O Pix voltou ao centro do debate internacional após aparecer em discussões envolvendo as duas maiores economias do mundo. Enquanto os Estados Unidos classificam o sistema brasileiro como uma prática que prejudica empresas americanas, a China avalia oportunidades de cooperação para facilitar pagamentos entre os dois países.
Ao mesmo tempo, o Banco Central da China destacou, em comunicado divulgado neste mês, o potencial de integração com mecanismos brasileiros de pagamento e liquidação financeira. O tema surgiu durante reuniões entre autoridades monetárias dos dois países.
Discussões com a China
O Banco Central da China resumiu em comunicado os debates realizados durante o 4º encontro do Grupo de Trabalho de Cooperação Financeira Estratégica China-Brasil, realizado em Xangai. O encontro contou com a participação de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil (BC).
Nesse contexto, representantes dos dois países discutiram o potencial do Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) e formas de cooperação em sistemas de pagamento voltados ao comércio bilateral.
“Ambas as partes também discutiram o potencial do SML e da cooperação em sistemas de pagamento, a fim de fornecer serviços de pagamento e compensação seguros e eficientes para o comércio bilateral”, diz o comunicado.
Posição dos Estados Unidos
Enquanto a China demonstra interesse em ampliar a cooperação financeira, os Estados Unidos adotaram posição crítica em relação ao sistema brasileiro.
Recentemente, autoridades americanas apontaram o Pix como uma prática considerada “desleal” em investigação comercial que resultou na recomendação de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras.
Segundo os argumentos apresentados pelos Estados Unidos, o Banco Central atua simultaneamente como regulador do sistema financeiro e gestor do Pix. Dessa forma, empresas americanas de pagamentos estariam em desvantagem competitiva.
Custos em operações internacionais
O Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML), citado nas discussões entre Brasil e China, permite que empresas realizem operações utilizando moedas locais, sem a necessidade de uma moeda intermediária.
Atualmente, o mecanismo funciona entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Nesse modelo, exportadores e importadores reduzem custos ao evitar parte das etapas tradicionais das operações cambiais.
Por sua vez, as conversas com a China ainda permanecem em estágio preliminar. Até o momento, os dois países não definiram qual modelo poderá ser adotado em uma eventual integração.
Pix desperta interesse de outros países
O interesse chinês não representa um caso isolado. Segundo o texto, outras jurisdições também mantêm conversas sobre possíveis integrações com o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Além disso, Hsia Hua Sheng, vice-presidente do Bank of China, afirmou neste mês que a China possui interesse em incorporar o Pix. O executivo destacou ainda que plataformas de comércio eletrônico como o AliExpress já utilizam a tecnologia brasileira.
Banco Central
Apesar do interesse internacional, o Banco Central brasileiro não trata o tema como prioridade neste momento.
Segundo o texto, o regulador concentra esforços em questões relacionadas à segurança do sistema financeiro. Paralelamente, a instituição enfrenta desafios ligados à redução do orçamento e do quadro de funcionários.
Por fim, especialistas destacam que uma conexão internacional entre sistemas de pagamentos exige definições de governança, tecnologia e regras para conversão de moedas. Por essa razão, as discussões ainda devem avançar antes de qualquer implementação prática.
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