Reforma tributária: empresas do Ceará fazem as contas para se adaptar

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Fecomércio-CE reúne empresários em Fortaleza para discutir os efeitos da reforma tributária sobre fluxo de caixa, créditos e operações. (Foto: Divulgação/Fecomércio-CE)

A reforma tributária entrou no centro das discussões da Câmara de Tecnologia e Inovação do Sistema Fecomércio no Ceará. A reunião ocorreu nesta semana, na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), em Fortaleza.

O encontro reuniu representantes do setor para avaliar como as mudanças no modelo de tributação sobre o consumo podem afetar as empresas. Além disso, a discussão abordou os ajustes necessários nos sistemas financeiros, fiscais e contábeis usados pelos negócios.

A palestra foi conduzida por Adolfo Ciríaco, sócio-fundador da Conect Negócios e Contabilidade. Também participaram Raniere Medeiros, presidente da Câmara de Tecnologia e Inovação do Sistema Fecomércio, Joel Rodrigues, vice-presidente da Câmara, e Benoni Vieira, vice-presidente da Fecomércio.

Mudanças chegam à operação das empresas

A reforma aprovada em 2023 prevê a substituição gradual de tributos atuais por um novo modelo de cobrança sobre o consumo. Com isso, empresas precisarão adaptar processos para acompanhar novas regras e formas de apuração.

Durante a reunião, os participantes analisaram mecanismos como split payment, apuração assistida de débitos e créditos, aproveitamento de créditos tributários e regimes diferenciados.

Além das questões fiscais, a transição também exige mudanças tecnológicas. As empresas precisarão atualizar sistemas para acompanhar a nova forma de cálculo, registro e aproveitamento dos tributos.

Por isso, o impacto não ficará restrito aos departamentos contábil e fiscal. A mudança também pode alcançar áreas financeiras, comerciais e operacionais.

Fluxo de caixa entra no radar

Um dos pontos discutidos foi o efeito da reforma sobre o fluxo de caixa e o capital de giro das empresas. O resultado pode variar conforme o setor, o regime tributário e a estrutura de cada operação.

Nesse contexto, o momento em que a empresa paga seus fornecedores, recolhe tributos e aproveita créditos pode gerar diferentes efeitos financeiros. Assim, o planejamento de caixa ganha importância durante o período de transição.

Além disso, as empresas precisam avaliar possíveis impactos sobre o financiamento das operações. Um eventual descasamento entre pagamentos e recuperação de créditos pode alterar a necessidade de capital de giro.

Por outro lado, a ampliação das possibilidades de creditamento pode reduzir parte dos efeitos para determinados segmentos. A avaliação, portanto, depende das características de cada atividade.

Indústria pode ampliar aproveitamento de créditos

Para Adolfo Ciríaco, indústria e saúde estão entre os setores que podem encontrar condições mais favoráveis no novo sistema.

“Entre os setores que podem ter menos impacto, acredito que a indústria e a saúde podem até ter benefícios, principalmente pela possibilidade de creditamento de itens que, materialmente, não era possível aproveitar anteriormente”, afirma.

Segundo o especialista, a indústria pode ter uma mudança relevante nesse aspecto. Atualmente, algumas despesas encontram limitações para aproveitamento de créditos em razão das regras aplicadas ao PIS e à Cofins.

Com a transição para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), esse cenário pode mudar. Dessa forma, empresas industriais terão de revisar seus processos para identificar quais créditos poderão aproveitar dentro das novas regras.

Tecnologia ganha espaço na transição

A mudança tributária também aumenta a necessidade de integração entre tecnologia, contabilidade e gestão financeira. Sistemas empresariais terão de acompanhar novas regras de cálculo e registro das operações.

Nesse sentido, a preparação antecipada pode reduzir riscos durante a transição. Empresas que mapearem seus processos e simularem diferentes cenários terão mais informações para ajustar preços, contratos, fluxo de caixa e investimentos.

Ao mesmo tempo, a análise precisa considerar os regimes diferenciados e as particularidades de cada atividade econômica. Não existe, portanto, um único impacto da reforma para todas as empresas.

A Câmara de Tecnologia e Inovação do Sistema Fecomércio pretende manter a discussão dentro da agenda das Câmaras e Conselhos Empresariais (CACE). Os encontros buscam aproximar o setor produtivo de informações sobre mudanças regulatórias e seus efeitos sobre os negócios no Ceará.

Com a implementação gradual do novo sistema, o acompanhamento das regras passa a fazer parte do planejamento empresarial. Para as empresas cearenses, a adaptação envolve não apenas o cumprimento das novas obrigações, mas também a avaliação dos efeitos sobre custos, créditos, caixa e competitividade.

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