O Ceará busca ampliar a atração de data centers, apoiado pela oferta de energia renovável, pela infraestrutura de fibra óptica e por projetos voltados ao reúso de água. A estratégia ganhou espaço nas discussões sobre os efeitos do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), aprovado pelo Senado.
O tema foi abordado na última quarta-feira (2) durante almoço promovido pela Associação dos Jovens Empresários de Fortaleza (AJE Fortaleza). Na ocasião, o governador Elmano de Freitas, candidato à reeleição, afirmou que o Estado pretende intensificar a busca por novos empreendimentos do setor.
O Ceará já conta com 16 cabos de fibra óptica e uma oferta relevante de geração renovável. Além disso, projetos de reúso de água podem atender parte da demanda industrial associada aos centros de processamento de dados.
Segundo Elmano, esses fatores colocam o Estado em posição de disputar novos investimentos. “Nós temos aqui 16 cabos de fibra ótica e nós temos energia renovável em abundância. Isso é muito importante”, afirmou.
Redata amplia disputa por investimentos
A aprovação do Redata pelo Senado cria incentivos fiscais para empresas de serviços de data center. Além disso, o texto estabelece critérios relacionados à sustentabilidade e prevê mecanismos que podem favorecer investimentos em regiões com menor nível de desenvolvimento.
Nesse contexto, o Nordeste pode ganhar espaço na disputa por novos projetos. O Ceará, por sua vez, busca combinar conectividade, energia e infraestrutura hídrica para melhorar sua posição diante de outros estados.
A disponibilidade de energia renovável representa um dos principais diferenciais. Data centers exigem fornecimento contínuo de eletricidade e, ao mesmo tempo, enfrentam pressão crescente por redução da emissão de carbono.
Além disso, a infraestrutura de conectividade pesa na decisão dos investidores. A presença de cabos submarinos permite reduzir a distância entre os centros de processamento e os principais pontos de conexão da internet global.
Reúso de água entra na estratégia
Outro eixo da estratégia envolve a segurança hídrica. O Ceará enfrenta limitações naturais de disponibilidade de água e, por isso, projetos de reúso podem atender parte das necessidades de empreendimentos de grande consumo.
O governo estadual também trabalha com um projeto de tratamento e reúso de água de esgoto em Fortaleza. A proposta prevê o aproveitamento da água tratada para atividades industriais e pode ampliar a oferta hídrica para novos investimentos.
A estratégia também se conecta ao Porto do Pecém, onde o aproveitamento de água de reúso para atividades industriais aparece entre as alternativas para reduzir a pressão sobre os recursos hídricos.
Para o setor de tecnologia, a disponibilidade de água pode se tornar um fator relevante na escolha de novas localidades. Isso ocorre porque determinadas estruturas de data centers utilizam sistemas de refrigeração que demandam recursos hídricos.
Estado amplia áreas de conservação
Além da agenda de infraestrutura, o governo estadual pretende avançar na regularização das unidades de conservação. Segundo Elmano, o Ceará possui atualmente 46 unidades de conservação, que abrangem mais de 300 mil hectares.
Metade dessas áreas já conta com plano de manejo. A proposta apresentada pelo governador é elaborar os documentos para as unidades que ainda não possuem o instrumento.
“Já temos 50% dessas áreas com plano de manejo. Eu quero fazer o plano de manejo de todas as outras áreas”, afirmou.
O plano de manejo define regras para uso, conservação e gestão das áreas protegidas. Dessa forma, o instrumento também estabelece parâmetros para atividades econômicas compatíveis com a preservação ambiental.
Energia e desenvolvimento econômico
A agenda ambiental também inclui ações relacionadas à expansão das energias renováveis, à educação ambiental e à segurança hídrica.
Entre as iniciativas citadas estão o programa Agente Jovem Ambiental, a usina de dessalinização projetada para Fortaleza e projetos de aproveitamento de água de esgoto para atividades industriais.
Assim, a estratégia combina infraestrutura digital, oferta de energia e gestão dos recursos naturais. Para o Ceará, esses fatores podem pesar na disputa por investimentos em setores como data centers, inteligência artificial e indústria de tecnologia.
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