Pesquisa liga perfil de CEOs ao valor de mercado das empresas

CEOs empresas
Estudo da FGV analisou empresas e concluiu que CEOs com maior apetite ao risco estão associados a melhor desempenho financeiro. (Foto: Magnific)

Um estudo da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) identificou uma relação entre o perfil emocional dos CEOs e o desempenho financeiro das empresas. A pesquisa analisou 79 companhias listadas na B3 e concluiu que executivos que demonstram estresse positivo (eustress) e maior apetite ao risco tendem a liderar empresas com maior valor de mercado.

O levantamento foi publicado na revista GV Executivo em artigo assinado por Alexandre Cristiano Rosaneli. Além disso, o estudo amplia o debate sobre o papel dos fatores comportamentais na gestão corporativa.

Linguagem dos CEOs entrou na análise

Tradicionalmente, investidores avaliam empresas por indicadores financeiros, como lucro, rentabilidade e valor de mercado. No entanto, os pesquisadores adotaram uma abordagem complementar ao investigar a linguagem utilizada pelos principais executivos em comunicações públicas.

Para isso, a equipe analisou mais de 2.400 discursos de CEOs, produzidos ao longo de dez anos. Em seguida, utilizou técnicas de Processamento de Linguagem Natural (NLP) e modelos estatísticos para identificar padrões emocionais relacionados ao estresse, apetite ao risco, aversão ao risco e resiliência.

Estresse positivo aparece associado ao desempenho

Os resultados mostram que empresas comandadas por executivos com sinais de estresse funcional e maior disposição para assumir riscos registraram, em média, maior valor de mercado em relação aos seus ativos.

Por outro lado, o estudo encontrou uma associação entre aversão ao risco e desempenho financeiro inferior. Já a resiliência não apresentou relação estatisticamente significativa na amostra analisada.

Comunicação pode sinalizar estratégia

Segundo o levantamento, a forma como os CEOs se comunicam pode oferecer indícios sobre o posicionamento estratégico das empresas. Dessa forma, a linguagem executiva pode complementar os indicadores financeiros tradicionalmente utilizados pelo mercado.

Além disso, o estudo contribui para o avanço das pesquisas em finanças comportamentais, especialmente em mercados emergentes. Os resultados também podem auxiliar investidores, conselhos de administração e profissionais responsáveis pelo desenvolvimento de lideranças na avaliação do perfil dos executivos.

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