Os dividendos continuam no radar dos investidores que buscam renda recorrente na Bolsa. Levantamento da EQI Research mostra que empresas de diferentes setores lideraram a distribuição de lucros aos acionistas nos últimos 12 meses, com destaque para fabricantes de calçados, construtoras, indústrias, empresas de energia e instituições financeiras.
O estudo revela que companhias com forte geração de caixa e negócios mais maduros seguem entre as principais pagadoras de dividendos do mercado. Entre os destaques aparecem empresas como Grendene, Direcional, Marcopolo, Cemig, Itaúsa e Copel.
Líderes do ranking
Segundo dados da EQI Research, a Grendene (GRND3), dona das marcas Melissa, Rider e Ipanema, lidera o ranking com dividend yield de 31%. Em seguida aparecem Direcional Engenharia (DIRR3), com 21,2%, e Marcopolo (POMO4), com 16,8%.
Além disso, empresas dos setores de energia elétrica e financeiro mantêm presença relevante entre as maiores distribuidoras de lucros aos acionistas.
As 10 maiores pagadoras de dividendos
| Empresa | Código | Dividend Yield |
|---|---|---|
| Grendene | GRND3 | 31,0% |
| Direcional Engenharia | DIRR3 | 21,2% |
| Marcopolo | POMO4 | 16,8% |
| Cemig | CMIG4 | 16,5% |
| Cyrela | CYRE3 | 16,5% |
| Marfrig | MRFG3 | 15,6% |
| Rede D’Or | RDOR3 | 15,1% |
| TIM | TIMS3 | 14,4% |
| Itaúsa | ITSA4 | 13,3% |
| Copel | CPLE3 | 13,0% |
Geração de caixa
Segundo João Zanott, analista da EQI Research responsável pelo levantamento, setores mais maduros costumam aparecer com frequência nesse tipo de ranking.
“Empresas com atuação em setores mais maduros da economia costumam aparecer com frequência entre as maiores distribuidoras de dividendos porque dependem de menos investimentos para sustentar suas operações e expansão.”
Nesse sentido, empresas de energia elétrica conseguem distribuir uma parcela maior dos resultados devido à previsibilidade das receitas e à estabilidade do fluxo de caixa. Da mesma forma, grandes instituições financeiras e negócios consolidados demandam menos recursos para financiar o crescimento.
Análise além do ranking
Apesar dos números elevados, o levantamento alerta que o dividend yield representa uma fotografia do passado. Portanto, investidores precisam analisar outros indicadores antes de tomar decisões.
Além disso, diversas empresas anteciparam distribuições no fim de 2025 após a aprovação da tributação sobre dividendos. Como resultado, alguns pagamentos ficaram acima dos níveis historicamente observados, elevando os indicadores registrados nos últimos 12 meses.
Por outro lado, esses patamares podem não se repetir nos próximos anos.
Dividendos dependem dos fundamentos
Zanott destaca que a capacidade de manter distribuições elevadas depende de fatores operacionais e financeiros.
Nesse cenário, crescimento dos lucros, geração de caixa, política de remuneração e nível de endividamento ajudam a indicar a sustentabilidade dos pagamentos futuros.
“Afinal, os dividendos distribuídos nos últimos 12 meses mostram quem mais pagou no passado, mas é a capacidade de continuar gerando caixa e lucro que determinará os retornos futuros.”
Dessa forma, rankings de dividendos funcionam como ponto de partida para análise, mas não substituem a avaliação dos fundamentos de cada companhia.
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