Bolha da IA: o que sustenta a nova corrida bilionária da tecnologia?

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Inteligência artificial impulsiona investimentos das big techs com receitas em alta, margens estáveis e demanda crescente. (Foto: Envato Elements)

A inteligência artificial segue no centro das atenções de investidores globais. Embora parte do mercado compare o atual ciclo de investimentos à bolha das empresas de internet dos anos 2000, o analista Ron Josey, líder da cobertura de internet da América do Norte no Citi, avalia que o cenário atual apresenta fundamentos muito mais sólidos.

Segundo Josey, a principal preocupação dos investidores está relacionada ao retorno sobre os bilhões de dólares que empresas como Google, Meta e Amazon destinam à expansão da infraestrutura de inteligência artificial. Ainda assim, os resultados recentes têm reduzido parte dessas dúvidas.

IA impulsiona receitas

De acordo com Ron Josey, três fatores ajudaram a sustentar o novo avanço das ações de tecnologia em 2026.

Primeiramente, as divisões de computação em nuvem voltaram a acelerar o crescimento das receitas. Ao mesmo tempo, os contratos firmados com clientes corporativos ampliaram significativamente os volumes de negócios futuros. Além disso, as empresas mantiveram margens operacionais estáveis ou registraram melhorias nos indicadores de rentabilidade.

“Como estamos vendo a receita voltar a acelerar e as margens se estabilizando, nos sentimos muito mais confortáveis em endossar esses investimentos de Capex”, afirmou.

Bolha da IA X bolha das pontocom

Para Josey, a principal diferença entre o atual ciclo tecnológico e a bolha da internet está na força financeira das grandes empresas do setor.

Segundo o analista, no início dos anos 2000 o mercado ainda buscava entender como monetizar a internet. Hoje, por outro lado, gigantes da tecnologia financiam os investimentos em inteligência artificial com recursos gerados por negócios altamente lucrativos.

“No ano 2000, sabíamos que a internet estava chegando, mas todo mundo ainda estava tentando descobrir como monetizá-la. O Google nem sabia direito o que o modelo de buscas faria por eles, as redes sociais nem existiam e a infraestrutura de fibra óptica foi construída antes do modelo de negócios”, relembrou.

Nesse contexto, Google, Meta e Amazon utilizam receitas robustas de publicidade digital, serviços em nuvem e comércio eletrônico para financiar a nova fase de expansão tecnológica.

Gargalos

Apesar do crescimento da demanda, Josey avalia que o principal desafio da inteligência artificial não está no financiamento dos projetos.

Na visão do especialista, o setor enfrenta limitações relacionadas à capacidade computacional e à disponibilidade de componentes para processamento avançado.

“Há uma visão consensual de que se houvesse mais capacidade computacional disponível na Google Cloud ou na AWS hoje, o crescimento da receita seria ainda mais forte”, afirmou.

Por essa razão, empresas do setor ampliam investimentos em chips próprios e infraestrutura proprietária. O Google avança com os chips TPU e o ecossistema Gemini. Já a Amazon aposta nos processadores Trainium. Dessa forma, ambas buscam reduzir a dependência da Nvidia.

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