O mercado de multifamily, modelo de edifícios residenciais destinados exclusivamente à locação profissionalizada, avança no Brasil e começa a entrar em uma nova fase de desenvolvimento. Embora ainda represente uma parcela reduzida do mercado de aluguel, o segmento atrai investidores nacionais e internacionais.
Segundo dados da consultoria Newmark, o setor movimentou R$ 1,1 bilhão em 2025 e reúne cerca de 14 mil unidades em operação no país. Além disso, a expectativa é de crescimento superior a 30% nos próximos anos, impulsionado por novos investimentos e pela expansão de grandes operadores.
Multifamily ganha escala
Entre os principais movimentos do setor está o anúncio de um investimento de R$ 5 bilhões da Greystar, em parceria com a Cyrela e o fundo canadense CPPIB. O projeto prevê a construção de 40 edifícios multifamily até 2029.
Atualmente, empresas como Greystar, Brookfield, Vila 11 e JFL lideram esse mercado no Brasil. Ainda assim, o multifamily representa menos de 0,1% dos contratos de locação residencial do país, de acordo com levantamento do GRI Institute.
Juros elevados
Apesar da demanda crescente, os juros elevados continuam entre os principais obstáculos para a expansão do segmento. A taxa Selic em patamar de dois dígitos encarece o capital necessário para desenvolver novos empreendimentos e reduz a oferta de imóveis destinados exclusivamente à locação.
Para André Lucarelli, vice-presidente sênior de investimentos da Brookfield no Brasil, o mercado teria capacidade de crescer muito mais em um cenário macroeconômico diferente.
“O mercado de multifamily no Brasil poderia ser até cinco vezes maior se tivesse juros mais baixos.”
Segundo o executivo, a demanda já existe, mas a oferta ainda não acompanha esse movimento.
“A demanda está ali. O que falta para a gente é oferta.”
Multifamily atrai investidores
Mesmo diante do cenário de juros elevados, investidores continuam ampliando sua atuação no segmento. Ricardo Laham, líder da Vila 11, avalia que o mercado residencial apresenta fundamentos sólidos por atender uma necessidade permanente.
“Existe um interesse crescente no setor porque as pessoas estão entendendo mais os fundamentos do real estate de necessidade. O residencial é a prova de ciclos porque as pessoas precisam morar.”
Ao mesmo tempo, Lucas Cardozo, diretor de operações da JFL, acredita que o ambiente econômico atual cria oportunidades para empresas capitalizadas adquirirem projetos em estágio avançado de desenvolvimento.
“Vislumbramos boas oportunidades ao longo do ano de 2026 para aquisições de projetos que estão num ciclo de investimento mais avançado e estão em bons endereços.”
Multifamily amplia modelos de negócio
Enquanto o mercado amadurece, as empresas também diversificam suas estratégias comerciais. A JFL, por exemplo, ampliou a atuação no segmento B2B para atender empresas interessadas em locar diversas unidades residenciais para executivos.
Segundo Cardozo, essa frente já responde por metade das locações da companhia e tende a ganhar ainda mais espaço.
“É uma estratégia que parece ter ainda mais espaço dentro desse mercado, e é onde investimos mais energia procurando novos ativos e oportunidades.”
Embora ainda represente uma pequena parcela do mercado brasileiro de aluguel, o multifamily reúne investimentos bilionários, amplia sua profissionalização e desperta o interesse de investidores que enxergam potencial de crescimento de longo prazo no setor residencial.
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