Reconhecida pela sua riqueza e diversidade, a gastronomia do Nordeste brasileiro avança cada vez mais para uma culinária de alto padrão, sem perder a identidade cultural regional. O fato encontra explicação na sua origem que mistura heranças indígenas, africanas e europeias. A presença de vários biomas também contribuiu para que holandeses, ingleses e franceses levassem suas caçarolas e colheres para a criação de novos pratos na região.
O milagre da transformação do rústico ao refinado começa pela infindável lista de ingredientes à disposição dos chefs, a começar pelas raízes como inhame e macaxeira, o feijão de corda, a carne de sol, os peixes e frutos do mar. Com a adição dos temperos guardados a sete chaves, os chefs apresentam um vasto cardápio dando grife aos clássicos pratos como baião de dois, cuscuz, moquecas e bobós.
Azulli di Mare
É o caso do Ceará, onde a alta gastronomia está mais concentrada na capital, que reúne premiados restaurantes onde não faltam patrimônios afetivos e culturais gastronômicos: a Peixada Cearense, o Arroz de Mariscos, o Caranguejo e a Panelada. Que o diga o Chef Lúcio Figueiredo (foto), que comanda o fogão do Azulli di Mare, restaurante de alta gastronomia mediterrânea especializado em frutos do mar. Localizado no bairro Varjota, que reúne a alta gastronomia de Fortaleza, o restaurante do Chef Lúcio é famoso pela criação de pratos autorais a partir de ingredientes frescos.

O que levou para a alta cozinha nordestina um mineiro que saiu de sua terra aos 17 anos para atuar no mercado financeiro paulista por 20 anos? A pergunta encontra resposta na figura inspiradora do chef macedônio Vicente Bojovski, originalmente jornalista e artista plástico. Cozinheiro na França, veio para o Brasil (Espírito Santo) e virou chef do Restaurante Guaramare, eleito o melhor em pescados pelo Guia Quatro Rodas por 20 anos, onde expunha seus quadros.
“Com ele aprendi sobre a cozinha mediterrânea”, diz Lúcio Figueiredo, acrescentando os valiosos ensinamentos da avó Helena Hijino sobre a cozinha mineira. Agradecido ao mestre, ele repetiu sua trajetória de sucesso ao ser reconhecido, em 2007, como “Restaurante Revelação do Nordeste”, também pelo Guia Quatro Rodas, ainda com o nome de Vojnilô (inspirado do nome de Vicente Bojovski). E dele derivou, em 2021, o Azulli di Mare.
Desde então, o espaço ganha adeptos da boa cozinha mediterrânea. Para o chef Lúcio, ao longo de 25 anos no Ceará, ele só vê avanços na gastronomia, com a oferta de bons restaurantes de cearenses que moraram no centro do país e retornaram ao estado, e também de estrangeiros que trouxeram sua experiência gastronômica. Todos atraídos pela riqueza do mar e pela demanda cada vez maior de apreciadores da boa mesa.
Respeito à natureza
No Azulli di Mare, os diferenciais começam pelo respeito ao que a natureza oferece. O ouriço e a lagosta que abastecem a cozinha chegam nas jangadas de pesca artesanal. O camarão de cativeiro é criado com a água do mar constantemente reciclada, o que garante o frescor e o sabor genuíno. Tudo assado na brasa. “Minha comida é bem clássica aos moldes da cozinha mediterrânea, onde menos é mais”, ilustra o chef. A simplicidade do processo se repete em todo o cardápio, caso dos brochetes de lagosta, polvo e camarão, ou nas ostras frescas e mariscos.
Feliz com sua trajetória, o chef Lúcio não pretende ficar por aí e anuncia, ainda para este ano, a abertura de uma nova casa, agora em Cumbuco, atraído pelo mercado gerado pela prática do kitesurf e onde a hotelaria está em ascensão, citando hotéis como o Carmelo, Mana Cumbuco e o resort Vila Galé.
Para dar água na boca

- Peixe Azulli: Peixe fresco do dia, assado na brasa
- Polvo na Brasa: Acompanha risoto de limão siciliano.
- Paella Marinera: Com arroz em caldo de frutos do mar e camarões suculentos
- Risoto de Camarão: Filé de camarões grandes ao consomê.
- Risoto de Polvo: Tentáculos de polvo na brasa com arroz de consomê.
- Brochette Lagosta Azulli (foto): Cubos de lagosta assados na brasa.

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