Ceará cria mercado de créditos hídricos e atrai capital privado

ceará créditos hídricos
Ceará aprova sistema de créditos hídricos e cria mercado ligado à gestão de ativos ambientais, com blockchain e ESG. (Foto: Divulgação/CearaPar)

O Ceará aprovou, nesta semana, o Sistema de Créditos Hídricos, em votação na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). A iniciativa foi estruturada pela Companhia de Participação e Gestão de Ativos do Ceará (CearaPar), em parceria com a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). O modelo transforma água em ativo ambiental negociável e abre espaço para um mercado ligado à segurança hídrica e às finanças verdes.


Quer receber os conteúdos da TRENDS no seu smartphone?
Acesse o nosso canal no Whatsapp e fique bem informado


A CearaPar assumiu o desenho da governança e a organização do mercado voluntário de créditos hídricos, com foco na conexão entre oferta de soluções e demanda por compensação ambiental. Inspirado no mercado de carbono, o sistema converte em crédito cada metro cúbico adicional de água incorporado ao sistema por reúso, dessalinização ou captação de chuva. Com isso, o Ceará cria um mecanismo de gestão de ativos com impacto direto sobre a política hídrica.

Os créditos hídricos serão registrados em uma estrutura digital baseada em blockchain, com recursos de rastreabilidade e segurança jurídica. Segundo o texto aprovado, essa arquitetura reduz espaço para o greenwashing, problema comum em mercados ambientais. A companhia também prepara a negociação dos créditos em ambientes nacionais e internacionais, com integração a plataformas financeiras e participação voluntária de agentes interessados.

Financiamento para infraestrutura hídrica

Um dos pontos centrais do projeto é a autossustentabilidade financeira. O sistema não exige recursos do orçamento estadual e determina que 30% da receita obtida com a comercialização dos créditos seja reinvestida em infraestrutura hídrica no Ceará. 

Assim, a compensação ambiental passa a gerar fluxo contínuo de investimento, além de manter o impacto econômico no próprio território cearense.O modelo também atende empresas que buscam alinhamento a práticas ESG, redução de risco e compensação hídrica vinculada a projetos locais. 

Na avaliação de Luiza Martins, diretora-presidente da CearaPar, a criação do sistema reconhece como riqueza pública os ativos ambientais e intangíveis. Já a economista responsável técnica pelo projeto, Aline Xavier, afirmou que o Ceará já é referência em recursos hídricos e passa a ocupar espaço também na gestão da água como ativo ambiental. A Cogerh integra a governança e leva sua experiência técnica ao sistema.

Saiba mais:

Fortaleza vira capital da economia circular com evento que reúne 200 lideranças globais

Acordo Mercosul-União Europeia pode impactar Economia Circular no Brasil


Siga a Trends:

Instagram | LinkedIn | Facebook | Telegram | YouTube | Google Notícia

Quer receber os conteúdos da TRENDS no seu smartphone?
Acesse o nosso canal no Whatsapp e fique bem informado

Siga a Trends: