Em termos de portos no país, a atribuição é inédita. Previsão para o sistema começar a operar, no segundo semestre de 2026. (Foto: CIPP)
O gerente de Negócios Portuários do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), Raul Neris, afirma que, de forma inédita no Brasil, um sistema sustentável advindo de energias renováveis para manter o abastecimento de navios no cais será implementado num porto do país, no caso, no Pecém. A previsão para implementação do equipamento é no 2º semestre de 2026.
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O panorama é denominado de Power Shore, o qual contabiliza aporte de R$ 13,2 milhões e teve a ordem de serviço assinada em setembro deste ano. O CIPP informa que atualmente a organização conjuntural gestora atribui-se à compra do equipamento.
“Com o advento do Power Shore, o navio poderá desligar os motores e se conectar diretamente à energia que o Porto vai fornecer pra ele. Isso vai contribuir para a descarbonização, para a pegada de CO2 e vai melhorar a composição de custo, porque na linha de navegação, as empresas donas do navio, a parte significante dos custos deles é o combustível. Os navios funcionam com um tipo de combustível que é o bunker, então essa possibilidade de se conectar à energia do porto vai deixar a cadeia mais barata e vai tornar o setor mais competitivo”, explica Raul.
De acordo com o gestor, a chegada de cargas e mercadorias no equipamento portuário, gera a necessidade de instalar mais um espaço de recepção de navios alfandegários, ou seja, um berço portuário, por assim dizer na literatura aduaneira, o Terminal de Múltiplo Uso (TMUT). Raul Neris elucida que atualmente o Porto do Pecém opera com 10 berços, podendo atracar 10 navios. A licitação do 11º TMUT está em fase final de licitação, e a empresa prestadora do serviço poderá ser lançada ainda neste ano, com previsão de início das obras em março do próximo ano.
Em termo de negócios relacionados ao Complexo do Pecém, o gerente relatou que investimentos na ordem de R$ 1,5 bilhão serão aplicados nos próximos anos para eixos estruturantes como obras relacionadas à Ferrovia Transnordestina. Indagado sobre os terrenos alocados para o embarque e desembarque do escoamento de mercadorias da ferrovia, Raul esclareceu que a infraestrutura neste aspecto será preparada e redimensionada pelas próprias empresas investidoras.
O gestor reforça que as obras conectadas às áreas de implementação do Hub de Hidrogênio Verde já estão reservadas, o qual enfatizou que nos dois grandes projetos correlacionados, atualmente, um já se encontra em fase avançada de construção.
Ao que tange à tancagem de combustíveis, sob a tutela administrativa da Dislub Equador, no Complexo do Pecém, Raul disse que este equipamento tem previsão de conclusão das obras até o final do próximo ano. “No início de 2028 deverá iniciar a sua operação, e em breve deverá ser construída a tancagem de GNL com a Supergasbras”, pontua.

O diretor de Suprimentos (Supply Chain) da Companhia de Cimento Apodi, Karley Sobreira, enfatizou que um dos principais gargalos do Nordeste é romper as dificuldades de infraestrutura de transporte, ao que concerne a malha de estradas e a disponibilidade de caminhões.
Karley destaca que com o surgimento da Ferrovia Transnordestina, o entrave vai beneficiar o estado do Ceará no contexto de destravar o escoamento da produção. “Estou aqui no Ceará entre o 7º e o 8º ano, e me impressiona positivamente a infraestrutura que o estado vem trazendo quando a gente olha o caminho da Transnordestina. Estou enxergando isso como um grande potencial para o estado, a obra vai passar na porta da nossa fábrica, no Pecém.”
A corporação tem duas fábricas de produção de cimento, uma em Quixeré e outra no Pecém, e a expectativa, segundo Karley, é estabelecer uma rede ferroviária através da Transnordestina para centros de distribuição de cimento em Teresina e São Luiz, que operam também no mercado interno com vagões ferroviários.
“Temos um atendimento que vai da Bahia a Manaus, e quando a gente fala em cabotagem, o posicionamento logístico do Ceará é um diferencial. Porque nós temos um porto eficiente, um porto que traz grande volume. Hoje chegamos em Manaus tão competitivos quanto alguém que sai de Pernambuco ou da Bahia. Não perdemos por eficiência logística. Estamos chegando muito bem ao Pará. Existe o desafio de atender com transporte rodoviário, e o Porto do Pecém, casado com serviços de cabotagem, faz com que a gente consiga manter a nossa malha de distribuição”, menciona Karley.
As entrevistas de ambos os entes foram concedidas à Trends, durante o segundo dia de realização da edição da Expolog 2025.

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