Silvio Carlos aposta na implantação de irrigação tecnológica no Ceará

Por: Eleazar Barbosa | Em:
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Propósito da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (Abid) é triplicar a produção agrícola cearense. Na imagem, o presidente da entidade, Silvio Carlos Ribeiro. (Foto: Abid)

O presidente da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (Abid), o cearense Silvio Carlos Ribeiro, aponta que a irrigação é um eixo fundamental para a agricultura local, e vislumbra a utilização da tecnologia no aspecto de auxiliar o manejo agrícola.


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De acordo com o gestor, utilizando a tecnologia, a intenção é triplicar a produção agrícola no Ceará, expandindo com valor agregado a fruticultura e hortaliças. “E não só triplicar, mas produzir culturas de alto valor agregado”, reforça.

Segundo Silvio Carlos, o Governo do Estado vem atuando no sentido de incentivar a área irrigada, modernizando os perímetros, fortalecendo a assistência técnica dos perímetros e as regiões de agricultura irrigada, como por exemplo a zona da Ibiapaba, um local crucial para o setor no Ceará, geradora de emprego e renda.   

“Hoje, a irrigação no Ceará é mais fruticultura. Nós irrigamos banana, melão, manga, mamão, diversas culturas oriundas da fruticultura, e também das hortaliças, como pimentão, e as oleosas. Isso é fundamental para a gente produzir no Ceará, na região semiárida, essas culturas. A gente não consegue produzir em sequeiro, espaço que não utiliza técnica da irrigação, mas somente com a chuva”, elucida o presidente da Abid. 

Silvio Carlos relata que os principais polos agrícolas do estado se encontram em regiões como o Baixo Jaguaribe, em Limoeiro do Norte, e o Tabuleiro de Russas, além também do Baixo Acaraú, e segundo ele outras regiões se propõe a se integrar no topo do ranking de produção, como a região do Cariri.

O presidente da Abid disse que, recentemente, uma comissão de produtores e gestores cearenses estiveram na Espanha para se debruçar acerca das vias de desenvolvimento agrícola em regiões semelhantes ao ambiente geográfico e climático do Ceará, e está previsto uma nova visita no país europeu na região da Andaluzia, em março do próximo ano.

Irrigação utilizada com sabedoria

As declarações de Silvio Carlos foram feitas durante entrevista exclusiva concedida à TRENDS no Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem (CONIRD), no Centro de Eventos do Ceará.

Na ocasião, o professor de Irrigação e Drenagem da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp)Fernando Tangerino, ressaltou que as técnicas na utilização hídrica atualmente devem ser utilizadas com sabedoria, para que se direcione o armazenamento hídrico e alinhamento aplicado de investimentos.

“A técnica pode ser feita através de sensores no solo, ou também com monitoramento climático. Através de uma estação meteorológica em cada cultura, ou se coloco um sensor no solo que vai me fornecer o armazenamento de água no solo. E, acompanhando isso, eu posso decidir se está na hora de irrigar ou o quanto eu devo colocar de água no tanque”, explica o especialista.

Fernando destaca que o Ceará possui semelhanças no aspecto geográfico e de manejo agrícola semelhante ao estado da Califórnia, o qual o próprio desenvolve um painel temático relacionado à região norte-americana. O docente explana que na Califórnia se pontua na transposição e represamento de água, em instalações para segurar a água na bacia, além de distribuição de água dentro do território, e o uso de técnicas para o manejo adequado. 

“Por exemplo, tem aqui no Ceará algo muito forte, que é o uso bastante concentrado de rentabilidade no polo de produção de flores, na Serra da Ibiapaba. Ali é usada pouca água, porque se irriga áreas pequenas de alto valor econômico. Isso também acontece com a banana e com o melão”, acentua Fernando.

O especialista em fisiologia vegetal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)Marlos Bezerra, enfatizou que no Nordeste tem água de baixa qualidade. Contudo, a região é detentora de elevada salinidade, o qual aborda que o desafio é aumentar a irrigação na área, face à escassez hídrica. “E uma das saídas é uso de água residuária de baixa qualidade”, frisa. 

Marlos salienta que no manejo de irrigação de algumas culturas do Nordeste, exemplificando como a do coco, a análise da Embrapa supõe na prática da utilização de poucos recursos hídricos. Isso resulta em um cultivo igualitário e com melhor qualidade. “Então a gente tem que provar ao produtor que é viável reduzir a quantidade de água que ele está aplicando, sem prejudicar a cultura dele”, acentua.

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