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Por: Conteúdo de marca

08/10/2020, 09:54

(ATUALIZADO: 22/10/2020, 17:19)

Trabalho como princípio educativo é trunfo do Estado para qualificar o mercado

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Vínculo entre ensinos profissional e de tempo integral fazem com que Ensino Médio tenha condições de acompanhar evolução nacional já alcançada pela educação básica cearense


A divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) relativo ao ano de 2019, com resultados especialmente expressivos para os primeiros anos da vida estudantil, voltou a premiar os esforços do Estado rumo à consolidação de suas políticas para a educação. O material que a TrendsCE apresenta a seguir indica que o foco passa a ser a evolução do Ensino Médio, que também registrou números promissores no ranking, divulgado em setembro de 2020. Seu aprimoramento, por meio de um vínculo estabelecido na combinação ensino profissionalizante + tempo integral, é a aposta que pode resultar em maior qualificação de nosso capital humano e profissional, algo que interessa, é claro, diretamente ao mercado de trabalho local. 

Na base, o Estado obteve destaque máximo, com o primeiro lugar entre os anos finais do Ensino Fundamental (6º a 9º ano), de acordo com o indicador, arrebatado por nota que superou a meta estipulada pelo Ministério da Educação em 2019 – era de 4,8 e chegou a 5,2. Posicionou-se ainda em um alvissareiro terceiro lugar nas séries iniciais (1º a 5º ano) – neste caso, foi a 6,3, quando eram estipulados 4,6 -, com a melhor evolução entre os estados da Federação. Ademais, o quarto posto no Ensino Médio (e aí está incluso o Ensino Profissional) também aponta para um significativo progresso em andamento. É que se as escolas regulares ficaram com uma nota 4,0, as que funcionam em dois turnos obtiveram a almejada pontuação de 4,5 (meta do Ministério) – ajudando a fechar o resultado geral em 4,4. Além disso, a presença de 21 escolas entre as 100 com melhores resultados nessa faixa no País já exibe uma boa amostra de como os investimentos no conceito de estudo em tempo integral e voltado para o setor produtivo podem render um retorno mais que positivo para a economia em questão. 

Não à toa, a Secretaria da Educação (Seduc) informa que houve uma ampliação, já em 2020, da oferta de matrículas nesse formato. Com as 25 unidades inauguradas no início deste ano, chega a 155 o número de unidades, atendendo 41 mil estudantes matriculados de 71 municípios para contar com atividades em dois turnos diários, as chamadas Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTIs). A elas juntam-se 122 Escolas Estaduais de Educação Profissional (EEEPs) acolhendo 50 mil alunos em 98 cidades. No total, já são 277 (ou 38% do total da rede pública de ensino) equipamentos com uma proposta propedêutica – que prepara para uma especialização posterior.


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Para ajudar a atender às necessidades do mercado, enquanto busca oferecer opções de vida melhor para os jovens mais carentes, são oferecidos pelo Estado, nessa abordagem, 52 cursos profissionalizantes em atuações tão diversas quanto saúde, atividades de escritório, técnico em edificações, técnico em enfermagem e agentes de turismo, entre muitas outras. Há também as disciplinas eletivas nos âmbitos das artes, além de reforço para língua portuguesa e matemática.

Para a coordenadora de Avaliação e Desenvolvimento Escolar da Seduc, Kelem Freitas, a iniciativa tenciona finalmente começar a dissociar a imagem, largamente difundida no senso comum, de que as modalidades profissionalizantes são nada mais que formadoras de “ajudantes”. “Quando a gente fala em cursos da educação profissional em si, não está vinculando isso a mão de obra barata, com aquela visão ultrapassada de ver o jovem adentrando no mercado como massa de trabalho. Pelo contrário, estamos expandindo horizontes e já trazendo para esse estudante que ingressa no Ensino Médio um leque de opções para seguir no curso superior”, explica. 

Assim, envolvidos pela parte transversal do currículo, que conta com disciplinas como Projeto de Vida, Cidadania, Empreendedorismo e Mundo do Trabalho, somadas às matérias componentes das bases comum e técnica, esses meninos e meninas passam a vislumbrar um caminho menos acidentado. São vários estudantes que se formam no Ensino Médio profissional, adquirem a diplomação técnica e, em seguida, ingressam na universidade em cursos com grande afinidade em relação aos que passaram anteriormente. 

Igor Manoel Sousa é um desses garotos. Prestes a completar 20 anos, já está empregado em uma multinacional de atuação no ramo de elevadores, onde iniciou um estágio, em 2018, enquanto completava o Ensino Médio na EEEP Jaime Alencar de Oliveira, do Bairro Luciano Cavalcante, em Fortaleza. Atualmente está matriculado no curso de Engenharia Elétrica na Uni7, graças a sua nota do Enem, que garantiu-lhe uma bolsa 100% financiada pelo Programa Universidade para Todos (ProUni).

“A metodologia da escola profissionalizante põe os alunos desde a adolescência em contato com uma rotina de atividades semelhante às da vida profissional. Isso já nos torna muito mais familiarizados com a realidade e faz com que cheguemos ao mercado melhor preparados, com mais maturidade e a responsabilidade necessária nesse meio, além de aptos a rotinas mais agitadas”, confirma o estudante.

