A Petrobras informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que analisa a recompra da Refinaria de Mataripe, na Bahia, privatizada em 2021. A manifestação ocorre após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feitas na última sexta-feira (20), sobre a intenção de retomar o ativo. O movimento surge em um cenário de pressão sobre os preços de combustíveis, com impacto do conflito no Irã no mercado internacional de petróleo.
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A manifestação da estatal ocorreu após questionamento da CVM, que solicitou esclarecimentos sobre declarações públicas envolvendo ativos negociados no mercado. A companhia afirmou que avalia continuamente oportunidades de investimento, incluindo a possível aquisição da refinaria. Além disso, destacou que o tema já havia sido citado em comunicados anteriores, divulgados em dezembro de 2023 e março de 2024, o que reforça a recorrência da análise interna sobre o ativo.
A recompra da refinaria ocorre no contexto de restrições do governo federal no controle dos preços dos combustíveis, especialmente o óleo diesel, diante de oscilações no mercado global. A guerra no Irã afetou a produção e a logística de petróleo, o que elevou a volatilidade dos preços. Nesse ambiente, a Refinaria de Mataripe ganha relevância estratégica por sua capacidade de refino e impacto na oferta nacional de derivados.
A unidade, também chamada de Refinaria Landulpho Alves, está localizada em São Francisco do Conde, na região metropolitana de Salvador, e responde por cerca de 14% da capacidade de refino do país, com processamento de até 300 mil barris por dia. Entre os principais produtos estão diesel, gasolina, querosene de aviação (QAV) e gás liquefeito de petróleo (GLP), itens centrais para cadeias produtivas industriais e logísticas.
Privatização e estrutura de mercado
A refinaria foi vendida em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro, para a Mubadala Capital, gestora vinculada ao fundo soberano de Abu Dhabi. A operação resultou na criação da Acelen, empresa responsável pela gestão do ativo. A venda integrou a estratégia de desinvestimento da Petrobras, com foco na otimização de portfólio e na alocação de capital.
Além disso, o processo de privatização no setor incluiu a venda da BR Distribuidora, atual Vibra Energia, com contrato que permite o uso da marca até 2029 e cláusula de não concorrência. Esse modelo limita a atuação direta da Petrobras na distribuição de combustíveis, o que amplia o debate sobre controle de preços, estrutura de mercado e o papel da estatal no abastecimento nacional.
A Petrobras informou que não há novos fatos relevantes sobre o tema até o momento, mas reiterou o compromisso de manter o mercado informado sobre qualquer avanço relacionado à possível recompra da refinaria.
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