A Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE) apresentou, durante a PEC Brasil 2026, um estudo inédito de georreferenciamento voltado à carcinicultura. A ferramenta utiliza imagens de satélite para mapear a produção de camarão no estado e fornecer dados estratégicos para produtores, investidores e gestores públicos.
Com isso, o levantamento busca atender uma demanda antiga do setor por estatísticas mais precisas. Ao mesmo tempo, a iniciativa pretende subsidiar a criação de um censo permanente da atividade no Ceará, fortalecendo o planejamento da cadeia produtiva.
Mapeamento por satélite
O estudo foi apresentado por Pedro Lopes, técnico da SDE, ao lado de Silvio Carlos, secretário executivo do Agronegócio da SDE. Segundo Carlos, o Ceará responde por mais de 50% do camarão consumido no Brasil.
“Esse número cresce a cada ano, por isso é fundamental entender o que está acontecendo no setor. É a atividade agropecuária que gera mais renda por hectare, transformando o sertão do Ceará. Onde antes havia água salobra e não se produzia nada, hoje temos uma região produtora, gerando emprego, renda e desenvolvimento econômico”, afirmou secretário executivo do Agro.
Enquanto isso, Fábio Feijó, secretário da SDE, destacou a importância estratégica da iniciativa para fortalecer a cadeia produtiva e ampliar o desenvolvimento econômico do estado.
Carcinicultura terá dados mais precisos
Até então, o Governo do Ceará e os produtores utilizavam bases de dados com resultados divergentes, provenientes de diferentes instituições. Agora, o novo levantamento reúne informações padronizadas para apoiar políticas públicas e decisões de investimento.
Para isso, a SDE firmou uma cooperação técnica com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
“O estudo mostra com clareza a dinâmica, a expansão e a distribuição espacial das áreas, tornando-se um insumo valioso para as cadeias produtivas”, afirmou Manuel Rodrigues, gerente da área de Meio Ambiente da Funceme.
Carcinicultura soma 2,5 mil produtores mapeados
Mesmo em fase de conclusão, o levantamento já identificou cerca de 2.500 empresas e produtores cadastrados. Além disso, a projeção indica que esse número deverá ultrapassar 3 mil até o encerramento do estudo.
Atualmente, o monitoramento registra 16,9 mil hectares de espelho d’água em atividade e quase 23 mil hectares de área total ocupada. Como diferencial, o sistema cruza essas informações com as bacias hidrográficas, permitindo uma gestão mais eficiente dos recursos hídricos.
Desburocratização
O presidente da Elmo Aguiar, Agência de Defesa Agropecuária do Ceará, afirmou que o mapeamento contribuirá para fortalecer as ações de defesa sanitária.
“Já alinhamos uma reunião imediata entre os técnicos da SDE e a equipe de inspeção da Adagri para traçarmos um caminho que desburocratize a vida do pequeno produtor, ajudando no cadastro e estruturando locais adequados de inspeção sanitária para que o camarão chegue seguro à mesa do consumidor”, declarou Elmo Aguiar.
Carcinicultura contará com plataforma pública
O estudo também dará origem a uma plataforma pública de Business Intelligence (BI), desenvolvida pela SDE. Dessa forma, empresários, produtores e gestores terão acesso a 11 painéis dinâmicos atualizados diariamente.
“O empresário de insumos ou de beneficiamento pode olhar o mapa e descobrir onde estão os maiores conglomerados para instalar sua fábrica. O produtor descobre onde há gargalos logísticos ou áreas livres e seguras para expandir. E o Estado ganha precisão para gerenciar a água e planejar a infraestrutura rodoviária e industrial”, explicou Pedro Lopes, técnico da SDE.
Por fim, a SDE informou que pretende ampliar a cobertura do sistema para os 184 municípios cearenses. Assim, o estado busca utilizar tecnologia, georreferenciamento e análise de dados para apoiar novos investimentos e fortalecer a aquicultura cearense.