Diretor da Jaime Alencar de Oliveira – ou apenas “Jaime”, para os que a frequentam -, Kamilo Karol Ribeiro é testemunha de boa parte do progresso estudantil de Igor. Ao se posicionar sobre a importância da modalidade que faz a intermediação entre as salas de aula e o mundo profissional, ele filosofa: 

“Esse processo de trajetória faz com que o nome Ensino Médio traduza para o que ele serve: médio significa meio. A gente está aqui num eterno meio do caminho. Não existe aquela expressão ‘fulano terminou os estudos’. Os estudos nunca acabam. E isto faz com que esses meninos e meninas se voltem para a educação de resultados”.

Além dos estudantes que passam a se candidatar a novas trajetórias, ao mesmo tempo, quem tem muito a ganhar com essas melhorias é o setor produtivo. “Estamos trazendo, tanto para o meio acadêmico como para o mercado de trabalho, jovens muito mais capacitados, integrados e, principalmente, já com a opção do que querem seguir. Isso é muito importante, justo porque muitos jovens ingressam no Ensino Superior e acabam desistindo de cursá-lo ainda no primeiro ano”, afirma Kelem Freitas.

A opinião de Ribeiro parece confirmar essa pretensão: “Sempre dou esse testemunho: mais importante do que Português, História, Química, Geografia ou as disciplinas técnicas, sejam de curso que for, é a disciplina de Projeto de Vida, na qual os alunos têm a oportunidade de fazer uma autorreflexão. Na de Mundo do Trabalho, a gente instrumentaliza o trabalho como princípio educativo”.

Três “Cs”

Dados da Seduc apontam que a possibilidade de evasão do estudante da escola em tempo integral é 2,7% menor do que a registrada nas unidades regulares, que é de 4,8%. Tal motivação com as aulas acaba por influenciar, inevitavelmente, também as notas. Nas escolas onde as atividades são estendidas, a taxa de aprovação é superior, com 93,6% versus os 90,8% da modalidade regular. 

Mais interessante ainda é constatar que, conforme a Secretaria, os alunos das camadas socioeconômicas mais baixas têm obtido uma melhor performance nas escolas integrais, o que acaba por gerar um impacto socioeconômico num médio/longo prazo.

Na visão de Maria Julia Azevedo, gerente de implementação de projetos do Instituto Unibanco, que há quase uma década mantém uma parceria com o Governo do Estado na análise e acompanhamento dos projetos, esse sucesso se deve, essencialmente, a um eixo com três fatores: continuidade, coerência e coesão, tanto na educação como na interlocução com outras políticas.

“É a secretaria estadual pensando a educação em conjunto com as secretarias municipais, gerando, portanto, continuidade da política. Fazendo apostas, acompanhando-as, melhorando os programas e projetos, com coerência entre o conjunto das instâncias, do direcionamento do órgão central, alinhado com o Governo na organização regional e nas escolas. E coesão porque isso feito de uma forma que tenha espaço de participação e de decisão em todas as instâncias”, expõe a gestora, citando a importância de ações como o Conexão Seduc, programa instituído para aproximar e formar profissionais de educação e estabelecer canais também com os estudantes durante a pandemia do novo coronavírus.

Envolvimento

De fato, a proposta oriunda de um campo mais sensível e ético tem feito, continuamente, com que não só os estudantes queiram estar na escola, mas também os professores e todo o corpo de profissionais envolvidos nesse processo, como confirma Kelem Freitas. Ela ressalta o constante diálogo entre a pasta e esses trabalhadores da educação como um trunfo de grande relevância, especialmente comprovado durante a pandemia, com a inexorável instituição do ensino remoto.

“Pudemos ver o quanto nossa equipe se mobilizou e se transformou para dar o melhor atendimento aos estudantes. Os professores se enxergam como uma peça extremamente importante na engrenagem do processo de educação no Ceará. Se sentem participantes, são extremamente engajados em um grande processo de busca ativa”, elogia.

O diretor Kamilo Karol acrescenta que esse engajamento, aliado à continuidade no trabalho, tem ajudado a dirimir problemas históricos como evasão e abandono escolar. “A coisa mais triste que pode haver numa escola é ouvir um menino dizendo que quer desistir, e a gente tem que ter as ferramentas necessárias para reconquistá-lo. A tradução desse sentimento que se torna prática se transferiu para os resultados do Ideb”, comenta.

Prova disso é que o envolvimento de quem lidera os processos cativou a atenção do aluno Igor Manoel.  “No início, foi desafiador, a rotina diária e de atividades era mais pesada do que o habitual, mas a escola de onde eu vim também havia me dado um boa base. O que me permitiu, mesmo diante das dificuldades, tirar o máximo proveito do que a (EEEP) Jaime Alencar tinha para me oferecer. Sempre com o apoio não só no sentido educacional, mas também emocional e pessoal de profissionais extraordinários, que tinham ciência de que o ensino ia muito além da sala de aula”, conclui um dos que em breve estará entre os mais novos engenheiros do Estado.  

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