A inteligência artificial amplia espaço na indústria cinematográfica. O estúdio A24, responsável por produções premiadas como Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, firmou uma parceria de US$ 75 milhões, cerca de R$ 388 milhões, com o Google para desenvolver tecnologias voltadas à produção de filmes.
O acordo garante à A24 acesso à pesquisa e à infraestrutura da DeepMind, divisão de inteligência artificial do Google. Em contrapartida, a parceria não concede à empresa acesso ao acervo de conteúdos nem aos dados do estúdio.
Produção audiovisual
Segundo Scott Belsky, sócio e líder do departamento de tecnologia da A24, a parceria adota uma abordagem diferente de outros acordos firmados entre estúdios e empresas de tecnologia.
Em entrevista ao The Wall Street Journal, Belsky afirmou que desenvolvedores costumam apresentar a inteligência artificial como uma ferramenta para reduzir custos de produção. Entretanto, a A24 pretende utilizar a tecnologia para ampliar a criatividade e apoiar etapas do desenvolvimento dos filmes.
Entre as aplicações previstas estão a criação de storyboards, sequências de imagens utilizadas para planejar cenas antes das gravações, sempre com acompanhamento de produtores de cinema.
“Nós acreditamos que avanços acontecem quando a tecnologia alcança as mãos das melhores mentes naquela área”, afirmou Eli Collins, vice-presidente de produtos da DeepMind.
Debate em Hollywood
Ao mesmo tempo, a expansão da inteligência artificial continua dividindo opiniões na indústria audiovisual. Nos últimos anos, estúdios processaram empresas de IA por supostas violações de direitos autorais e pelo uso indevido de imagens em treinamentos de modelos.
Além disso, o uso da tecnologia em produções indicadas ao Oscar também provocou debates. Em 2025, filmes como Emilia Pérez e O Brutalista, distribuído pela A24, utilizaram ferramentas de IA em partes da produção, o que gerou questionamentos sobre a legitimidade das indicações.
Diante desse cenário, a Academia atualizou as regras para a edição de 2026. A partir de agora, apenas atuações e roteiros produzidos por humanos poderão concorrer às categorias correspondentes.
Por outro lado, a entidade manteve a possibilidade de utilização da inteligência artificial em outras etapas da produção. “A academia e cada segmento vai julgar cada caso, levando em consideração o nível de atuação humana na autoria criativa na hora da escolha de qual filme premiar”, declarou a instituição.
IA no cinema acelera investimentos das Big Techs
Enquanto o debate regulatório avança, empresas de tecnologia ampliam investimentos no setor de entretenimento.
Recentemente, a Netflix adquiriu uma startup de inteligência artificial fundada por Ben Affleck para desenvolver soluções capazes de ajustar cenas sem necessidade de refilmagens.
Da mesma forma, a Disney também chegou a estabelecer uma parceria com a OpenAI. Segundo o texto de referência, a colaboração terminou após o encerramento da ferramenta de vídeos Sora.
A parceria entre Google e A24 reforça esse movimento e indica que a inteligência artificial deve ganhar espaço crescente nas diferentes etapas da produção audiovisual.
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