco no Ceará, o setor ainda enfrenta desafios para a sua consolidação.

“De um lado temos a questão hídrica. Do outro, precisamos avançar cada vez mais no processo de conservação da água de coco, o principal produto, fazendo com que ele tenha mais tempo de prateleira sem perder a naturalidade”

Genésio Vasconcelos, supervisor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias da Embrapa

A tradução dos conteúdos é realizada automaticamente pelo Gtranslate.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Top 5: Mais lidas

Cadastre-se em nossa newsletter