A Transnordestina Logística S.A. (TLSA) incorporou 100 novos vagões Hopper HTT à frota utilizada no transporte de grãos e fertilizantes. Fabricadas pela Greenbrier Maxion (GBMX), as unidades receberam investimento de R$ 100 milhões e têm capacidade equivalente à de 357 caminhões graneleiros.
A ampliação ocorre enquanto avança a implantação da Ferrovia Transnordestina entre Eliseu Martins (PI) e o Porto do Pecém (CE). Em julho, o trecho alcançou 82% de execução física. Além disso, um segmento de cerca de 100 quilômetros entre Acopiara e Quixeramobim já realiza testes operacionais.
Frota acompanha avanço da ferrovia
A entrada dos novos vagões amplia a capacidade de movimentação de cargas à medida que a ferrovia avança pelo Nordeste. Além disso, o governo federal anunciou a fabricação de outras 433 unidades do mesmo modelo.
Com isso, a expansão da frota acompanha a expectativa de entrada em operação de novos trechos e amplia a estrutura disponível para o escoamento da produção regional.
O investimento total estimado para o trecho entre Eliseu Martins e Pecém chega a R$ 15 bilhões. Até março de 2026, R$ 9,8 bilhões já haviam sido desembolsados. Nesse contexto, os testes de circulação de cargas indicam uma nova etapa de implantação do projeto.
A operação experimental já envolve produtos como milho, sorgo, gesso agrícola e calcário. Dessa forma, a ferrovia começa a testar na prática sua capacidade de conectar áreas produtoras do interior nordestino ao sistema portuário do Ceará.
Greenbrier amplia produção ferroviária
Os vagões Hopper HTT são produzidos pela Greenbrier Maxion, empresa que tem origem na Fábrica Nacional de Vagões, criada em 1943. Atualmente, a companhia reúne a brasileira Iochpe-Maxion e as norte-americanas The Greenbrier Companies e Amsted Rail.
Desde 2003, a empresa mantém uma linha de montagem de vagões em Hortolândia (SP). Ao longo desse período, ampliou o portfólio e passou a fabricar mais de 30 modelos destinados ao transporte de diferentes cargas.
Além dos vagões, a GBMX produz truques ferroviários e oferece serviços de reforma, adaptação e modernização de material rodante. Entre os modelos desenvolvidos está o Hopper HTT, voltado ao transporte de granéis agrícolas e fertilizantes.
O modelo também integra outras operações ferroviárias no país. Em 2023, a VLI Multimodal encomendou 168 unidades para utilização na Ferrovia Norte-Sul, no corredor que atravessa Tocantins e Maranhão e se conecta ao sistema portuário de São Luís.
Sudene mantém financiamento
O avanço das obras também conta com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Em julho, a Sudene liberou uma segunda parcela de R$ 120 milhões para as obras do trecho entre Piauí e Ceará. Antes desse repasse, R$ 359,7 milhões já haviam sido liberados dentro do cronograma financeiro, elevando o total desembolsado na operação para R$ 479,7 milhões.
A previsão é que o FDNE destine R$ 7,4 bilhões ao empreendimento até 2027. Desse montante, R$ 6,4 bilhões já haviam sido liberados até o repasse mais recente. Além disso, a Sudene contabiliza R$ 800 milhões provenientes do antigo Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor).
Os recursos são direcionados principalmente ao trecho entre Eliseu Martins e o Porto do Pecém, que concentra a maior parte das obras em andamento. Assim, a ampliação da frota ocorre paralelamente ao avanço da infraestrutura e reforça a capacidade logística prevista para o corredor ferroviário.
Logística ganha capacidade de escoamento
Com os 100 vagões já entregues e outras 433 unidades anunciadas, a Transnordestina passa a estruturar uma frota maior para acompanhar a expansão da operação.
Nesse cenário, a ferrovia pode ampliar as alternativas de transporte para produtores e empresas do Nordeste, especialmente nos segmentos de grãos, fertilizantes e outros granéis. Ao mesmo tempo, a conexão com o Porto do Pecém cria uma rota para o acesso da produção regional aos mercados nacionais e internacionais.
A combinação entre infraestrutura ferroviária, material rodante e financiamento representa uma das principais etapas para transformar o trecho entre Piauí e Ceará em um corredor de transporte de cargas.
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