FGV: Plano Safra tem perda real e crédito mais caro

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Estudo da FGV mostra que Plano Safra 2026/27 perde força e reduz recursos para investimentos e amplia o custo do crédito rural. (Foto: Envato Elements)

O Plano Safra 2026/27 terá impacto limitado sobre o agronegócio brasileiro devido ao elevado custo do crédito. A avaliação é do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), que aponta perda real de recursos, cortes em linhas de investimento e riscos para produtores que financiarem projetos de longo prazo.

Segundo o estudo Plano Safra 26/27: Um Plano Limitado Pelos Juros Elevados, o governo anunciou R$ 525,1 bilhões para o crédito rural empresarial. O valor representa alta nominal de 1,7% frente aos R$ 516,2 bilhões da safra anterior. No entanto, ao considerar a inflação medida pelo IGP-DI, o montante registra retração real de 0,8%.

Juros elevados

Para os pesquisadores da FGV Agro, as elevadas taxas de juros reduziram a efetividade das medidas anunciadas. Nesse cenário, o custo do financiamento pesa mais do que o aumento nominal dos recursos disponibilizados.

O estudo destaca que o produtor enfrenta margens cada vez mais apertadas. Por isso, até mesmo linhas subsidiadas podem comprometer a rentabilidade das atividades agrícolas.

Enquanto isso, programas como o Pronamp, com juros de 9% ao ano, e o Moderfrota, com taxa de 12,5% ao ano, continuam impondo custos financeiros relevantes para o setor.

Linhas de investimento registram cortes expressivos

Apesar do aumento nominal dos recursos destinados aos investimentos, o levantamento identifica reduções importantes em programas estratégicos.

Entre os principais cortes estão:

  • Moderfrota: redução de 61% nos recursos para financiamento de máquinas e equipamentos;
  • Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA): queda de 24% no orçamento.

Dessa forma, a capacidade de modernização das propriedades rurais e de ampliação da infraestrutura produtiva tende a diminuir.

FGV alerta para riscos no crédito de longo prazo

O estudo também chama atenção para o risco de contratar financiamentos longos com juros fixos no atual ciclo econômico.

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Segundo a análise, um contrato de cinco anos com taxa de 12,5% ao ano poderá se tornar mais caro do que a própria Selic, caso a taxa básica de juros entre em trajetória de queda nos próximos anos.

Por essa razão, os pesquisadores defendem a adoção de juros flexíveis vinculados à Selic. A medida preservaria a competitividade do crédito rural e reduziria os riscos financeiros para os produtores durante toda a vigência dos contratos.

FGV propõe revisão do modelo de crédito rural

Além de ampliar a previsibilidade para o produtor, a FGV Agro avalia que um modelo de juros atrelado à Selic tornaria o Plano Safra mais eficiente em diferentes ciclos econômicos.

Ao mesmo tempo, a proposta reduziria distorções provocadas por contratos firmados em períodos de juros elevados. Assim, o crédito rural poderia manter seu papel de incentivo ao investimento, à produção e à competitividade do agronegócio brasileiro.

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