Produtividade cresce e renda acompanha no Brasil, diz BID

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Brasil está entre os poucos países da América Latina onde o aumento da produtividade veio acompanhado de crescimento da renda. (Foto: Envato Elements)

O Brasil está entre os poucos países da América Latina em que o aumento da produtividade dos trabalhadores veio acompanhado de crescimento da renda. A conclusão faz parte de um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), divulgado na última segunda-feira (3), que compara a evolução dos mercados de trabalho da região entre 2000 e 2024.

Segundo o estudo, o país integra um grupo restrito de economias onde os ganhos de produtividade se converteram em aumento real dos salários. Em grande parte da América Latina, porém, esse movimento não ocorreu.

Além disso, o BID destaca que nenhum país da região resolveu os problemas estruturais do mercado de trabalho. Ainda assim, o Brasil aparece entre os casos em que os avanços econômicos chegaram de forma mais consistente aos trabalhadores.

Brasil amplia formalização do mercado de trabalho

O relatório também coloca o Brasil como o quarto país com maior proporção de trabalhadores formais da América Latina. Em 2024, 65% da força de trabalho tinha vínculo formal, percentual superior à média regional, de 46%.

O país fica atrás apenas de Uruguai (79%), Costa Rica (76%) e Chile (72%). Dessa forma, consolida uma das estruturas de emprego mais formalizadas da região.

Por outro lado, o estudo mostra que a informalidade ainda predomina em vários mercados latino-americanos. No Peru, por exemplo, apenas 21% dos trabalhadores têm emprego formal. Na Bolívia, o índice chega a 22%, enquanto Paraguai e Equador registram 26% e 28%, respectivamente.

Além da posição de destaque, o Brasil apresentou uma evolução relevante nas últimas duas décadas. Em 2004, cerca de 50% dos trabalhadores ocupavam empregos formais. Desde então, esse percentual subiu para 65%, um avanço de 15 pontos percentuais.

Embora República Dominicana e Colômbia tenham registrado aumentos proporcionais maiores, o Brasil partia de uma base mais elevada. Segundo o BID, esse resultado reflete, em parte, a consolidação das políticas trabalhistas implementadas ao longo do século XX.

Produtividade não garante aumento da renda

O BID ressalta que elevar a produtividade representa uma condição essencial para aumentar os salários. No entanto, esse fator, sozinho, não garante melhora no padrão de vida.

Para ilustrar esse cenário, o relatório compara diferentes países da região. Enquanto Brasil e Bolívia registraram crescimento simultâneo da produtividade e da renda do trabalho entre 2000 e 2024, Panamá e República Dominicana ampliaram a produção por trabalhador sem registrar avanço equivalente nos salários.

Segundo o banco, esse contraste mostra que os ganhos econômicos nem sempre chegam aos trabalhadores.

“O aumento da produtividade só melhora o padrão de vida quando se traduz em melhores salários”, destaca o relatório.

América Latina ainda enfrenta baixa produtividade

Apesar do desempenho relativamente melhor do Brasil, o BID afirma que a baixa produtividade continua sendo um dos principais desafios da América Latina.

Atualmente, a produtividade da região equivale a cerca de 26% da registrada nos Estados Unidos. Na prática, isso significa que quase quatro trabalhadores latino-americanos produzem o equivalente a um trabalhador norte-americano.

Como consequência, a região enfrenta limitações para crescer de forma sustentável, criar empregos de maior qualidade e elevar a renda da população.

Mercado de trabalho avança lentamente

O relatório também mostra que o mercado de trabalho latino-americano evoluiu de forma gradual nas últimas três décadas. No entanto, esse ritmo perdeu força a partir da metade dos anos 2010.

Nesse período, a renda real média dos trabalhadores cresceu apenas 18%, aproximadamente metade da expansão observada nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Além disso, 46% dos trabalhadores da América Latina continuam atuando como autônomos ou em microempresas, segmentos normalmente associados à baixa produtividade.

Por fim, o BID informa que apenas 28% dos trabalhadores da região ocupam um emprego considerado padrão, ou seja, um vínculo assalariado em empresa privada com cobertura da seguridade social.

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