A bioeconomia esteve no centro das discussões da Amazon Week 2026, realizada em Bruxelas, na Bélgica. A iniciativa, liderada pela Missão do Brasil junto à União Europeia e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), reuniu autoridades, pesquisadores e representantes do setor produtivo para discutir caminhos que transformem a biodiversidade em um ativo econômico global.
Ao mesmo tempo, o evento colocou em pauta mecanismos de financiamento, preservação florestal e inclusão social. As atividades ocorreram no Parlamento Europeu e no Edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, onde especialistas debateram formas de ampliar investimentos e reduzir riscos em projetos ligados à economia da floresta.
Inclusão social
A Fundação Getulio Vargas (FGV) participou dos debates por meio de Marcelo Behar, coordenador do Fórum de Governança Climática da Escola de Direito de São Paulo da FGV e Enviado Especial para Bioeconomia da COP30.
Durante as discussões no Parlamento Europeu, Behar defendeu uma visão sistêmica da bioeconomia e destacou a importância de ampliar o acesso ao financiamento para pequenos produtores.
“O terceiro tema é como nós conseguimos fazer com que as finanças cheguem na ponta, alcançando o pequeno produtor”, afirmou.
Além disso, o pesquisador destacou o papel estratégico das populações tradicionais na preservação ambiental.
“As comunidades tradicionais não são povos pobres deixados à margem do desenvolvimento; são os guardiões da floresta, verdadeiros detentores da natureza global, pois possuem 80% da natureza do mundo”, disse.
Agricultura familiar
A discussão também abordou o papel da agricultura familiar no desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, ressaltou a relevância do segmento para a economia brasileira.
“70% do setor é formado por agricultura familiar”, afirmou.
Por sua vez, Maria do Socorro Teixeira Lima, presidente da Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio, destacou a importância do extrativismo para as comunidades locais.
“O babaçu é parte da nossa economia e integra a bioeconomia. Para nós, a Amazônia é vida. É vida, renda e alimento”, declarou.
Financiamentos
No Edifício Berlaymont, os debates se concentraram na estrutura financeira necessária para impulsionar projetos ligados à bioeconomia.
Segundo Marcelo Behar, a falta de alinhamento entre critérios técnicos brasileiros e europeus ainda dificulta a criação de modelos comuns para financiamento climático.
“Falta muito diálogo entre o Brasil e os marcos da União Europeia para termos métricas comuns entre natureza e emissões. Só em emissões, falamos de 132 métricas de carbono”, afirmou.
Além disso, o pesquisador defendeu uma comunicação mais próxima da sociedade para ampliar o engajamento em torno da agenda climática.
“Temos que passar de ‘emissões de carbono’ para ‘emoções de carbono’. Precisamos explicar às pessoas (…) como trazer uma solução que, ao mesmo tempo, reduza as emissões, traga a natureza de volta e distribua recursos”, disse.
Bioeconomia atrai investimentos
Entre as alternativas debatidas está o Tropical Forest Forever Facility (TFF), mecanismo voltado à remuneração de áreas preservadas.
Paralelamente, representantes da Comissão Europeia apresentaram instrumentos para ampliar investimentos em projetos sustentáveis. Roman Garcia, representante da Comissão Europeia, destacou o papel do Global Gateway na estruturação de projetos considerados viáveis para investidores.
Segundo Garcia, a estratégia combina subsídios e garantias para reduzir riscos e mobilizar recursos privados. Dessa forma, a bioeconomia florestal brasileira aparece entre as prioridades compartilhadas entre Brasil e União Europeia.
Assim, a Amazon Week reforçou o papel da bioeconomia como uma das principais agendas para desenvolvimento sustentável, preservação ambiental e geração de renda nos próximos anos.
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