Guilherme Benchimol: “Ceará é o polo mais importante do Nordeste no mercado financeiro”

Por: Eleazar Barbosa | Em:
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Guilherme Benchimol

Guilherme Benchimol – imagem – é o fundador e presidente executivo do Conselho de Administração da XP Investimentos. (Foto: Divulgação)

O fundador e presidente executivo do Conselho de Administração da XP InvestimentosGuilherme Benchimol, afirmou que o Ceará, sob a respectiva ótica, no enquadramento de aplicações relacionadas ao mercado financeiro no Nordeste, é o mais importante, e aponta como vantagem o fato de o Ceará ainda não possuir uma competição tão “feroz”.


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“O Nordeste como um todo é uma praça que a gente tem investido bastante. O nosso marketing no Brasil é na faixa dos 10%. No Nordeste está um pouco abaixo, cerca de 7 a 8%. E pra gente isso é oportunidade, por esse motivo abrimos cada vez mais espaços novos na região”, relata Benchimol.

De acordo com o gestor financeiro, em termos de Brasil, o mercado financeiro é muito evoluído, no entanto, destaca que o segmento se concentra no monopólio de cinco bancos. Ele avalia que a tendência é aumentar a competição, o qual ressalta que é saudável, no aspecto de que a atribuição oferece preços e serviços melhores.

“O Brasil tem uma concentração bancária muito grande. Então empresas independentes como a XP vêm tentando cada vez mostrar que tem uma forma mais inteligente de a pessoa investir seu patrimônio a longo prazo. Acho que o mercado financeiro vai continuar crescendo bastante no Brasil, essa agenda do mercado de capitais e de produtos independentes vai ganhar cada vez mais tração nos próximos anos”, pontua Benchimol.

Ao que permeia o englobamento econômico brasileiro na atualidade, Guilherme enfatiza que em breve ocorrerá uma queda dos juros e salienta que a inflação está convergindo na direção das metas. Ele reforça, ainda, que é preponderante que o país estabeleça como meta ter juros mais razoáveis.

“Acho que a grande questão é como o Brasil vai continuar gerindo as contas públicas pós 2026. Como é que vão ser as eleições ano que vem. Isso tudo vai dizer muito de como as contas públicas serão no futuro, vai dizer o quão sustentável – ou não – é essa queda de juros, mas eu sou muito otimista com o Brasil. O Brasil está vivendo uma fase muito boa, no sentido de que tem tanta confusão no mundo, o Brasil é um país tão grande, tão rico, com tantas oportunidades, que se a gente fizer um pouco do nosso dever de casa, a gente vai conseguir atravessar esse momento turbulento, e fazer o país cada vez melhor”, relata Benchimol.

As declarações foram realizadas em entrevista exclusiva concedida à Trends nesta quarta-feira (26), em Fortaleza, durante as celebrações dos 10 anos do escritório representante da XP Investimentos, instalado na capital cearense, a Start Investimentos.

Mercado financeiro: Nordeste cresce mais que a média do país

O sócio fundador e CEO da Start InvestimentosHenrique Zimmermann, analisa que nos dias de hoje o Ceará se sobressai no âmbito do mercado financeiro, por critérios de aquisição de empresas de capital aberto e a atuação dos escritórios especializados no estado no setor.

“Eu vejo que é um mercado muito pujante, com muito crescimento, e o Nordeste em si tem crescido mais que a média no Brasil. A gente tem essa questão das energias renováveis, aqui o Porto também, com a questão das energias verdes, então acredito que aqui vai crescer mais do que a média brasileira”, frisa Henrique.

A Start Investimentos possui capital de R$ 1,5 bilhões, contabilizando uma carteira de mais de 150 grupos empresariais, e atendendo 800 famílias. O escritório, que funciona na capital cearense, ampliou a estrutura para 11 sócios e mais de 25 associados, mantendo parcerias com a XP Investimentos.

Henrique
Henrique Zimmermann, sócio fundador e CEO da Start Investimentos. (Foto: Divulgação)

Os efeitos do novo Imposto de Renda no mercado financeiro

A partir de janeiro começa a vigorar a lei que fixa a isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas com salário mensal de até R$ 5.000. Além disso, a nova legislação estabelece a concessão de descontos a rendas de até R$ 7.350. No entanto, a compensação na perda da arrecadação acontecerá no montante do valor abatido daqueles que no cálculo expresso na lei recebem o equivalente a R$ 50 mil, o que desencadeia a quantia de R$ 600 mil por ano. O texto também estabelece a tributação para lucros e dividendos remetidos para o exterior com alíquota de 10%.

O diretor da Secran GroupGustavo Duailibe, afirma que a expectativa é que aconteça com as novas medidas uma saída expressiva de capital do país, principalmente no que concerne a aportes de investidores estrangeiros. Duailibe aponta uma estimativa de mais de 35 bilhões de dólares.

O gestor relata que a Receita Federal se moldou para cobrir o benefício para o trabalhador de renda menor, na amplitude da nova legislação aprovada. Ele menciona que a aplicação financeira da pessoa física, somado à conjugação societária de dividendos de uma empresa de juro de capital próprio, o respectivo grupo será contemplado na declaração de ajuste anual.

“Se num mês for acima de 50 mil, então vai ter a mordida dos 10%, se porventura esse rendimento estiver mais pulverizado, na declaração de ajuste anual, que é o nosso Imposto de Renda. Na verdade, vai ser avaliado, de fato, se esse rendimento anual ultrapassa os 600 mil, na proporção de 50 mil por mês. A grande massa de rentabilidade, renda fixa, vai estar sujeita a essa nova regra de tributação, e aí vai caber essa revisão tributária. Então tem a ver com os assessores que lhe acompanham, ter os caminhos, avaliar se é possível envolver uma Holding ou não, porque existem outros vieses tributários”, pontua Gustavo.

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